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CID R33: Retenção urinária
R33
Retenção urinária
Mais informações sobre o tema:
Definição
A retenção urinária é definida como a incapacidade de esvaziar completamente a bexiga, resultando em volume residual pós-miccional anormalmente elevado. Pode ser classificada como aguda (súbita e dolorosa, com incapacidade de urinar) ou crônica (insidiosa, com esvaziamento incompleto e possível incontinência por transbordamento). A condição reflete um desequilíbrio entre as forças de contração do detrusor e a resistência uretral, com etiologias multifatoriais que incluem obstrução do fluxo de saída, disfunção do detrusor ou causas neurológicas. Clinicamente, apresenta-se com desconforto suprapúbico, distensão vesical, jato urinário fraco ou intermitente, e sensação de esvaziamento incompleto. A epidemiologia mostra maior prevalência em homens idosos devido à hiperplasia prostática benigna, mas pode ocorrer em ambos os sexos e em diversas faixas etárias, com impacto significativo na qualidade de vida e risco de complicações como infecções do trato urinário e dano renal.
Descrição clínica
A retenção urinária manifesta-se clinicamente pela incapacidade de iniciar ou completar a micção, com volume residual urinário aumentado. Na forma aguda, há dor suprapúbica intensa, distensão vesical palpável e urgência sem sucesso miccional. Na forma crônica, os sintomas podem ser mais sutis, incluindo jato fraco, hesitação, gotejamento pós-miccional e incontinência por transbordamento. Sinais associados incluem palpação de massa suprapúbica, desconforto à percussão e, em casos prolongados, sinais de infecção ou insuficiência renal. A avaliação requer história clínica detalhada, exame físico e exames complementares para identificar a causa subjacente.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a cronicidade. Na retenção urinária aguda: início súbito de dor suprapúbica intensa, incapacidade de urinar apesar da urgência, distensão abdominal palpável, ansiedade e, possivelmente, sinais de infecção (febre, calafrios). Na retenção crônica: sintomas de obstrução do trato urinário inferior (jato fraco, hesitação, esforço miccional, frequência urinária aumentada, noctúria), incontinência por transbordamento (gotejamento constante), sensação de esvaziamento incompleto e, em casos avançados, sintomas de insuficiência renal (fadiga, náuseas). O exame físico pode revelar massa suprapúbica (bexiga distendida) e, em homens, aumento prostático ao toque retal.
Complicações possíveis
Infecção do trato urinário (ITU)
Estase urinária predispõe a colonização bacteriana, podendo levar a cistite, pielonefrite ou sepse.
Dano renal
Obstrução prolongada pode causar hidronefrose, pielonefrite crônica e insuficiência renal.
Incontinência por transbordamento
Transbordamento constante de urina devido à bexiga superdistendida, levando a gotejamento e impacto social.
Formação de cálculos vesicais
Estase urinária favorece cristalização e formação de cálculos, exacerbando obstrução e sintomas.
Disfunção do detrusor
Retenção crônica pode levar a hipocontratilidade ou hiperatividade do detrusor, complicando o manejo.
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A retenção urinária tem prevalência estimada de 4,5 a 6,8 por 1000 homens/ano, com aumento com a idade: em homens >70 anos, a incidência pode chegar a 10%. É mais comum em homens devido à HPB, mas ocorre em mulheres, especialmente pós-cirurgia pélvica ou com causas neurogênicas. Fatores de risco incluem idade avançada, história de obstrução do trato urinário inferior, diabetes mellitus, uso de fármacos anticolinérgicos e doenças neurológicas. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que é uma causa frequente de atendimento em urgências urológicas, com impacto significativo na morbidade.
Prognóstico
O prognóstico da retenção urinária depende da causa subjacente, tempo de diagnóstico e adequação do tratamento. Na retenção aguda reversível (ex.: induzida por fármacos), o prognóstico é excelente com descontinuação e cateterismo. Em causas crônicas como HPB, o tratamento cirúrgico (ex.: ressecção prostática) geralmente resolve os sintomas, mas pode haver recorrência ou complicações. Causas neurogênicas (ex.: lesão medular) têm prognóstico reservado, requerendo manejo a longo termo com cateterismo intermitente. Complicações como ITU ou dano renal podem piorar o prognóstico se não tratadas. A mortalidade é baixa diretamente, mas aumenta em idosos com comorbidades.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos e exames complementares. Critérios clínicos: história de incapacidade de urinar ou esvaziamento incompleto, associada a sintomas obstrutivos ou dor suprapúbica. Exame físico: palpação de massa suprapúbica (bexiga distendida) e avaliação neurológica. Critério objetivo: volume residual pós-miccional (VRPM) > 300 mL em cateterismo intermitente ou > 100-150 mL em ultrassonografia, conforme diretrizes da American Urological Association. A confirmação requer identificação da causa subjacente através de exames como ultrassonografia, cistoscopia ou estudos urodinâmicos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Incontinência urinária
Perda involuntária de urina, diferindo da retenção onde há incapacidade de esvaziar; a incontinência por transbordamento pode mimetizar retenção, mas com gotejamento constante.
Diretrizes da International Continence Society (ICS)
Cistite aguda
Infecção da bexiga com urgência e disúria, mas sem retenção significativa; pode coexistir com retenção, porém o VRPM é geralmente normal.
Guidelines da European Association of Urology (EAU)
Obstrução intestinal
Pode causar distensão abdominal e desconforto semelhante, mas sem sintomas urinários específicos; diferencia-se por história e exames de imagem.
UpToDate: 'Intestinal obstruction in adults'
Hipocontratilidade do detrusor idiopática
Disfunção do detrusor sem causa obstrutiva evidente, levando a sintomas semelhantes, mas requer estudos urodinâmicos para diferenciação.
PubMed: 'Underactive bladder: a review of the current literature'
Fármacos anticolinérgicos
Efeito colateral de medicamentos que pode simular retenção aguda; diferencia-se por história medicamentosa e reversão com descontinuação.
Micromedex: 'Drug-induced urinary retention'
Exames recomendados
Ultrassonografia renal e vesical
Avalia volume residual pós-miccional, espessura da parede vesical, hidronefrose e causa obstrutiva (ex.: próstata aumentada).
Diagnóstico não invasivo de retenção e identificação de complicações como obstrução ou dano renal.
Cateterismo vesical
Inserção de cateter para drenagem urinária e medição do VRPM; alivia sintomas agudos e confirma retenção.
Tratamento imediato e quantificação objetiva do volume residual.
Estudos urodinâmicos
Inclui cistometria e fluxometria para avaliar pressão vesical, contratilidade do detrusor e obstrução.
Diferenciação entre causas obstrutivas e não obstrutivas, e avaliação da função neuromuscular.
Cistoscopia
Endoscopia da uretra e bexiga para visualizar obstruções (ex.: estenose, tumor) ou anormalidades anatômicas.
Identificação direta de causas obstrutivas e planejamento cirúrgico.
Exames laboratoriais
Urina tipo I, urocultura, creatinina sérica e PSA (em homens) para avaliar infecção, função renal e causa prostática.
Detecção de infecções associadas, avaliação renal e rastreamento de hiperplasia prostática.
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Evitar ou monitorar fármacos com efeitos anticolinérgicos ou que predisponham à retenção, especialmente em idosos.
Controle de comorbidades
Manejo adequado de diabetes, doenças neurológicas e HPB para reduzir risco de retenção.
Educação em saúde
Orientar pacientes sobre sintomas de obstrução urinária e quando buscar atendimento precoce.
Práticas de cateterismo seguro
Adoção de técnicas assépticas e cateterismo apenas quando necessário para prevenir ITU e retenção iatrogênica.
Vigilância e notificação
A retenção urinária não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. No entanto, casos associados a surtos de infecção (ex.: ITU hospitalar) ou eventos adversos de medicamentos devem ser notificados no Sistema de Notificação em Vigilância Sanitária (NOTIVISA). Em serviços de saúde, a vigilância inclui monitoramento de taxas de cateterismo urinário e complicações como ITU, com práticas de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS). Profissionais devem registrar adequadamente no prontuário para fins epidemiológicos e de qualidade.
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A retenção aguda é súbita, dolorosa e com incapacidade completa de urinar, requerendo cateterismo imediato. A crônica é insidiosa, com esvaziamento incompleto e pode apresentar incontinência por transbordamento; o manejo é mais gradual e focado na causa subjacente.
Fármacos anticolinérgicos (ex.: oxibutinina), opioides (ex.: morfina), antidepressivos tricíclicos (ex.: amitriptilina), descongestionantes (ex.: pseudoefedrina) e antipsicóticos (ex.: haloperidol) podem precipitar retenção, especialmente em idosos ou com fatores de risco.
Baseia-se em história clínica, exame físico (palpação de massa suprapúbica) e confirmação com volume residual pós-miccional > 300 mL por cateterismo ou > 100-150 mL por ultrassonografia. Exames adicionais como estudos urodinâmicos ajudam a identificar a causa.
Incluem infecções do trato urinário recorrentes, dano renal progressivo (hidronefrose, insuficiência renal), formação de cálculos vesicais, incontinência por transbordamento e disfunção irreversível do detrusor.
Sim, quando realizado com técnica limpa e adequada, o cateterismo intermitente é seguro e eficaz para retenção crônica, especialmente em causas neurogênicas, reduzindo risco de ITU e preservando a função renal.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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