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CID R11: Náusea e vômitos

R11
Náusea e vômitos

Mais informações sobre o tema:

Definição

Náusea e vômitos são sintomas comuns na prática clínica, caracterizados por sensação desagradável de necessidade de vomitar (náusea) e pela expulsão forçada do conteúdo gástrico pela boca (vômito). A náusea frequentemente precede o vômito, mas pode ocorrer isoladamente. Esses sintomas são mediados pelo centro do vômito no bulbo, que integra aferências do trato gastrointestinal, sistema vestibular, quimiorreceptores da área postrema e córtex cerebral. A fisiopatologia envolve ativação de receptores de serotonina (5-HT3), dopamina (D2), histamina (H1) e neurocinina-1 (NK1), entre outros, levando à contração coordenada da musculatura abdominal e relaxamento do esfíncter esofágico inferior. O impacto clínico varia desde desconforto transitório até desidratação grave, distúrbios eletrolíticos e desnutrição, especialmente em populações vulneráveis como idosos, crianças e pacientes oncológicos. Epidemiologicamente, são queixas ubíquas, responsáveis por aproximadamente 4% das consultas em atenção primária e frequentes em contextos hospitalares, pós-operatórios e relacionados a quimioterapia.

Descrição clínica

Náusea é uma sensação subjetiva de mal-estar epigástrico com desejo de vomitar, frequentemente associada a palidez, sudorese, sialorreia e taquicardia. O vômito é um ato reflexo complexo que envolve contração vigorosa dos músculos abdominais e diafragma, precedido por náusea e retching (movimentos respiratórios sem expulsão de conteúdo). O vômito pode ser classificado como agudo (1 semana), e o conteúdo (alimentar, biliar, fecaloide) e padrão (pós-prandial, matinal, cíclico) auxiliam na investigação etiológica. A avaliação deve incluir história detalhada (início, duração, fatores desencadeantes, medicamentos, cirurgias prévias) e exame físico com atenção a sinais de desidratação, distensão abdominal, massas ou sensibilidade à palpação.

Quadro clínico

Pacientes apresentam náusea (sensação de enjoo, mal-estar epigástrico) que pode progredir para vômitos, com ou sem conteúdo alimentar, biliar ou sanguinolento. Sintomas associados incluem sialorreia, palidez, sudorese, taquicardia e, em casos prolongados, sinais de desidratação (hipotensão postural, oligúria, pele seca). O padrão temporal é relevante: vômitos matinais sugerem gravidez ou aumento da pressão intracraniana; pós-prandiais imediatos indicam causas gástricas (estenose pilórica, gastroparesia); e vômitos projetivos são sugestivos de obstrução de saída gástrica. A presença de dor abdominal, febre, cefaleia ou alterações neurológicas direciona a investigação para causas específicas.

Complicações possíveis

Desidratação

Perda de líquidos e eletrólitos, levando a hipotensão, taquicardia, oligúria e, em casos graves, choque hipovolêmico.

Distúrbios eletrolíticos

Hipocalemia (fraqueza muscular, arritmias), hiponatremia (confusão, convulsões) e alcalose metabólica por perda de ácido gástrico.

Desnutrição

Redução da ingestão oral prolongada, resultando em perda de peso, deficiências nutricionais e comprometimento do estado geral.

Síndrome de Mallory-Weiss

Laceração da junção gastroesofágica por vômitos repetidos, causando hematêmese e risco de sangramento significativo.

Aspiração pulmonar

Entrada de conteúdo gástrico nas vias aéreas, podendo levar a pneumonia aspirativa, especialmente em pacientes com depressão do nível de consciência.

Epidemiologia

Náusea e vômitos são sintomas extremamente prevalentes, afetando todas as faixas etárias. Estima-se que ocorram em até 50% dos adultos em algum momento da vida. Em atenção primária, representam cerca de 4% das consultas. Contextos específicos incluem: pós-operatório (incidência de 20-30%), quimioterapia (70-80% sem profilaxia), gravidez (70-80% no primeiro trimestre) e enxaqueca (até 80% dos episódios). Fatores de risco incluem sexo feminino, história prévia de cinetose, não fumantes e uso de opioides. A carga econômica é significativa devido a custos hospitalares, absenteísmo e redução da qualidade de vida.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia. Em causas benignas e autolimitadas (gastroenterite viral), a resolução é esperada em 24-72 horas com suporte. Em condições crônicas (gastroparesia, neoplasias), os sintomas podem ser recorrentes, exigindo manejo prolongado. Complicações como desidratação grave ou distúrbios eletrolíticos não tratados podem levar a morbidade significativa ou mortalidade, especialmente em populações vulneráveis. A resposta ao tratamento antiemético é geralmente boa, mas a recorrência é comum em contextos como quimioterapia ou gravidez. Monitoramento clínico e ajuste terapêutico são essenciais para otimizar desfechos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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