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CID Q25: Malformações congênitas das grandes artérias
Q250
Permeabilidade do canal arterial
Q251
Coartação da aorta
Q252
Atresia da aorta
Q253
Estenose da aorta
Q254
Outras malformações congênitas da aorta
Q255
Atresia da artéria pulmonar
Q256
Estenose da artéria pulmonar
Q257
Outras malformações congênitas da artéria pulmonar
Q258
Outras malformações congênitas das grandes artérias
Q259
Malformação congênita não especificada das grandes artérias
Mais informações sobre o tema:
Definição
As malformações dos grandes vasos referem-se a um grupo de anomalias congênitas que afetam a aorta, a artéria pulmonar e seus ramos principais, resultando em alterações estruturais que comprometem a função cardiovascular. Essas malformações podem envolver estenoses, atresias, coarctações, persistência do canal arterial, transposições ou outras variações anatômicas, frequentemente associadas a defeitos septais ou valvares. A fisiopatologia subjacente geralmente envolve desregulação na embriogênese vascular durante as primeiras 8 semanas de gestação, com impacto hemodinâmico variável dependendo da gravidade e localização da lesão. Epidemiologicamente, essas condições representam cerca de 5-10% de todas as cardiopatias congênitas, com incidência estimada em 1-2 por 10.000 nascidos vivos, podendo ocorrer isoladamente ou como parte de síndromes genéticas como a síndrome de Turner ou a síndrome de DiGeorge.
Descrição clínica
As malformações dos grandes vasos abrangem um espectro de defeitos estruturais que podem ser assintomáticos ao nascimento ou se manifestar com sinais de insuficiência cardíaca, cianose, sopros cardíacos ou choque cardiogênico, dependendo da natureza e gravidade da anomalia. A apresentação clínica varia desde achados incidentais em exames de imagem até emergências neonatais, com potencial para complicações como hipertensão pulmonar, endocardite ou morte súbita.
Quadro clínico
O quadro clínico é heterogêneo: recém-nascidos podem apresentar taquipneia, taquicardia, dificuldade alimentar, sudorese e letargia em casos de insuficiência cardíaca; cianose é comum em defeitos com shunt direito-esquervo; sopros cardíacos são frequentes, variando em intensidade e localização; em crianças mais velhas ou adultos, pode haver hipertensão arterial, claudicação intermitente ou dispneia aos esforços. A ausência de pulsos femorais é sugestiva de coarctação da aorta.
Complicações possíveis
Insuficiência cardíaca
Devido à sobrecarga crônica de volume ou pressão nos ventrículos.
Hipertensão pulmonar
Resultante de shunt esquerda-direita não corrigido, podendo evoluir para síndrome de Eisenmenger.
Endocardite infecciosa
Risco aumentado em defeitos com turbulência de fluxo ou material protético.
Aneurismas ou dissecções aórticas
Especialmente em malformações como coarctação ou síndromes associadas.
Arritmias cardíacas
Podem ocorrer devido a hipertrofia miocárdica ou cicatrizes pós-cirúrgicas.
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As malformações dos grandes vasos têm incidência global de aproximadamente 1-2 casos por 10.000 nascidos vivos, representando 5-10% das cardiopatias congênitas. A distribuição é uniforme entre sexos para a maioria dos tipos, mas algumas (ex.: coarctação da aorta) são mais frequentes em homens. Fatores de risco incluem história familiar, síndromes genéticas e exposições maternas, com variações geográficas modestas.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo do tipo de malformação, gravidade, idade ao diagnóstico e acesso a tratamento. Com correção cirúrgica ou intervencional oportuna, a sobrevida em 10 anos pode exceder 90% para muitas formas, mas defeitos complexos ou não tratados têm alta morbimortalidade. Seguimento lifelong é essencial devido a riscos de reoperações, complicações tardias e necessidade de manejo multidisciplinar.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, ecocardiograma transtorácico (padrão-ouro para confirmação anatômica), e exames de imagem como radiografia de tórax (mostrando cardiomegalia ou silhueta vascular anormal) e angiotomografia ou angiorressonância magnética cardíaca para detalhamento anatômico. Critérios incluem evidência de anomalia estrutural em grandes vasos, corroborada por hemodinâmica alterada e exclusão de outras causas adquiridas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Cardiopatias congênitas cianóticas
Como tetralogia de Fallot ou atresia pulmonar, que também cursam com cianose, mas com anatomia distinta.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Cardiopatias Congênitas no Adulto, 2019
Miocardiopatias
Como miocardiopatia hipertrófica ou dilatada, que podem simular insuficiência cardíaca, mas sem malformações vasculares primárias.
UpToDate: Approach to the infant or child with a cardiac murmur, 2023
Doenças adquiridas da aorta
Como aortite ou dissecção aórtica, que têm início agudo e fatores de risco distintos.
Guidelines ESC 2021 on cardiovascular diseases
Persistência do canal arterial
Embora seja uma malformação de grande vaso, é codificada separadamente (Q25.0) e pode ser diferenciada por ecocardiografia.
OMS: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, CID-10
Síndromes genéticas com envolvimento cardiovascular
Como síndrome de Marfan, que apresenta ectasia aórtica, mas com características sistêmicas adicionais.
PubMed: Genetic basis of congenital heart disease, 2020
Exames recomendados
Ecocardiograma transtorácico
Exame de imagem não invasivo que avalia a anatomia cardíaca e dos grandes vasos, fluxos sanguíneos e função ventricular.
Confirmação diagnóstica, avaliação da gravidade e planejamento terapêutico.
Radiografia de tórax
Exame radiológico simples que pode mostrar alterações na silhueta cardíaca e vascularização pulmonar.
Triagem inicial e avaliação de complicações como edema pulmonar.
Angiotomografia computadorizada cardíaca
Tomografia com contraste que fornece imagens detalhadas da aorta e artéria pulmonar.
Detalhamento anatômico pré-operatório ou quando o ecocardiograma é inconclusivo.
Ressonância magnética cardíaca
Exame de imagem que avalia anatomia, função e fluxo sem radiação ionizante.
Avaliação quantitativa de volumes ventriculares e detecção de anomalias complexas.
Cateterismo cardíaco
Procedimento invasivo com medida de pressões e oximetria, podendo incluir angiografia.
Avaliação hemodinâmica precisa e intervenção terapêutica em alguns casos.
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Para famílias com história de cardiopatias congênitas ou síndromes associadas.
Cuidados pré-natais
Ecocardiograma fetal em gestantes de alto risco para detecção precoce.
Evitar teratógenos
Abstenção de álcool, drogas e medicamentos não prescritos durante a gravidez.
Vigilância e notificação
No Brasil, essas condições são de notificação compulsória no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) quando diagnosticadas ao nascimento, e devem ser registradas em sistemas de vigilância de anomalias congênitas. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados para permitir monitoramento epidemiológico e planejamento de saúde pública, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.
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Sinais incluem cianose persistente, dificuldade para alimentar, taquipneia, sopros cardíacos, letargia e pulsos femorais fracos ou ausentes, que exigem avaliação cardiológica urgente.
Através do ecocardiograma fetal, geralmente realizado entre 18-24 semanas de gestação em gestantes com fatores de risco, como história familiar ou alterações no ultrassom morfológico.
Incluem correção cirúrgica (ex.: ressecção com anastomose termo-terminal) ou angioplastia com stent, dependendo da idade, anatomia e presença de complicações, com acompanhamento para monitorar reestenose ou hipertensão.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...