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CID Q21: Malformações congênitas dos septos cardíacos

Q210
Comunicação interventricular
Q211
Comunicação interatrial
Q212
Comunicação atrioventricular
Q213
Tetralogia de Fallot
Q214
Comunicação aortopulmonar
Q218
Outras malformações congênitas dos septos cardíacos
Q219
Malformação congênita não especificada de septo cardíaco

Mais informações sobre o tema:

Definição

As malformações dos septos cardíacos referem-se a defeitos congênitos na estrutura dos septos que dividem as câmaras do coração, resultando em comunicação anormal entre os lados esquerdo e direito do coração. Essas malformações incluem defeitos do septo interatrial (CIA), defeitos do septo interventricular (CIV) e defeitos do septo atrioventricular (DSAV), que podem variar em tamanho, localização e complexidade. A fisiopatologia envolve shunt esquerda-direita devido a diferenças de pressão, levando a sobrecarga de volume ventricular, hipertensão pulmonar e, em casos graves, síndrome de Eisenmenger. O impacto clínico varia desde assintomático em defeitos pequenos até insuficiência cardíaca congestiva, arritmias e aumento do risco de endocardite infecciosa em defeitos maiores. Epidemiologicamente, essas malformações estão entre as cardiopatias congênitas mais comuns, com prevalência global estimada em 1-2 por 1000 nascidos vivos, podendo ocorrer isoladamente ou associadas a síndromes genéticas como a síndrome de Down.

Descrição clínica

As malformações dos septos cardíacos manifestam-se clinicamente de acordo com o tipo, tamanho e localização do defeito. Em recém-nascidos e lactentes, defeitos pequenos podem ser assintomáticos, enquanto defeitos maiores podem causar sintomas como taquipneia, dificuldade alimentar, sudorese, baixo ganho ponderal e sinais de insuficiência cardíaca. Em crianças e adultos, pode haver fadiga, intolerância ao exercício, palpitações e sopros cardíacos característicos. A evolução natural pode incluir o desenvolvimento de hipertensão pulmonar, arritmias atriais ou ventriculares, e em casos de shunt significativo, cianose tardia na síndrome de Eisenmenger. O exame físico frequentemente revela sopros sistólicos ejetivos ou holossistólicos, hiperfonese da segunda bulha, e em alguns casos, estalido de ejeção.

Quadro clínico

O quadro clínico varia com a idade e o tamanho do defeito. Em lactentes com defeitos grandes: taquipneia, retrações intercostais, hepatomegalia, baixo ganho de peso e sudorese durante a alimentação. Em crianças e adultos: dispneia aos esforços, fadiga, palpitações e sopros cardíacos. Sinais físicos incluem sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar (CIA), sopro holossistólico em borda esternal esquerda (CIV), e estalido de ejeção. Em casos de hipertensão pulmonar avançada, pode haver cianose, baqueteamento digital e insuficiência cardíaca direita. Complicações agudas incluem insuficiência cardíaca descompensada, arritmias e endocardite infecciosa.

Complicações possíveis

Insuficiência cardíaca congestiva

Resulta de sobrecarga volumétrica crônica, levando a sintomas como dispneia, edema e baixo débito cardíaco.

Hipertensão pulmonar

Elevação progressiva da resistência vascular pulmonar, podendo evoluir para síndrome de Eisenmenger com shunt reverso e cianose.

Endocardite infecciosa

Risco aumentado devido à turbulência sanguínea através do defeito, exigindo profilaxia em procedimentos de risco.

Arritmias cardíacas

Incluem fibrilação atrial, flutter atrial e taquicardias ventriculares, associadas à dilatação atrial ou ventricular.

Síndrome de Eisenmenger

Complicação tardia com shunt direita-esquerda irreversível, hipoxemia crônica e alto risco de mortalidade.

Epidemiologia

As malformações dos septos cardíacos estão entre as cardiopatias congênitas mais frequentes, com incidência global de aproximadamente 1-2 por 1000 nascidos vivos. O defeito do septo interventricular (CIV) é o mais comum, representando cerca de 30% de todas as cardiopatias congênitas, seguido pelo defeito do septo interatrial (CIA). A distribuição é igual entre sexos, mas algumas formas, como defeitos do septo atrioventricular, são mais prevalentes em indivíduos com síndrome de Down. Fatores de risco incluem história familiar, idade materna avançada, exposição a teratógenos e diabetes gestacional. No Brasil, estima-se que 1 em cada 100 nascidos vivos tenha alguma cardiopatia congênita, com malformações septais sendo uma causa significativa de morbimortalidade infantil.

Prognóstico

O prognóstico das malformações dos septos cardíacos depende do tipo, tamanho do defeito, idade ao diagnóstico e presença de comorbidades. Defeitos pequenos e isolados podem fechar espontaneamente na infância e ter excelente prognóstico com expectativa de vida normal. Defeitos moderados a grandes requerem intervenção cirúrgica ou percutânea, com taxas de sucesso superiores a 95% em centros especializados, mas risco residual de arritmias, disfunção ventricular ou hipertensão pulmonar. Em não tratados, a mortalidade pode chegar a 50% na primeira década de vida devido a insuficiência cardíaca ou complicações. Fatores como síndromes genéticas associadas pioram o prognóstico. Seguimento a longo prazo é essencial para monitorar complicações tardias.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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