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CID Q01: Encefalocele

Q010
Encefalocele frontal
Q011
Encefalocele nasofrontal
Q012
Encefalocele occipital
Q018
Encefalocele de outras localizações
Q019
Encefalocele não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A encefalocele é um defeito do tubo neural caracterizado pela protrusão de tecido encefálico e/ou meninges através de um defeito ósseo no crânio. É uma malformação congênita rara que resulta do fechamento incompleto do tubo neural durante a embriogênese, tipicamente entre a terceira e quarta semanas de gestação. A hérnia pode conter líquido cefalorraquidiano, tecido cerebral viável ou disgenético, e está frequentemente associada a outras anomalias do sistema nervoso central, como hidrocefalia e agenesia do corpo caloso. O impacto clínico varia desde assintomático até déficits neurológicos graves, dependendo da localização, tamanho e conteúdo da lesão, com implicações significativas na morbimortalidade neonatal e infantil. Epidemiologicamente, a incidência global é de aproximadamente 1 em 5.000 a 10.000 nascidos vivos, com variações regionais influenciadas por fatores genéticos e ambientais, como deficiência de ácido fólico.

Descrição clínica

A encefalocele se apresenta como uma massa extracraniana, geralmente na linha média, podendo ser occipital (75% dos casos), frontal, parietal ou basal. A lesão é tipicamente recoberta por pele, mas pode ser exposta ou ulcerada, com variações no tamanho e consistência. Clinicamente, os sinais incluem macrocefalia, hidrocefalia, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, convulsões e déficits neurológicos focais. A localização occipital está frequentemente associada a anomalias de Dandy-Walker e disfunção visual, enquanto as frontais podem causar obstrução das vias aéreas ou fístulas de líquor. O diagnóstico é suspeitado ao nascimento ou no período neonatal, com confirmação por imagem, e a gravidade correlaciona-se com o volume de tecido cerebral herniado e a presença de comorbidades.

Quadro clínico

O quadro clínico da encefalocele varia de assintomático a grave. Sinais comuns incluem massa craniana visível ao nascimento, macrocefalia, fontanelas abauladas, irritabilidade, atraso no desenvolvimento motor e cognitivo, convulsões e déficits neurológicos focais (como hemiparesia ou distúrbios visuais). Em encefaloceles basais, podem ocorrer obstrução nasal, rinorreia de líquor, meningite recorrente ou disfunção endócrina. A hidrocefalia é uma complicação frequente, manifestando-se com vômitos, letargia e aumento do perímetro cefálico. A avaliação deve incluir exame neurológico detalhado e triagem para anomalias associadas, como cardiopatias ou síndromes genéticas.

Complicações possíveis

Hidrocefalia

Acúmulo de LCR no sistema ventricular, requerendo derivação ventrículo-peritoneal em muitos casos.

Infecções do SNC (meningite, encefalite)

Risco aumentado devido à comunicação com o exterior, especialmente em lesões expostas.

Deficit neurológico permanente

Inclui atraso do desenvolvimento, convulsões e déficits motores ou sensoriais.

Deformidades craniofaciais

Alterações estéticas e funcionais, como assimetria craniana ou obstrução de vias aéreas.

Morte

Pode ocorrer em casos graves com hérnia volumosa ou complicações infecciosas.

Epidemiologia

A encefalocele tem uma incidência global de 0,8 a 5,0 por 10.000 nascimentos, variando geograficamente; é mais comum em regiões com baixa ingestão de ácido fólico, como partes da Ásia e África. No Brasil, a taxa é estimada em 1-2 por 10.000 nascidos vivos. A forma occipital predomina em 75% dos casos, com maior frequência no sexo feminino. Fatores de risco incluem história familiar de defeitos do tubo neural, deficiência de ácido fólico materno, uso de anticonvulsivantes na gestação e diabetes materno. A mortalidade neonatal pode chegar a 20%, com redução significativa com suplementação pré-concepcional de ácido fólico.

Prognóstico

O prognóstico da encefalocele é variável, dependendo da localização, tamanho da hérnia, presença de tecido cerebral viável e comorbidades. Encefaloceles occipitais têm pior prognóstico, com mortalidade de até 30% e alta taxa de deficits neurológicos. Casos com pequena hérnia e sem anomalias associadas podem ter desenvolvimento normal após correção cirúrgica. Fatores prognósticos favoráveis incluem ausência de hidrocefalia, conteúdo meníngeo apenas e intervenção precoce. A sobrevida em 5 anos é de aproximadamente 50-70%, com qualidade de vida impactada por sequelas neurológicas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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