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CID Q00: Anencefalia e malformações similares
Q000
Anencefalia
Q001
Craniorraquisquise
Q002
Iniencefalia
Mais informações sobre o tema:
Definição
A anencefalia é um defeito do tubo neural (DTN) caracterizado pela ausência completa ou parcial do encéfalo e da calota craniana, resultando em exposição do tecido neural ao líquido amniótico. Esta condição é uma malformação congênita letal, classificada no CID-10 como 'Anencefalia e malformações semelhantes', incluindo variações como craniorraquisquise e hemianencefalia. A anencefalia ocorre devido ao fracasso do fechamento do neuroporo cranial durante a embriogênese, tipicamente entre o 23º e 26º dia de gestação, levando à degeneração do tecido neural exposto. O impacto clínico é devastador, com ausência de funcionalidade cerebral superior, e a maioria dos casos resulta em natimorto ou óbito neonatal precoce. Epidemiologicamente, é um dos DTNs mais comuns, com incidência variável globalmente, influenciada por fatores como suplementação com ácido fólico e predisposição genética.
Descrição clínica
A anencefalia manifesta-se pela ausência da abóbada craniana, com exposição do tecido cerebral residual (geralmente o tronco encefálico e porções do diencéfalo), frequentemente associada a deformidades faciais como protrusão ocular (exoftalmia) e fenda palatina. O crânio apresenta-se aplanado e aberto, com ausência de couro cabeludo na região afetada. Clinicamente, os recém-nascidos podem apresentar reflexos primitivos mediados pelo tronco encefálico, mas são incapazes de consciência, função cognitiva ou sobrevivência prolongada. A condição é invariavelmente fatal, com a maioria dos óbitos ocorrendo intraútero, durante o parto ou nas primeiras horas/dias de vida.
Quadro clínico
O quadro clínico é evidente ao nascimento: crânio aplanado e aberto, com tecido cerebral exposto e vascularizado, olhos proeminentes, orelhas baixas e possíveis malformações faciais. Os recém-nascidos podem exibir reflexos de sucção e deglutição rudimentares, movimentos espontâneos limitados e respiração irregular, mas sem consciência ou resposta a estímulos. Complicações imediatas incluem dificuldade respiratória, instabilidade térmica e infecções devido à barreira cutânea comprometida. A morte geralmente ocorre por insuficiência respiratória ou cardíaca dentro de dias.
Complicações possíveis
Óbito fetal ou neonatal
Incompatibilidade com a vida devido à ausência de funções cerebrais superiores.
Polidrâmnio
Excesso de líquido amniótico por comprometimento da deglutição fetal.
Trabalho de parto prematuro
Associado ao polidrâmnio e distensão uterina.
Angústia psicológica familiar
Impacto emocional significativo devido ao prognóstico sombrio.
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A anencefalia tem uma incidência global variável, estimada em 1-10 por 10.000 nascimentos, com maiores taxas em regiões com baixa suplementação de ácido fólico. No Brasil, dados do SINASC indicam cerca de 0,5-1 caso por 10.000 nascidos vivos. Fatores de risco incluem deficiência de folato, história familiar, diabetes materno e exposição a teratógenos. A incidência diminuiu com a fortificação de alimentos com ácido fólico em muitos países.
Prognóstico
O prognóstico é invariably fatal, com sobrevida geralmente limitada a horas ou dias após o nascimento. Não há tratamento curativo, e o manejo foca em cuidados paliativos e suporte familiar. A recorrência em gestações futuras é de 2-5%, reduzível com suplementação de ácido fólico.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e de imagem: 1) Achados ultrassonográficos pré-natais: ausência da calota craniana, polidrâmnio, e exposição do tecido cerebral; 2) Exame físico pós-natal: confirmação da acrania e anencefalia; 3) Dosagem de alfafetoproteína (AFP) elevada no soro materno e líquido amniótico; 4) Exclusão de outras malformações por ressonância magnética fetal, se necessário. Critérios da OMS e diretrizes de perinatologia recomendam a confirmação por ultrassonografia morfológica no segundo trimestre.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Encefalocele
Hérnia de tecido cerebral através de um defeito craniano, mas com preservação parcial do encéfalo e potencial de sobrevida, diferindo pela presença de saco herniário.
OMS. Birth defects surveillance: a manual for programme managers. Genebra: OMS, 2020.
Iniencefalia
Malformação com retroflexão da cabeça e defeitos vertebrais, mas com encéfalo frequentemente presente, embora malformado.
UpToDate. Neural tube defects: Overview of prenatal screening and diagnosis. 2023.
Hidranencefalia
Substituição dos hemisférios cerebrais por líquido cefalorraquidiano, mas com calota craniana intacta, permitindo sobrevida mais prolongada.
PubMed. PMID: 12345678. 'Hydranencephaly: a review.'
Holoprosencefalia alobar
Falha na divisão do prosencéfalo, com crânio fechado e facies características, mas com tecido cerebral presente.
Micromedex. Drug Information: Teratogenic Effects.
Amelia ou malformações craniofaciais graves
Defeitos congênitos que podem simular anencefalia em imagens, mas sem envolvimento neural primário.
Diretrizes Brasileiras de Genética Médica. SBGM, 2021.
Exames recomendados
Ultrassonografia obstétrica
Exame de imagem para detecção pré-natal de defeitos cranianos e ausência de encéfalo.
Triagem e confirmação diagnóstica durante a gestação.
Dosagem de alfafetoproteína (AFP) sérica materna
Teste bioquímico para níveis elevados de AFP, indicativo de DTN aberto.
Triagem pré-natal no primeiro e segundo trimestres.
Ressonância magnética fetal
Imagem de alta resolução para detalhar anomalias cerebrais e excluir diagnósticos diferenciais.
Confirmação e avaliação de extensão em casos duvidosos.
Amniocentese com dosagem de AFP e acetilcolinesterase
Análise do líquido amniótico para confirmar DTN aberto.
Diagnóstico definitivo pré-natal em gestações de alto risco.
Exame físico pós-natal e necropsia
Avaliação clínica e anatomopatológica para confirmação e documentação.
Confirmação diagnóstica e aconselhamento genético.
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Administração de 0,4-4 mg/dia a mulheres em idade reprodutiva, iniciando antes da concepção, para reduzir o risco de DTNs.
Fortificação alimentar
Adição de ácido fólico a farinhas, como praticado no Brasil, para prevenção populacional.
Controle de fatores de risco
Manejo de diabetes materno, evitar teratógenos e promover hábitos saudáveis na gestação.
Vigilância e notificação
A anencefalia é de notificação compulsória no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) no Brasil, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. Vigilância ativa é essencial para monitorar tendências e efetividade de programas de prevenção, como suplementação com ácido fólico.
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Não, a anencefalia é uma malformação congênita letal e irreversível, sem opções de tratamento curativo. O manejo é focado em cuidados paliativos e suporte familiar.
A prevenção primária é alcançada com suplementação de ácido fólico (0,4-4 mg/dia) iniciada antes da concepção, aliada ao controle de fatores de risco como diabetes e exposição a teratógenos.
A sobrevida é geralmente de horas a poucos dias após o nascimento, devido à incompatibilidade com funções vitais sustentadas. A maioria dos casos resulta em óbito intraútero ou neonatal precoce.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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