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CID P20: Hipóxia intra-uterina

P200
Hipóxia intra-uterina diagnosticada antes do início do trabalho de parto
P201
Hipóxia intra-uterina diagnosticada durante o trabalho de parto e o parto
P209
Hipóxia intra-uterina não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A hipóxia intrauterina é uma condição caracterizada pela redução da oferta de oxigênio ao feto durante a gestação, resultando em comprometimento da oxigenação tecidual fetal. Pode ocorrer de forma aguda, subaguda ou crônica, sendo frequentemente associada a distúrbios da circulação útero-placentária, como insuficiência placentária, ou a fatores maternos, como hipotensão, anemia grave ou doenças cardiopulmonares. A fisiopatologia envolve mecanismos como diminuição do fluxo sanguíneo uterino, alterações na troca gasosa na placenta ou redução da capacidade de transporte de oxigênio no sangue fetal, levando a acidose metabólica, dano celular e potencialmente a sequelas neurológicas. Epidemiologicamente, é uma causa significativa de morbimortalidade perinatal, com incidência variável conforme fatores de risco maternos e condições obstétricas, sendo mais comum em gestações de alto risco.

Descrição clínica

A hipóxia intrauterina manifesta-se por alterações no bem-estar fetal, incluindo redução dos movimentos fetais, padrões anormais na cardiotocografia (como desacelerações tardias ou variabilidade reduzida da frequência cardíaca fetal) e, em casos graves, sofrimento fetal agudo. Pode estar associada a restrição de crescimento intrauterino, oligoidrâmnio ou alterações no Doppler umbilical, indicando comprometimento do fluxo sanguíneo. Clinicamente, pode evoluir para asfixia perinatal, com risco de encefalopatia hipóxico-isquêmica no recém-nascido.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui sinais de sofrimento fetal, como bradicardia fetal persistente, desacelerações na cardiotocografia, redução de movimentos fetais relatada pela gestante, e, no parto, líquido amniótico meconial. No recém-nascido, pode apresentar baixo escore de Apgar, acidose no sangue do cordão umbilical (pH <7,0), letargia, hipotonia e, em casos graves, convulsões ou encefalopatia hipóxico-isquêmica.

Complicações possíveis

Encefalopatia hipóxico-isquêmica

Lesão cerebral devido à privação de oxigênio, podendo levar a sequelas neurológicas permanentes.

Paralisia cerebral

Distúrbio motor resultante de dano cerebral perinatal associado à hipóxia.

Insuficiência renal aguda

Comprometimento da função renal devido à hipoperfusão durante a hipóxia.

Enterocolite necrosante

Necrose intestinal no recém-nascido, associada a episódios de hipóxia.

Morte fetal ou neonatal

Óbito resultante de hipóxia grave não revertida.

Epidemiologia

A hipóxia intrauterina é uma causa comum de morbimortalidade perinatal, com incidência estimada em 2-4 por 1000 nascidos vivos em países desenvolvidos. Fatores de risco incluem gestações múltiplas, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e idade materna avançada. A prevalência é maior em regiões com acesso limitado a cuidados pré-natais.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a gravidade, duração e momento da hipóxia. Casos leves e tratados precocemente podem ter evolução favorável, enquanto hipóxia grave está associada a alto risco de morbidade neurológica, como deficiências cognitivas e motoras. Intervenções como resfriamento terapêutico podem melhorar desfechos em recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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