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CID P21: Asfixia ao nascer
P210
Asfixia grave ao nascer
P211
Asfixia leve ou moderada ao nascer
P219
Asfixia ao nascer, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A asfixia ao nascer é uma condição clínica caracterizada pela privação de oxigênio (hipóxia) e/ou perfusão inadequada (isquemia) durante o processo de parto, resultando em acidose metabólica ou mista, manifestada por baixos escores de Apgar, alterações neurológicas e disfunção multissistêmica no recém-nascido. É uma emergência neonatal grave, frequentemente associada a eventos intraparto, como descolamento prematuro de placenta, prolapso de cordão umbilical ou distócias, que comprometem a troca gasosa placentária. A fisiopatologia envolve uma cascata de eventos que incluem redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos vitais, lesão por reperfusão e ativação de vias inflamatórias, podendo levar a sequelas neurológicas irreversíveis, como encefalopatia hipóxico-isquêmica. Epidemiologicamente, é uma causa significativa de mortalidade e morbidade neonatal global, com maior incidência em regiões com recursos limitados de saúde, destacando a importância de intervenções precoces para mitigar danos.
Descrição clínica
A asfixia ao nascer manifesta-se por sinais de sofrimento fetal agudo, como bradicardia, alterações na variabilidade da frequência cardíaca fetal e presença de mecônio no líquido amniótico. No recém-nascido, observa-se depressão cardiorrespiratória, com escores de Apgar persistentemente baixos (≤3 aos 5 minutos), hipotonia, letargia ou convulsões, e evidências de acidose em gasometria do cordão umbilical (pH <7,0 e déficit de base ≥12 mmol/L). Pode evoluir para disfunção multiorgânica, envolvendo sistemas renal, hepático, cardiovascular e gastrointestinal, com risco de desenvolvimento de encefalopatia hipóxico-isquêmica.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de leve a grave, com manifestações como cianose, apneia, bradicardia, hipotonia, reflexos deprimidos, convulsões neonatais e alterações no nível de consciência. Em casos severos, pode haver insuficiência respiratória, choque cardiogênico, oligúria por necrose tubular aguda e coagulopatia, exigindo suporte intensivo imediato.
Complicações possíveis
Encefalopatia hipóxico-isquêmica
Lesão cerebral que pode levar a deficiências neurológicas permanentes, como paralisia cerebral e retardo mental.
Insuficiência renal aguda
Necrose tubular aguda resultante de hipoperfusão, manifestada por oligúria e elevação de creatinina.
Cardiomiopatia isquêmica
Disfunção miocárdica transitória ou permanente, com redução da fração de ejeção e risco de insuficiência cardíaca.
Coagulopatia
Alterações na coagulação devido à liberação de fatores tissulares, podendo causar hemorragias.
Síndrome de aspiração de mecônio
Complicação respiratória grave com obstrução das vias aéreas e inflamação pulmonar.
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A asfixia ao nascer é uma causa líder de mortalidade neonatal, responsável por aproximadamente 23% das mortes neonatais globais, com maior incidência em países de baixa e média renda. No Brasil, estima-se uma incidência de 1-6 por 1000 nascidos vivos, variando com a qualidade da assistência ao parto. Fatores de risco incluem prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e complicações obstétricas.
Prognóstico
O prognóstico depende da gravidade da asfixia, tempo até a reanimação e presença de encefalopatia. Casos leves podem ter recuperação completa, enquanto formas graves associam-se a alta mortalidade (10-60%) e morbidade neurológica significativa (e.g., até 25% desenvolvem paralisia cerebral). Intervenções como hipotermia terapêutica melhoram desfechos em recém-nascidos termo com encefalopatia moderada a grave.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios estabelecidos pela Academia Americana de Pediatria e OMS, incluindo: escores de Apgar ≤3 aos 5 minutos, acidose metabólica ou mista em gasometria do cordão umbilical (pH <7,0 e déficit de base ≥12 mmol/L), evidência de encefalopatia neonatal (e.g., alterações no exame neurológico, convulsões) e história de evento intraparto sugestivo de asfixia. A confirmação pode envolver monitorização eletroencefalográfica e neuroimagem.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido
Caracterizada por taquipneia, gemência e retrações, devido à deficiência de surfactante, sem história de asfixia intraparto.
WHO. Guidelines on basic newborn resuscitation. 2012.
Sepse neonatal precoce
Apresenta-se com letargia, instabilidade térmica e sinais de infecção, podendo mimetizar asfixia, mas com marcadores inflamatórios elevados.
UpToDate. Neonatal sepsis: Clinical features and diagnosis. 2021.
Hipoglicemia neonatal
Causa sintomas neurológicos como tremores e convulsões, diferenciada pela dosagem de glicose sanguínea.
AAP. Management of hypoglycemia in the neonate. 2011.
Trauma de parto com hemorragia intracraniana
Pode levar a depressão neonatal, mas associado a história de parto instrumental e confirmado por neuroimagem.
Neoreviews. Intracranial hemorrhage in the newborn. 2019.
Malformações congênitas do SNC
Anomalias estruturais cerebrais que causam sintomas similares, diagnosticadas por ultrassonografia ou ressonância magnética.
PubMed. Congenital brain malformations and neonatal asphyxia. 2018.
Exames recomendados
Gasometria do cordão umbilical
Avaliação do pH, pCO2 e déficit de base para confirmar acidose metabólica.
Confirmar o diagnóstico de asfixia e quantificar a gravidade.
Escore de Apgar
Avaliação clínica aos 1, 5 e 10 minutos de vida, pontuando frequência cardíaca, esforço respiratório, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor.
Triagem inicial para depressão neonatal.
Eletroencefalograma (EEG)
Monitorização contínua ou intermitente para detectar atividade convulsiva e padrões de encefalopatia.
Avaliar envolvimento cerebral e guiar tratamento anticonvulsivante.
Ressonância magnética cerebral
Imagem para identificar lesões hipóxico-isquêmicas, como necrose neuronal e edema.
Estabelecer prognóstico neurológico e extensão do dano.
Dosagens laboratoriais (e.g., lactato, função renal e hepática)
Medição de lactato sérico, ureia, creatinina e transaminases para avaliar disfunção orgânica.
Monitorar complicações sistêmicas e guiar suporte.
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Uso de cardiotocografia para detecção precoce de sofrimento fetal e intervenção oportuna.
Assistência ao parto qualificada
Presença de profissional treinado em reanimação neonatal e manejo de emergências obstétricas.
Cuidados pré-natais regulares
Identificação e manejo de fatores de risco maternos e fetais que predispõem à asfixia.
Prevenção de infecções
Controle de infecções maternas que podem complicar o parto.
Vigilância e notificação
No Brasil, a asfixia ao nascer é de notificação compulsória no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e deve ser monitorada para avaliar a qualidade da assistência perinatal. Programas de vigilância focam na redução de fatores de risco, como melhoria do pré-natal e treinamento em reanimação neonatal, alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde.
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Os critérios incluem escores de Apgar ≤3 aos 5 minutos, acidose em gasometria do cordão (pH <7,0 e déficit de base ≥12 mmol/L), evidência de encefalopatia neonatal e história de evento intraparto sugestivo, conforme diretrizes da AAP e OMS.
Não, é reservada para recém-nascidos a termo (≥36 semanas) com encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada a grave, iniciada dentro de 6 horas do nascimento, baseada em evidências de melhora de desfechos neurológicos.
O impacto varia com a gravidade; casos leves podem ter recuperação completa, enquanto formas graves associam-se a alto risco de paralisia cerebral, deficiências cognitivas e epilepsia, com intervenções precoces como hipotermia reduzindo sequelas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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