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CID O85: Infecção puerperal

O85
Infecção puerperal

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Definição

A infecção puerperal, também conhecida como infecção pós-parto ou sepse puerperal, é definida como uma infecção do trato genital que ocorre durante o período puerperal, geralmente nos primeiros 10 dias após o parto ou abortamento. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória sistêmica a microrganismos patogênicos, frequentemente bacterianos, que invadem o endométrio, feridas cirúrgicas (como episiotomias ou cesáreas) ou outros sítios, podendo evoluir para condições graves como endometrite, celulite pélvica, peritonite ou sepse. A fisiopatologia envolve a invasão microbiana de tecidos traumatizados durante o parto, com liberação de mediadores inflamatórios que desencadeiam sinais sistêmicos como febre, taquicardia e leucocitose. Epidemiologicamente, é uma causa significativa de morbimortalidade materna, especialmente em regiões com recursos limitados, onde fatores de risco como parto prolongado, rotura prematura de membranas e procedimentos invasivos aumentam sua incidência.

Descrição clínica

A infecção puerperal manifesta-se tipicamente com febre (temperatura ≥38°C em duas ocasiões com 24 horas de intervalo, excluindo as primeiras 24 horas pós-parto), dor abdominal ou pélvica, secreção vaginal purulenta ou fétida, e mal-estar geral. Pode haver taquicardia, hipotensão em casos graves, e sensibilidade uterina à palpação. A infecção pode localizar-se no útero (endometrite), feridas perineais, ou disseminar-se, levando a abscessos pélvicos, tromboflebite séptica ou sepse. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais, com exames como hemograma e culturas confirmando a infecção bacteriana.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui febre (geralmente início 2-3 dias pós-parto), calafrios, dor abdominal inferior, secreção vaginal anormal (purulenta ou fétida), taquicardia e mal-estar. Sinais locais como eritema, edema ou dor em feridas perineais ou incisionais (cesárea) podem estar presentes. Em complicações, observa-se dor pélvica intensa, distensão abdominal, ou sinais de sepse (ex.: hipotensão, confusão mental). A evolução pode ser rápida, necessitando de intervenção imediata.

Complicações possíveis

Sepse

Resposta inflamatória sistêmica grave com risco de choque e disfunção orgânica.

Abscesso pélvico

Acúmulo de pus na pelve, requerendo drenagem cirúrgica.

Tromboflebite séptica

Inflamação infecciosa de veias pélvicas, podendo levar a embolias.

Peritonite

Disseminação da infecção para o peritônio, com dor abdominal intensa e instabilidade hemodinâmica.

Choque séptico

Estado de hipoperfusão tecidual com hipotensão refratária, alta mortalidade.

Epidemiologia

A infecção puerperal afeta aproximadamente 1-3% dos partos em países desenvolvidos, com taxas mais altas em regiões em desenvolvimento (até 10%). Fatores de risco incluem parto cesáreo, trabalho de parto prolongado, rotura prematura de membranas, anemia e baixo nível socioeconômico. É uma das principais causas de morte materna globalmente, responsável por até 15% dos óbitos maternos em algumas áreas.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e antibioticoterapia adequada, mas pode ser reservado em casos de diagnóstico tardio, sepse ou comorbidades. A mortalidade é baixa em settings com recursos, mas significativa em populações vulneráveis. Sequelas como infertilidade ou dor pélvica crônica são possíveis em infecções graves.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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