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CID S50: Traumatismo superficial do cotovelo e do antebraço
S500
Contusão do cotovelo
S501
Contusão de outras partes e de partes não especificadas do antebraço
S507
Traumatismos superficiais múltiplos do antebraço
S508
Outros traumatismos superficiais do antebraço
S509
Traumatismo superficial do antebraço, não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
O traumatismo do antebraço refere-se a lesões agudas de natureza traumática que afetam a região anatômica entre o cotovelo e o punho, incluindo estruturas como pele, tecidos moles, vasos sanguíneos, nervos e ossos (rádio e ulna). Essas lesões podem resultar de mecanismos diretos (e.g., impacto, queda) ou indiretos (e.g., torção), sendo comuns em acidentes de trânsito, atividades esportivas e quedas. A fisiopatologia envolve dano tecidual local, com resposta inflamatória aguda, edema, dor e possível comprometimento funcional, dependendo da gravidade. Epidemiologicamente, é frequente em todas as faixas etárias, com maior incidência em adultos jovens e idosos devido a fatores de risco como prática esportiva e osteoporose, respectivamente, impactando significativamente a morbidade e custos em saúde.
Descrição clínica
O traumatismo do antebraço manifesta-se clinicamente por dor localizada, edema, equimose, limitação da amplitude de movimento e, em casos graves, deformidade visível ou exposição óssea. A avaliação deve incluir inspeção para lacerações, palpação para crepitação ou instabilidade, e teste neurovascular para detectar comprometimento de nervos (e.g., nervo radial, mediano ou ulnar) ou vasos (e.g., artéria radial). Lesões associadas, como fraturas ou luxações, podem alterar o quadro, exigindo abordagem multidisciplinar.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a gravidade: em traumatismos leves, observa-se dor moderada, edema e equimose; em moderados a graves, há dor intensa, deformidade, impotência funcional, crepitação (sugerindo fratura) ou sinais de comprometimento neurovascular (e.g., parestesias, palidez, pulso diminuído). Sintomas sistêmicos são raros, mas podem ocorrer em politraumatismos. A evolução aguda pode progredir para complicações como síndrome compartimental se não tratada.
Complicações possíveis
Síndrome compartimental
Aumento da pressão intracompartimental, levando a isquemia e necrose tecidual, requerendo fasciotomia de emergência.
Infecção
Desenvolvimento de celulite ou osteomielite, especialmente em feridas abertas ou fraturas expostas.
Pseudartrose
Falha na consolidação óssea após fratura, resultando em dor crônica e instabilidade.
Lesão nervosa permanente
Déficit sensitivo ou motor devido a dano de nervos como o radial, mediano ou ulnar.
Rigidez articular
Limitação da amplitude de movimento por aderências ou imobilização prolongada.
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Traumatismos do antebraço são frequentes, representando uma parcela significativa das lesões musculoesqueléticas. Dados epidemiológicos indicam maior incidência em homens jovens (15-30 anos) devido a atividades esportivas e acidentes, e em idosos (>65 anos) por quedas e osteoporose. No Brasil, estimativas apontam para milhares de casos anuais, com impactos econômicos por afastamento laboral.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom para traumatismos leves, com resolução em semanas. Em casos moderados a graves, depende da extensão da lesão, tratamento adequado e reabilitação; fraturas não complicadas têm alta taxa de consolidação, mas complicações como síndrome compartional podem levar a sequelas permanentes. Fatores como idade, comorbidades e adesão ao tratamento influenciam a recuperação.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na anamnese de trauma, exame físico (incluindo avaliação de circulação, sensibilidade e movimento - CSM) e confirmação por imagem. Critérios incluem: história de mecanismo traumático, sinais locais (dor, edema, deformidade), e achados radiológicos sugestivos de fratura ou lesão de partes moles. A classificação de Tscherne ou a Escala de Gravidade de Lesões Músculo-Esqueléticas pode auxiliar na estratificação. Em casos de suspeita de fratura, o raio-X é padrão-ouro; para lesões de tecidos moles, ultrassonografia ou ressonância magnética são complementares.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Fraturas do punho (S62)
Lesões ósseas distal ao antebraço, como fratura de Colles, que podem simular dor no antebraço, mas localizam-se na região do punho.
WHO. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems, 10th Revision. 2016.
Traumatismo do cotovelo (S50-S59)
Lesões proximais ao antebraço, como fraturas do úmero distal ou luxações, que podem irradiar dor para o antebraço.
UpToDate. Evaluation of the patient with elbow pain. 2023.
Síndromes compressivas nervosas (e.g., síndrome do túnel do carpo)
Condições crônicas que causam dor e parestesias no antebraço, mas sem história traumática aguda.
PubMed. Carpal tunnel syndrome: clinical features and diagnosis. 2021.
Tendinites do antebraço (e.g., epicondilite lateral)
Processos inflamatórios por overuse, com dor localizada, mas geralmente sem trauma agudo.
Micromedex. Tendinopathy management. 2022.
Contusões musculares isoladas
Lesões por impacto direto sem envolvimento ósseo, diferenciadas pela ausência de deformidade ou crepitação.
Diretrizes Brasileiras de Traumatologia. Abordagem de lesões musculoesqueléticas. 2020.
Exames recomendados
Raio-X do antebraço
Exame de imagem para detectar fraturas, luxações ou desalinhamentos ósseos.
Confirmação diagnóstica de lesões ósseas e planejamento terapêutico.
Ultrassonografia
Avaliação de tecidos moles para identificar hematomas, roturas tendinosas ou lesões ligamentares.
Complementar diagnóstico em suspeita de lesões de partes moles.
Ressonância magnética
Exame de alta resolução para avaliar lesões nervosas, vasculares ou fraturas ocultas.
Detalhamento de estruturas profundas em casos complexos.
Testes neurovasculares
Avaliação clínica de pulso, capilaridade, sensibilidade e força muscular.
Rastreamento de comprometimento neurovascular urgente.
Hemograma e coagulograma
Exames laboratoriais para avaliar perda sanguínea ou distúrbios de coagulação em traumatismos graves.
Suporte em decisões de manejo e cirurgia.
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Capacetes, cotoveleiras em esportes para reduzir impacto.
Prevenção de quedas
Adaptação ambiental em idosos, como instalação de corrimãos.
Educação em segurança
Campanhas sobre direção defensiva e práticas esportivas seguras.
Vigilância e notificação
No Brasil, traumatismos graves devem ser notificados conforme Portarias do Ministério da Saúde, especialmente em casos de violência ou acidentes de trabalho. A vigilância inclui monitoramento de tendências em serviços de emergência, com foco em prevenção de quedas e acidentes. Não é doença de notificação compulsória universal, mas sistemas como o SINAN podem capturar dados em contextos específicos.
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Sinais incluem dor intensa, edema progressivo, perda de sensibilidade ou movimento, palidez ou frialdade do membro, que podem indicar síndrome compartimental ou lesão neurovascular, exigindo avaliação urgente.
A fratura geralmente apresenta deformidade, crepitação e impotência funcional, enquanto a contusão tem dor localizada sem esses achados; o raio-X é essencial para confirmação.
Em lesões leves, como contusões, a recuperação pode ocorrer em 1-3 semanas com repouso e medidas conservadoras; fraturas simples podem levar 6-8 semanas para consolidação.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...