Área: Emergência
/ Trauma
Autor: Danielle
Correia Paixão
Revisor: Jobson
Felipe Soares de Jesus
Orientador: André
Gusmão Cunha
Liga: Liga Acadêmica de Emergência
e Trauma da UNEB (LIET)
Apresentação do
caso clínico
Paciente do sexo masculino, 26 anos,
negro, engenheiro, procedente e residente de Salvador, Bahia, foi trazido pelo
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU – ao setor de emergência do
hospital, depois que testemunhas presenciaram queda da vítima do topo de um
escorregador de um parque infantil, altura aproximada de 1,20 m, após a saída
de uma festa. Amigos da vítima relataram que o mesmo ingeriu elevada quantidade
de bebida alcoólica durante as seis horas de duração da festa, na saída decidiu
subir no escorregador, perdendo o equilíbrio e caindo do topo, e que por
reflexo utilizou as mãos para diminuir o impacto da queda, não impedindo o
choque da face esquerda contra o final do escorregador.
Ao
exame físico, o paciente encontrava-se em estado geral ruim, confuso e desorientado
em tempo e espaço, afebril (36,5ºC), acianótico, anictérico, desidratado, eupneico
(frequência respiratória = 19 irp), normocárdico (frequência cardíaca = 72 bpm)
e normotenso (110×80 mmHg). Apresentava-se torporoso, com incoordenação motora,
queixando-se de náuseas e dor nos punhos, presença de lesão corto-contusa em
supercílio esquerdo, escoriações em membros superiores, nos segmentos: punhos,
antebraço e cotovelos. Aparelho respiratório
com murmúrio vesicular presente, e ruídos adventícios ausentes. Aparelho cardiovascular bulhas normofonéticas, em
dois tempos e ausência de bulhas extras. Abdome semi-globoso, às custas de
pandículo adiposo, flácido, ruídos hidroaéreos presentes, fígado e baço não
palpáveis e indolor à palpação superficial e profunda.

Foram
solicitados exames laboratoriais: hemograma; eletrólitos, incluindo cálcio e magnésio;
gasometria; função hepática e renal e eletrocardiograma, para avaliar o risco
de arritmias. Também solicitaram uma tomografia de crânio e uma radiografia dos
membros superiores. Os exames laboratoriais revelaram hipoglicemia (54 mg/dL),
a radiografia revelou uma fratura de
Colles em extremidade distal do rádio do membro superior esquerdo, enquanto que
a tomografia de crânio descartou lesão neurológica provocada pela queda.
Questões
para orientar a discussão
1. Quais condutas iniciais devem ser adotadas em caso de intoxicação aguda
por álcool?
2. Como deve ser corrigida a hipoglicemia do paciente?
3. Qual a importância da profilaxia com tiamina?
4. Quais os outros agentes intoxicantes devem ser pesquisados dentro do
contexto do caso apresentado?
5. O que uma fratura de Colles pode indicar?
Respostas
1. Realizar ABCDE primário e secundário, segundo o
protocolo ACLS e reavaliar; avaliar estado geral e dados vitais do paciente,
solicitar exames laboratoriais e de imagem quando necessário assim como manter
a hidratação e corrigir possíveis distúrbios eletrolíticos. Pesquisar outras
condições clínicas, como traumatismos, infecções respiratórias, alterações
cardiovasculares com instabilidade hemodinâmica e arritmias, além da observação
de evidências que indiquem o abuso crônico
2. Correção rápida com 5 ampolas de glicose a 50%
até a correção e manter o paciente com soro glicosado a 5%. Realizar profilaxia
com tiamina antes de iniciar a correção da hipoglicemia, com doses entre 200 e
300 mg via intramuscular ao iniciar a infusão de glicose.
3. Esse procedimento é utilizado como uma forma de
redução do risco de desenvolvimento de Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff, um
quadro que reúne manifestações neuropsiquiátricas consequentes de uma
deficiência nutricional em tiamina (vitamina B1), caracterizada por estado
confusional, oftalmoparésia e ataxia (Wernicke – fase aguda da síndrome),
juntamente com amnésia anterógrada e confabulação (Korsakof – fase crônica).
4. Cocaína, drogas sintéticas (ecstasy e LSD).
5. Indica que o trauma ocorreu quando a vítima caiu
sobre a mão estendida, ocasionando numa ruptura do osso rádio, pois
ao pousar a mão sobre a superfície, a extremidade do osso do rádio se rompe quando
é empurrada em direção ao pulso interno. É uma lesão mais comum nos extremos de
idades, crianças e idosos.