CID S47: Lesão por esmagamento do ombro e do braço
Mais informações sobre o tema:
Definição
A lesão por esmagamento do ombro e do braço, classificada no CID-10 como S47, refere-se a um trauma contuso de alta energia que resulta em compressão significativa dos tecidos moles, estruturas neurovasculares e/ou ósseas da região anatômica compreendida entre a articulação glenoumeral (ombro) e o cotovelo. Esta condição é caracterizada por dano mecânico direto, frequentemente decorrente de acidentes automobilísticos, quedas de altura, maquinário industrial, desabamentos ou agressões com objetos pesados, levando a uma síndrome compartimental aguda ou crônica, necrose tecidual e risco elevado de disfunção permanente. Fisiopatologicamente, o esmagamento provoca uma cascada de eventos que incluem ruptura celular direta, extravasamento de conteúdo intracelular, ativação da coagulação e resposta inflamatória sistêmica. A compressão prolongada compromete a perfusão microvascular, resultando em isquemia, acidose metabólica, edema intersticial e aumento da pressão intracompartimental, o que pode evoluir para síndrome compartimental aguda, rabdomiólise e insuficiência renal aguda por liberação de mioglobina. O impacto clínico é substancial, com potencial para déficit neurológico sensitivo-motor, contracturas, infecções secundárias e amputação em casos graves. Epidemiologicamente, é mais prevalente em adultos jovens do sexo masculino, associada a ambientes ocupacionais de risco (como construção civil e indústria) e acidentes de trânsito. A vigilância é crucial em contextos de desastres naturais ou conflitos armados, onde lesões por esmagamento são frequentes. O manejo requer abordagem multidisciplinar imediata, envolvendo ortopedia, cirurgia vascular e terapia intensiva, para preservar a função do membro e prevenir complicações sistêmicas.
Descrição clínica
Trauma contuso de alta energia com compressão tecidual extensa, envolvendo pele, músculos, nervos, vasos sanguíneos e possivelmente estruturas ósseas do ombro e braço. Apresenta-se com dor intensa, edema, equimose, deformidade, déficit neurológico (parestesias, paralisia), pulso diminuído ou ausente, e sinais de isquemia (palidez, frialdade, tempo de reperfusão capilar prolongado). Pode evoluir com síndrome compartimental aguda, caracterizada por dor desproporcional ao exame, palpação tensa do compartimento muscular, parestesias e paralisia.
Quadro clínico
Dor intensa e contínua no ombro e/ou braço, edema progressivo, equimose extensa, deformidade óbvia (ex.: fratura associada), déficit neurológico (diminuição da sensibilidade, fraqueza ou paralisia), sinais vasculares (pulso diminuído, palidez, frialdade). Em síndrome compartimental aguda: dor à palpação passiva dos músculos, parestesias, paralisia e pulso preservado inicialmente (pois a pressão arterial sistólica excede a pressão intracompartimental). Sinais sistêmicos: taquicardia, hipotensão, oligúria em rabdomiólise.
Complicações possíveis
Síndrome compartimental aguda
Aumento da pressão intracompartimental levando a isquemia, necrose muscular e déficit neurológico permanente se não tratada com fasciotomia.
Rabdomiólise e insuficiência renal aguda
Liberação de mioglobina causa nefrotoxicidade, requerendo hidratação vigorosa e alcalinização da urina.
Infecção secundária e sepse
Necrose tecidual e feridas abertas predispõem a infecções bacterianas, podendo evoluir para sepse.
Déficit neurológico permanente
Lesão de nervos periféricos (ex.: plexo braquial) resulta em parestesias, fraqueza ou paralisia crônica.
Amputação traumática ou cirúrgica
Necessária em casos de necrose irreversível, infecção incontrolável ou lesão vascular irreparável.
Contracturas e limitação funcional
Fibrose e cicatrização levam a rigidez articular e perda da amplitude de movimento, requerendo reabilitação prolongada.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Epidemiologia
Mais comum em adultos jovens (20-40 anos), sexo masculino, devido a exposição ocupacional (indústria, construção) e acidentes de trânsito. Incidência estimada em 5-10% dos traumas de membro superior em serviços de emergência. Subnotificação em desastres naturais. Fatores de risco: uso de maquinário pesado, esportes de alto impacto, violência urbana.
Prognóstico
Variável, dependendo da extensão da lesão, tempo até o tratamento e presença de complicações. Com manejo imediato (ex.: descompressão, revascularização), a recuperação funcional é possível, mas déficits residuais são comuns. Prognóstico reservado em casos com síndrome compartimental aguda não tratada, rabdomiólise grave ou amputação. Reabilitação precoce melhora os desfechos.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...