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CID N61: Transtornos inflamatórios da mama

N61
Transtornos inflamatórios da mama

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos inflamatórios da mama, classificados sob o código CID-10 N61, referem-se a um grupo heterogêneo de condições caracterizadas por processos inflamatórios agudos ou crônicos que afetam o tecido mamário, excluindo neoplasias e alterações puramente funcionais. Esses distúrbios envolvem respostas imunológicas e infecciosas que podem comprometer estruturas como ductos lactíferos, lóbulos glandulares, tecido conjuntivo e pele, resultando em sintomas como dor, edema, eritema e calor local. A fisiopatologia varia conforme a etiologia, podendo incluir obstrução ductal, infecção bacteriana, processos autoimunes ou reações a traumas, com impacto significativo na qualidade de vida e risco de complicações como abscessos ou fibrose. Epidemiologicamente, são mais prevalentes em mulheres em idade reprodutiva, especialmente durante a lactação, mas também podem ocorrer em homens e em contextos não relacionados à gravidez, com incidência variável conforme fatores de risco como tabagismo, obesidade e condições imunossupressoras.

Descrição clínica

Os transtornos inflamatórios da mama manifestam-se clinicamente com sinais e sintomas de inflamação local, incluindo dor mamária (mastalgia), edema, eritema, calor e, em casos infecciosos, febre e mal-estar sistêmico. A apresentação pode ser aguda, como na mastite puerperal ou abscessos, ou crônica, como na mastite periductal ou granulomatosa. A palpação pode revelar nódulos ou massas inflamatórias, com ou sem secreção papilar. A história clínica é crucial para diferenciar causas infecciosas, obstrutivas ou inflamatórias não infecciosas, com fatores de risco como lactação, tabagismo, diabetes ou imunossupressão influenciando o quadro.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme o subtipo. Na mastite puerperal aguda, observa-se início súbito de dor unilateral, eritema, edema e febre, geralmente nas primeiras semanas pós-parto. Abscessos mamários apresentam massa flutuante e dolorosa, com sinais sistêmicos como calafrios. Na mastite periductal, há dor retroareolar, nódulo sensível e possível secreção papilar, frequentemente em mulheres fumantes. A mastite granulomatosa idiopática manifesta-se com massa firme e indolor, simulando neoplasia. Sintomas gerais como fadiga e mialgia podem ocorrer em casos infecciosos. A evolução pode ser autolimitada ou progressiva, requerendo intervenção médica.

Complicações possíveis

Abscesso mamário

Formação de coleção purulenta localizada, requerendo drenagem cirúrgica ou por aspiração, com risco de recorrência se não tratada adequadamente.

Fibrose e deformidade mamária

Resultado de inflamação crônica, levando a espessamento tecidual e alterações cosméticas, podendo afetar a função mamária.

Recorrência da infecção

Episódios repetidos de mastite, especialmente em lactantes ou indivíduos com fatores predisponentes não controlados.

Fístulas mamárias

Comunicação anormal entre ductos lactíferos e pele, comum em mastite periductal, com secreção persistente e risco de infecção secundária.

Sepse

Complicação sistêmica rara de mastite infecciosa não tratada, com disseminação bacteriana e risco vital, exigindo hospitalização.

Epidemiologia

A epidemiologia dos transtornos inflamatórios da mama é influenciada por idade, sexo e fatores de risco. A mastite puerperal afeta 2-10% das lactantes, com pico nas primeiras semanas pós-parto. Abscessos mamários são mais comuns em mulheres não lactantes, associados a tabagismo e obesidade. Mastite granulomatosa idiopática é rara, com incidência estimada em 0,1-0,5% das doenças mamárias, predominando em mulheres jovens. Globalmente, a prevalência é maior em países com altas taxas de amamentação e fatores socioeconômicos desfavoráveis. Homens são raramente afetados, geralmente em contextos de infecção ou trauma. Dados do SUS indicam aumento de notificações em períodos pós-parto, refletindo a carga em saúde pública.

Prognóstico

O prognóstico dos transtornos inflamatórios da mama é geralmente bom com tratamento adequado, mas varia conforme a etiologia e adesão terapêutica. Na mastite puerperal, a resolução é rápida com antibióticos e manejo da lactação, com baixa taxa de complicações se tratada precocemente. Abscessos requerem drenagem e podem curar sem sequelas, mas recorrências ocorrem em até 10% dos casos. Condições crônicas como mastite granulomatosa têm curso prolongado, com resposta variável a corticosteroides e risco de fibrose residual. Complicações como deformidades ou fístulas podem impactar a qualidade de vida a longo prazo. Fatores como imunossupressão, tabagismo e diagnóstico tardio pioram o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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