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CID N41: Doenças inflamatórias da próstata
N410
Prostatite aguda
N411
Prostatite crônica
N412
Abscesso da próstata
N413
Prostatocistite
N418
Outras doenças inflamatórias da próstata
N419
Doença inflamatória não especificada da próstata
Mais informações sobre o tema:
Definição
A prostatite é uma condição inflamatória ou infecciosa da próstata, classificada em categorias distintas pela National Institutes of Health (NIH), incluindo prostatite bacteriana aguda (categoria I), prostatite bacteriana crônica (categoria II), síndrome da dor pélvica crônica (categorias IIIA e IIIB, inflamatória e não inflamatória, respectivamente) e prostatite inflamatória assintomática (categoria IV). A fisiopatologia envolve resposta imune local, invasão bacteriana (em casos infecciosos) ou fatores neurogênicos e autoimunes, levando a edema, infiltração celular e disfunção prostática. O impacto clínico varia desde infecções agudas graves até dor crônica debilitante, com significativa morbidade e redução da qualidade de vida. Epidemiologicamente, a prostatite é comum, afetando até 10% dos homens em algum momento da vida, com predomínio da forma crônica não bacteriana, e incidência aumentada em adultos jovens e de meia-idade.
Descrição clínica
A prostatite manifesta-se com sintomas urinários (disúria, urgência, frequência), dor perineal, suprapúbica ou escrotal, e possivelmente febre e mal-estar em casos agudos. Na forma crônica, a dor persiste por pelo menos três meses, podendo associar-se a disfunção sexual. O exame físico pode revelar próstata aumentada, dolorosa e edemaciada ao toque retal.
Quadro clínico
Agudo: início súbito de febre, calafrios, dor pélvica intensa, sintomas urinários obstrutivos e prostatismo. Crônico: dor pélvica recorrente ou constante, disúria, ejaculação dolorosa, e sintomas urinários irritativos, sem sinais sistêmicos. A prostatite inflamatória assintomática é detectada incidentalmente em biópsia ou exame de urina.
Complicações possíveis
Abscesso prostático
Coleção purulenta na próstata, requerendo drenagem urgente.
Sepse
Disseminação bacteriana na prostatite aguda não tratada, com risco de choque séptico.
Retenção urinária aguda
Obstrução por edema prostático, necessitando cateterismo.
Infertilidade
Inflamação crônica pode alterar a qualidade do sêmen.
Dor pélvica crônica refratária
Persistência de sintomas apesar do tratamento, impactando qualidade de vida.
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A prostatite é uma das condições urológicas mais comuns, com prevalência estimada em 2-10% da população masculina. A síndrome da dor pélvica crônica (categoria III) representa a maioria dos casos. A incidência é maior em homens entre 30-50 anos, e fatores como história de ITU e estresse estão associados. Dados do SUS mostram significativo número de internações por prostatite aguda no Brasil.
Prognóstico
Na prostatite bacteriana aguda, o prognóstico é geralmente bom com antibioticoterapia adequada, mas recidivas podem ocorrer. A prostatite crônica tem curso variável, com resposta insatisfatória em até 50% dos casos, necessitando abordagem multimodal. Complicações como abscessos ou sepse podem piorar o prognóstico se não manejadas prontamente.
Critérios diagnósticos
Baseia-se na história clínica, exame físico (toque retal) e testes laboratoriais. Para prostatite bacteriana aguda: sintomas agudos, febre, próstata dolorosa e urocultura positiva. Para crônica: sintomas por ≥3 meses, teste de Meares-Stamey positivo (aumento de leucócitos e cultura bacteriana no expressed prostatic secretions ou pós-massagem). Para síndrome da dor pélvica crônica: critérios NIH com exclusão de infecção.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hiperplasia benigna da próstata
Causa sintomas obstrutivos sem inflamação ou infecção, comum em idosos.
EAU Guidelines on Non-Neurogenic Male LUTS, 2023
Cistite aguda
Infecção da bexiga com disúria e urgência, mas sem dor prostática focal.
IDSA Guidelines for Uncomplicated UTI, 2011
Uretrite
Inflamação uretral por infecções sexualmente transmissíveis, com secreção uretral.
CDC STD Treatment Guidelines, 2021
Câncer de próstata
Pode simular prostatite crônica, mas com nódulos palpáveis e elevação de PSA.
NCCN Guidelines for Prostate Cancer, 2023
Síndrome do intestino irritável
Dor pélvica crônica com alterações do hábito intestinal, sem achados prostáticos.
Rome IV Criteria for Functional GI Disorders, 2016
Exames recomendados
Urina tipo I e urocultura
Detecta piúria e bacteriúria, essencial para diagnóstico de infecção.
Confirmar infecção do trato urinário e guiar terapia antimicrobiana.
Teste de Meares-Stamey
Coleta sequencial de urina e secreção prostática pós-massagem para cultura e análise microscópica.
Diferenciar prostatite bacteriana de não bacteriana e localizar o foco infeccioso.
Toque retal
Avaliação da próstata para sensibilidade, tamanho e consistência.
Detectar alterações inflamatórias ou neoplásicas.
PSA sérico
Antígeno prostático específico; pode estar elevado na prostatite aguda.
Auxiliar no diagnóstico diferencial com câncer de próstata; repetir após resolução da inflamação.
Ultrassonografia transretal
Imagem da próstata para avaliar abscessos, calcificações ou alterações estruturais.
Identificar complicações como abscessos e guiar intervenções.
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No Brasil, a prostatite não é de notificação compulsória, exceto se associada a agentes de vigilância epidemiológica (ex.: em surtos). A vigilância é baseada em sistemas de saúde para monitorar resistência antimicrobiana e complicações. Profissionais devem notificar eventos adversos relacionados a tratamentos à ANVISA.
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A prostatite aguda é uma infecção bacteriana súbita com sintomas graves como febre e dor intensa, enquanto a crônica persiste por meses, podendo ser bacteriana ou não bacteriana, com dor pélvica recorrente e sem sinais sistêmicos.
Não necessariamente; a prostatite aguda pode elevar o PSA devido à inflamação, e o exame deve ser repetido após a resolução para reavaliação. A biópsia é indicada se persistir suspeita clínica.
A prostatite em si não é contagiosa, mas se causada por ISTs, os agentes infecciosos podem ser transmitidos sexualmente. Medidas de prevenção incluem sexo seguro.
Incluem alfa-bloqueadores, AINEs, fisioterapia pélvica, banhos quentes e terapia psicológica, focando no alívio sintomático e melhora da função.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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