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CID N40: Hiperplasia da próstata
N40
Hiperplasia da próstata
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hiperplasia da próstata, também conhecida como hiperplasia prostática benigna (HPB), é uma condição urológica caracterizada pelo aumento não maligno do volume da glândula prostática devido à proliferação de células epiteliais e estromais. Esta proliferação ocorre predominantemente na zona de transição da próstata, resultando em compressão da uretra prostática e obstrução do fluxo urinário. A HPB é uma das doenças mais comuns em homens idosos, com prevalência que aumenta progressivamente com a idade, afetando significativamente a qualidade de vida devido a sintomas do trato urinário inferior. A fisiopatologia envolve desequilíbrios hormonais, particularmente a ação de diidrotestosterona (DHT) no tecido prostático, e fatores de crescimento que promovem hiperplasia. Epidemiologicamente, estima-se que mais de 50% dos homens com 60 anos e até 90% com 85 anos apresentem evidências histológicas de HPB, com variações regionais influenciadas por fatores genéticos e ambientais.
Descrição clínica
A hiperplasia da próstata manifesta-se clinicamente por sintomas do tratourinário inferior (STUI), que podem ser divididos em sintomas obstrutivos (como jato urinário fraco, hesitação, esforço miccional e esvaziamento incompleto) e sintomas irritativos (como polaciúria, noctúria e urgência miccional). A progressão da doença pode levar a complicações como retenção urinária aguda, infecções do trato urinário, cálculos vesicais, hidronefrose e insuficiência renal. O exame físico, incluindo toque retal, geralmente revela próstata aumentada de volume, simétrica e de consistência elástica, sem nódulos suspeitos. A gravidade dos sintomas é frequentemente avaliada por escalas como o IPSS (International Prostate Symptom Score), auxiliando na estratificação do manejo.
Quadro clínico
O quadro clínico da hiperplasia da próstata é caracterizado por sintomas do trato urinário inferior, que incluem: sintomas obstrutivos (jato urinário fraco ou interrompido, hesitação no início da micção, esforço miccional, esvaziamento incompleto da bexiga) e sintomas irritativos (aumento da frequência urinária, noctúria, urgência miccional e incontinência de urgência). Em casos avançados, podem ocorrer retenção urinária aguda, infecções urinárias recorrentes, hematúria, e sinais de insuficiência renal devido à obstrução crônica. A apresentação pode variar de assintomática a grave, com impacto significativo na qualidade de vida, sono e atividades diárias.
Complicações possíveis
Retenção urinária aguda
Incapacidade súbita de urinar, requerendo cateterismo de emergência.
Infecções do trato urinário
Recorrentes devido ao residuo urinário aumentado.
Hidronefrose e insuficiência renal
Obstrução crônica levando a dano renal.
Cálculos vesicais
Formação de cálculos na bexiga devido ao estase urinária.
Hematúria
Sangramento urinário por congestão vascular prostática.
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A hiperplasia da próstata é uma condição prevalente em homens, com incidência e prevalência aumentando com a idade. Estima-se que 50% dos homens na faixa dos 50 anos e mais de 90% aos 80 anos apresentem evidências histológicas de HPB. No Brasil, dados do DATASUS indicam alta frequência de consultas e procedimentos relacionados. Fatores de risco incluem idade, história familiar, obesidade, síndrome metabólica e etnia (mais comum em afrodescendentes). A carga global é substancial, com impactos econômicos devido a custos com saúde e perda de produtividade.
Prognóstico
O prognóstico da hiperplasia da próstata é geralmente bom com manejo adequado. A progressão dos sintomas é variável, com alguns pacientes mantendo-se estáveis e outros evoluindo para complicações. Tratamentos farmacológicos e cirúrgicos podem aliviar sintomas e prevenir complicações, mas a recidiva é possível. Fatores como idade avançada, comorbidades e gravidade inicial dos sintomas influenciam o desfecho. A mortalidade é baixa, mas a morbidade impacta significativamente a qualidade de vida.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de hiperplasia da próstata baseia-se na história clínica, exame físico e exames complementares. Critérios incluem: presença de sintomas do trato urinário inferior avaliados por escalas como o IPSS; toque retal evidenciando próstata aumentada, simétrica e de consistência benigna; medida do PSA (antígeno prostático específico) para excluir câncer de próstata; e exames de imagem como ultrassonografia transretal ou abdominal para avaliar volume prostático e residuo pós-miccional. A urofluxometria pode demonstrar padrão obstrutivo com fluxo urinário reduzido. A confirmação histológica por biópsia é reservada para casos com suspeita de malignidade.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Câncer de próstata
Neoplasia maligna da próstata que pode causar sintomas urinários semelhantes, mas geralmente associada a nódulos palpáveis ao toque retal, elevação do PSA e achados histológicos específicos.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia para Câncer de Próstata, 2020.
Prostatite
Inflamação aguda ou crônica da próstata, podendo causar sintomas irritativos e obstrutivos, mas frequentemente associada a dor perineal, febre e achados inflamatórios no exame de urina e secreção prostática.
Guidelines da European Association of Urology para Prostatite, 2021.
Estenose uretral
Estreitamento da uretra devido a trauma, infecção ou iatrogenia, resultando em sintomas obstrutivos sem aumento prostático ao toque retal.
UpToDate: 'Urethral Stricture Disease', 2023.
Bexiga neurogênica
Disfunção vesical devido a doenças neurológicas (como esclerose múltipla ou lesão medular), causando sintomas urinários sem correlação com aumento prostático.
Guidelines da International Continence Society, 2019.
Poliúria por diabetes mellitus ou insipidus
Aumento do volume urinário devido a distúrbios metabólicos ou hormonais, podendo mimetizar sintomas irritativos, mas sem obstrução prostática.
Harrison's Principles of Internal Medicine, 21st ed.
Exames recomendados
PSA (Antígeno Prostático Específico)
Dosagem sérica para rastreamento de câncer de próstata e avaliação do volume glandular.
Excluir malignidade e auxiliar na decisão terapêutica.
Toque retal
Exame físico para avaliar tamanho, consistência e presença de nódulos na próstata.
Detectar alterações sugestivas de HPB ou câncer.
Ultrassonografia abdominal ou transretal
Exame de imagem para medir volume prostático, avaliar residuo pós-miccional e detectar alterações estruturais.
Quantificar obstrução e planejar tratamento.
Urofluxometria
Medição do fluxo urinário para avaliar padrão obstrutivo.
Confirmar obstrução e monitorar resposta ao tratamento.
Análise de urina
Exame para detectar infecção, hematúria ou outras anormalidades.
Excluir causas infecciosas ou inflamatórias dos sintomas.
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Manutenção de peso adequado, dieta balanceada rica em vegetais e prática regular de exercícios físicos para reduzir fatores de risco.
Controle de comorbidades
Manejo de condições como diabetes e hipertensão, que podem agravar sintomas urinários.
Acompanhamento urológico regular
Consultas periódicas para detecção precoce e intervenção em homens com fatores de risco.
Vigilância e notificação
A hiperplasia da próstata não é uma doença de notificação compulsória no Brasil. A vigilância é baseada em registros de saúde, como o DATASUS, para monitorar tendências epidemiológicas e custos. Programas de rastreamento para câncer de próstata podem identificar casos de HPB incidentalmente. Recomenda-se acompanhamento regular em serviços de urologia para pacientes sintomáticos, com ênfase na educação sobre fatores de risco e adesão ao tratamento.
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Não, a hiperplasia da próstata é uma condição benigna caracterizada pelo aumento não maligno da glândula. No entanto, pode coexistir com câncer de próstata, necessitando de avaliação diferencial.
As opções incluem vigilância ativa para casos leves, tratamento farmacológico com alfabloqueadores ou inibidores da 5-alfa-redutase, e intervenções cirúrgicas como a ressecção transuretral da próstata para casos graves ou complicados.
Sim, em casos avançados com obstrução crônica não tratada, pode ocorrer hidronefrose e insuficiência renal, destacando a importância do diagnóstico e manejo precoces.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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