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CID N30: Cistite
N300
Cistite aguda
N301
Cistite intersticial (crônica)
N302
Outras cistites crônicas
N303
Trigonite
N304
Cistite por radiação
N308
Outras cistites
N309
Cistite, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A cistite é uma inflamação aguda ou crônica da bexiga urinária, frequentemente de origem infecciosa, caracterizada por resposta inflamatória local que pode envolver a mucosa e submucosa vesical. A forma mais comum é a cistite bacteriana, predominantemente causada por bactérias gram-negativas, com Escherichia coli responsável por aproximadamente 80% dos casos em mulheres sexualmente ativas. A fisiopatologia envolve a adesão bacteriana ao epitélio urotelial, invasão tecidual e desencadeamento de uma resposta imune inata, resultando em sintomas como disúria, urgência miccional e polaciúria. Epidemiologicamente, é uma das infecções do trato urinário (ITU) mais prevalentes, com incidência significativamente maior em mulheres devido a fatores anatômicos (uretra mais curta) e hormonais, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária, incluindo crianças e idosos.
Descrição clínica
A cistite manifesta-se clinicamente por sintomas irritativos do trato urinário inferior, incluindo disúria (ardor à micção), urgência miccional, frequência urinária aumentada (polaciúria) e noctúria. Pode haver dor suprapúbica e, em alguns casos, hematúria macroscópica (cistite hemorrágica). A urina pode apresentar aspecto turvo e odor fétido. Em idosos e crianças, os sintomas podem ser atípicos, como confusão mental ou febre baixa. A cistite não complicada geralmente não cursa com febre alta ou sinais de sepse, diferindo da pielonefrite.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui início agudo de disúria, urgência miccional, polaciúria (mais de 8 micções/dia) e dor suprapúbica. A urina pode ser turva e com odor forte; hematúria macroscópica está presente em 30-40% dos casos. Sintomas sistêmicos como febre, calafrios ou dor lombar sugerem complicação (ex.: pielonefrite). Em populações especiais (idosos, crianças), manifestações atípicas como incontinência, alteração do estado mental ou anorexia podem predominar. A cistite recorrente é definida como ≥3 episódios/ano ou ≥2 episódios/6 meses.
Complicações possíveis
Pielonefrite aguda
Extensão da infecção para os rins, resultando em sepse, abscessos renais ou insuficiência renal.
Bacteremia e sepse
Disseminação hematogênica da infecção, particularmente em idosos ou imunossuprimidos.
Cistite enfisematosa
Infecção rara com produção de gás na parede vesical, associada a diabetes mal controlado.
Cistite crônica ou intersticial
Evolução para inflamação persistente com fibrose, levando a redução da capacidade vesical e dor crônica.
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A cistite é uma das infecções bacterianas mais comuns na prática clínica, com incidência anual estimada de 0,5-0,7 episódios por mulher adulta. A prevalência é maior em mulheres (razão de 8:1 em comparação com homens), devido a fatores anatômicos e hormonais. Picos de incidência ocorrem na infância, em mulheres sexualmente ativas e em idosos (ambos os sexos). No Brasil, dados do DATASUS indicam altas taxas de ITU, com cistite representando a maioria dos casos. Fatores de risco incluem atividade sexual, uso de diafragma, história prévia de ITU, diabetes e cateterismo vesical.
Prognóstico
O prognóstico da cistite não complicada é geralmente excelente, com resolução dos sintomas em 24-48 horas após início da antibioticoterapia adequada. Taxas de cura superiores a 90% são esperadas com tratamento empírico. No entanto, cistites recorrentes ou complicadas (ex.: em pacientes com cateteres, obstrução ou imunossupressão) podem ter curso prolongado, com risco de recidivas e complicações como pielonefrite. Fatores como adesão ao tratamento, correção de fatores de risco e resistência antimicrobiana influenciam o desfecho.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de cistite baseia-se na combinação de sintomas clínicos característicos e achados laboratoriais. Critérios incluem: (1) Presença de disúria, urgência ou frequência urinária; (2) Exame de urina tipo I com piúria (≥10 leucócitos/mm³) e/ou nitrito positivo; (3) Urocultura com crescimento de ≥10³ UFC/mL em amostra de jato médio (em mulheres sintomáticas) ou ≥10⁵ UFC/mL em outros casos. Em situações de alta probabilidade clínica, o tratamento empírico pode ser iniciado sem cultura. Diretrizes como as da Infectious Diseases Society of America (IDSA) reforçam a importância da avaliação clínica para distinguir cistite não complicada de infecções complicadas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Pielonefrite aguda
Infecção do parênquima renal, caracterizada por febre, calafrios, dor no flanco e sintomas constitucionais, diferenciada pela presença de sinais de infecção do trato urinário superior.
IDSA Guidelines for Complicated Urinary Tract Infections, 2019
Uretrite
Inflamação da uretra, frequentemente de origem sexual (ex.: Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae), com disúria predominante e possível secreção uretral.
Manter ingestão hídrica regular para promover micção frequente e lavagem bacteriana.
Uso de cranberry
Suplementos ou suco de cranberry podem reduzir adesão bacteriana em alguns casos, embora evidências sejam limitadas.
Antibioticoprofilaxia
Em mulheres com cistite recorrente, uso de baixas doses de nitrofurantoína ou trimetoprima pós-coito ou diariamente.
Vigilância e notificação
A cistite não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, exceto em surtos ou casos associados a serviços de saúde (ex.: infecções relacionadas à assistência à saúde - IRAS). A vigilância é recomendada em contextos institucionais para monitorar padrões de resistência antimicrobiana e implementar medidas de controle. Profissionais devem notificar surtos às autoridades sanitárias locais, conforme Portaria GM/MS nº 1.271/2014.
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Não, embora a maioria dos casos seja bacteriana, cistites podem ser causadas por vírus (ex.: adenovírus em crianças), fungos (ex.: Candida em imunossuprimidos) ou fatores não infecciosos como radioterapia ou químicos.
Sim, embora menos comum, homens podem desenvolver cistite, geralmente associada a fatores como hipertrofia prostática, cateterismo ou imunossupressão, requerendo investigação para excluir obstrução.
Em mulheres não grávidas, esquemas de 3-5 dias com nitrofurantoína ou fosfomicina em dose única são eficazes; diretrizes recomendam evitar tratamentos prolongados para reduzir resistência.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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