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CID N20: Calculose do rim e do ureter
N200
Calculose do rim
N201
Calculose do ureter
N202
Calculose do rim com cálculo do ureter
N209
Calculose urinária, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A condição N20, conforme a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), refere-se à presença de cálculos (litíase) no rim e/ou ureter. Estes cálculos são formações sólidas compostas por cristais minerais e orgânicos que se desenvolvem no trato urinário superior, podendo causar obstrução, infecção e dor significativa. A litíase renal e ureteral é uma das afecções urológicas mais comuns, com impacto considerável na morbidade e qualidade de vida dos pacientes. A formação dos cálculos está intimamente ligada à supersaturação urinária de substâncias como oxalato de cálcio, fosfato de cálcio, ácido úrico ou estruvita, frequentemente associada a fatores dietéticos, metabólicos e genéticos. Epidemiologicamente, apresenta uma incidência global variável, sendo mais prevalente em regiões com climas quentes e em indivíduos do sexo masculino, com pico de incidência entre a terceira e quinta décadas de vida.
Descrição clínica
A litíase do rim e ureter caracteriza-se pela formação de massas cristalinas no parênquima renal ou no lúmen ureteral, podendo variar em tamanho, composição e localização. Clinicamente, manifesta-se frequentemente como cólica renal, uma dor intensa e intermitente no flanco que pode irradiar para a virilha, associada a náuseas, vômitos, hematúria e disúria. A obstrução do fluxo urinário pelo cálculo pode levar a hidronefrose, infecções do trato urinário e, em casos graves, insuficiência renal aguda. A condição é diagnosticada por meio de exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia computadorizada, e a abordagem terapêutica depende do tamanho, localização e complicações associadas ao cálculo.
Quadro clínico
O quadro clínico da litíase do rim e ureter é variável, desde assintomático até apresentações agudas graves. A cólica renal é o sintoma cardinal, caracterizada por dor súbita e intensa no flanco, que se irradia para a fossa ilíaca e genitália, frequentemente associada a náuseas, vômitos e agitação. Outros sintomas incluem hematúria macroscópica ou microscópica, disúria, polaquiúria e, em casos de infecção, febre e calafrios. A palpação abdominal pode revelar sensibilidade no ângulo costovertebral. A obstrução completa pode manifestar-se com anúria e sinais de insuficiência renal aguda.
Complicações possíveis
Hidronefrose
Dilatação do sistema coletor renal devido à obstrução ureteral pelo cálculo, podendo levar à perda progressiva da função renal se não tratada.
Pielonefrite aguda
Infecção renal secundária à obstrução, com risco de sepse e abscesso renal.
Insuficiência renal aguda
Comprometimento da função renal devido à obstrução bilateral ou em rim único.
Urosepsis
Complicação séptica grave decorrente de infecção do trato urinário obstruído, com alta mortalidade.
Estenose ureteral
Fibrose e estreitamento do ureter como sequela de inflamação crônica ou manipulação do cálculo.
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A litíase renal e ureteral é uma condição comum, com prevalência global estimada em 1-15%, variando conforme região geográfica, dieta e fatores genéticos. No Brasil, a prevalência é de aproximadamente 5-10%, com maior incidência no sexo masculino (proporção 3:1) e pico entre 30-50 anos. Fatores de risco incluem clima quente, baixa ingestão hídrica, dietas ricas em proteínas e sódio, e história familiar. A recorrência é frequente, com até 50% dos pacientes desenvolvendo novo cálculo em 10 anos.
Prognóstico
O prognóstico da litíase do rim e ureter é geralmente bom com tratamento adequado, mas a taxa de recorrência é alta, variando de 30% a 50% em 5 anos. Fatores como composição do cálculo, adesão às medidas preventivas e presença de comorbidades influenciam o desfecho. Complicações como insuficiência renal crônica são raras, mas possíveis em casos de obstrução prolongada ou infecções recorrentes. A remoção do cálculo e o manejo metabólico reduzem significativamente a morbidade.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de litíase do rim e ureter baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e exames complementares. Critérios incluem: (1) presença de sintomas sugestivos, como cólica renal e hematúria; (2) confirmação por imagem, preferencialmente por tomografia computadorizada sem contraste (padrão-ouro para detecção e caracterização de cálculos), que demonstra cálculo no rim ou ureter, com ou sem hidronefrose; (3) exclusão de outras causas de dor abdominal aguda. A ultrassonografia é alternativa em gestantes e crianças. A análise da composição do cálculo, se expelido, auxilia no manejo metabólico.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Pielonefrite aguda
Infecção do parênquima renal que pode causar dor no flanco e febre, mas geralmente associada a sintomas sistêmicos mais proeminentes e sem evidência de cálculo na imagem.
UpToDate: Acute pyelonephritis in adults
Apendicite aguda
Inflamação do apêndice que pode simular dor abdominal, mas tipicamente localizada no quadrante inferior direito e associada a sinais peritoneais.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Coloproctologia: Apendicite aguda
Diverticulite
Inflamação de divertículos colônicos que causa dor abdominal, frequentemente no quadrante inferior esquerdo, com alterações no hábito intestinal.
PubMed: Diverticulitis diagnosis and management
Cólica biliar
Dor no hipocôndrio direito devido a cálculo na vesícula biliar, que pode irradiar para o dorso, mas sem hematúria.
Micromedex: Biliary colic
Infarto renal
Oclusão vascular renal que causa dor no flanco aguda, mas geralmente associada a fatores de risco cardiovasculares e sem cálculo na imagem.
UpToDate: Renal infarction
Exames recomendados
Tomografia computadorizada sem contraste
Exame de imagem de alta sensibilidade e especificidade para detecção, localização e medida de cálculos renais e ureterais, além de avaliar complicações como hidronefrose.
Confirmação diagnóstica e planejamento terapêutico
Ultrassonografia renal e vesical
Método não invasivo que detecta hidronefrose e cálculos maiores que 5 mm, útil em gestantes e para acompanhamento.
Triagem inicial e monitorização
Urina tipo I
Análise urinária para pesquisa de hematúria, piúria, cristais e pH, que auxilia no diagnóstico e identifica infecções associadas.
Avaliação de hematúria e infecção
Ureia e creatinina séricas
Dosagem de marcadores de função renal para avaliar comprometimento devido à obstrução.
Avaliação da função renal
Análise de composição do cálculo
Análise química ou espectroscópica do cálculo expelido ou removido para determinar a composição (e.g., oxalato de cálcio, ácido úrico).
Orientação do manejo metabólico e prevenção de recorrência
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Manter alta ingestão de líquidos para produzir urina diluída, reduzindo o risco de formação de cálculos.
Dieta balanceada
Limitar alimentos ricos em oxalato (e.g., espinafre, nozes), sódio e proteínas animais; aumentar consumo de frutas e vegetais.
Monitoramento metabólico
Avaliação periódica de parâmetros urinários e séricos em pacientes com história de litíase para ajuste de terapia preventiva.
Evitar suplementos desnecessários
Cautela com suplementos de cálcio e vitamina C, que podem aumentar o risco de cálculos em indivíduos predispostos.
Vigilância e notificação
A litíase do rim e ureter não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas é monitorada em sistemas de saúde por meio de registros de atendimentos e internações. A vigilância epidemiológica focada em fatores de risco, como desidratação em populações expostas a altas temperaturas, é recomendada. Profissionais de saúde devem notificar casos de complicações graves, como urosepsis, conforme protocolos locais.
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Fatores de risco incluem desidratação, dietas ricas em proteínas, sódio e oxalato, história familiar, obesidade, e condições médicas como hipercalciúria e hiperuricosúria. A ingestão inadequada de líquidos é um dos principais fatores modificáveis.
O diagnóstico é baseado na história clínica de cólica renal, exame físico e confirmação por imagem, preferencialmente com tomografia computadorizada sem contraste, que detecta o cálculo e avalia complicações como hidronefrose. A ultrassonografia é alternativa em casos selecionados.
Prevenção inclui hidratação adequada (2-3 litros de água/dia), dieta balanceada com redução de sódio e oxalato, e uso de medicamentos como citrato de potássio ou tiazídicos, conforme a composição do cálculo e avaliação metabólica.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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