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CID N00: Síndrome nefrítica aguda
N000
Síndrome nefrítica aguda - anormalidade glomerular minor
N001
Síndrome nefrítica aguda - lesões glomerulares focais e segmentares
Síndrome nefrítica aguda - doença de depósito denso
N007
Síndrome nefrítica aguda - glomerulonefrite difusa em crescente
N008
Síndrome nefrítica aguda - outras
N009
Síndrome nefrítica aguda - não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A síndrome nefrítica aguda é uma condição clínica caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas resultantes de uma lesão glomerular aguda, com inflamação e proliferação celular no glomérulo. A fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos ou anticorpos anti-membrana basal glomerular, levando à ativação do complemento, recrutamento de neutrófilos e dano à barreira de filtração, o que resulta em hematúria, proteinúria, oligúria, edema, hipertensão arterial e, em alguns casos, insuficiência renal aguda. Epidemiologicamente, é mais comum em crianças e adultos jovens, frequentemente associada a infecções estreptocócicas, mas pode ocorrer em qualquer idade devido a diversas etiologias, como doenças autoimunes ou vasculites. O impacto clínico inclui morbidade significativa, com risco de progressão para doença renal crônica se não tratada adequadamente.
Descrição clínica
A síndrome nefrítica aguda manifesta-se tipicamente com início súbito de hematúria macroscópica ou microscópica, edema periférico (especialmente em regiões periorbitária e membros inferiores), hipertensão arterial e oligúria. Podem estar presentes sintomas constitucionais como mal-estar, febre baixa e dor lombar. A hematúria é frequentemente descrita como 'cor de Coca-Cola' devido à presença de cilindros hemáticos. Em casos graves, pode evoluir para insuficiência renal aguda com elevação de creatinina sérica e ureia.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui hematúria (macroscópica ou microscópica), edema (especialmente facial e em membros inferiores), hipertensão arterial, oligúria e, em alguns casos, insuficiência renal aguda. Sintomas associados podem incluir mal-estar, febre, dor abdominal ou lombar, e em formas secundárias, manifestações extrarrenais como artralgias, rash cutâneo ou envolvimento pulmonar.
Complicações possíveis
Insuficiência renal aguda
Perda rápida da função renal, necessitando de suporte dialítico em casos graves.
Hipertensão maligna
Elevação grave da pressão arterial com risco de encefalopatia hipertensiva ou acidente vascular cerebral.
Edema agudo de pulmão
Acúmulo de líquido nos pulmões devido à sobrecarga hídrica, podendo levar a insuficiência respiratória.
Doença renal crônica
Progressão para lesão renal irreversível com necessidade de terapia renal substitutiva a longo prazo.
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A síndrome nefrítica aguda tem incidência variável globalmente, sendo a glomerulonefrite pós-estreptocócica mais comum em crianças de 5 a 15 anos, com picos em regiões com pobreza e aglomeração. Em adultos, é frequentemente associada a doenças autoimunes ou vasculites. A prevalência é estimada em 1-2 casos por 100.000 pessoas/ano em países desenvolvidos, mas pode ser maior em áreas endêmicas para infecções estreptocócicas. Fatores de risco incluem história de infecções, predisposição genética e exposição ambiental.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia e a rapidez do tratamento. Em glomerulonefrite pós-estreptocócica, a recuperação é comum em crianças, mas adultos podem ter maior risco de doença renal crônica. Formas com crescentes extensos ou associadas a doenças autoimunes têm pior prognóstico, com taxas de sobrevida renal em 5 anos variando de 50% a 80% dependendo da resposta terapêutica. Fatores de mau prognóstico incluem hipertensão persistente, insuficiência renal grave e histologia com crescentes.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se na presença de hematúria com cilindros hemáticos, proteinúria (geralmente <3,5 g/dia), edema, hipertensão e evidência de lesão glomerular aguda em biópsia renal. Exames complementares incluem elevação de creatinina sérica, alterações no sedimento urinário (como cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário), e sorologias para etiologias específicas (ex.: antiestreptolisina O para glomerulonefrite pós-estreptocócica). A confirmação histológica por biópsia renal é essencial para definir a etiologia e guiar o tratamento.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Síndrome nefrótica
Caracterizada por proteinúria maciça (>3,5 g/dia), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, sem hematúria proeminente.
KDIGO Clinical Practice Guideline for Glomerulonephritis, 2021.
Nefrite tubulointersticial aguda
Apresenta insuficiência renal aguda, mas geralmente sem hematúria significativa; associada a exposição a drogas ou infecções.
UpToDate: Acute interstitial nephritis, 2023.
Púrpura de Henoch-Schönlein
Doença sistêmica com púrpura palpável, artralgias, dor abdominal e nefrite, mas com envolvimento cutâneo característico.
Journal of the American Society of Nephrology, 2013.
Lúpus eritematoso sistêmico
Pode apresentar nefrite lúpica com hematúria, mas associada a outros critérios clínicos e sorológicos autoimunes.
American College of Rheumatology Guidelines, 2019.
Infecção do trato urinário
Pode causar hematúria, mas geralmente com piúria, bacteriúria e sintomas disúricos, sem edema ou hipertensão proeminentes.
IDSA Guidelines for UTI, 2022.
Exames recomendados
Urina tipo I
Análise de sedimento urinário para detectar hematúria, cilindros hemáticos e proteinúria.
Avaliar presença de hematúria e cilindros hemáticos, sugestivos de glomerulonefrite.
Dosagem de creatinina sérica e ureia
Medição dos níveis séricos para avaliar função renal.
Detectar insuficiência renal aguda e monitorar a evolução.
Biópsia renal
Procedimento invasivo para obtenção de tecido renal para análise histológica.
Confirmar o diagnóstico, classificar a histologia e guiar o tratamento.
Sorologias (ex.: antiestreptolisina O, ANCA, anti-DNA)
Testes sorológicos para identificar etiologias infecciosas ou autoimunes.
Identificar causas específicas como glomerulonefrite pós-estreptocócica ou vasculites.
Complemento sérico (C3, C4)
Dosagem dos níveis de complemento para avaliar ativação do sistema imune.
Auxiliar no diagnóstico diferencial, pois níveis baixos sugerem doenças por imunocomplexos.
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Uso de antibióticos adequados para faringoamigdalite estreptocócica para prevenir glomerulonefrite pós-estreptocócica.
Controle de fatores de risco cardiovascular
Manejo de hipertensão e diabetes para reduzir risco de agravamento renal em pacientes susceptíveis.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória universal no Brasil, mas casos graves ou surtos associados a infecções devem ser notificados conforme diretrizes locais de vigilância em saúde. Recomenda-se monitoramento de surtos de infecções estreptocócicas e educação sobre higiene para prevenção. Em settings hospitalares, a vigilância inclui acompanhamento de pacientes com insuficiência renal aguda de causa glomerular.
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A síndrome nefrítica é caracterizada por hematúria, edema, hipertensão e proteinúria não nefrótica, devido à inflamação glomerular, enquanto a síndrome nefrótica apresenta proteinúria maciça (>3,5 g/dia), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, com menos hematúria.
Sim, em muitos casos, como na glomerulonefrite pós-estreptocócica em crianças, a recuperação completa é comum com tratamento suporte. No entanto, em formas com crescentes ou doenças autoimunes, pode haver progressão para doença renal crônica.
Urina tipo I para hematúria e cilindros hemáticos, dosagem de creatinina sérica, sorologias para etiologias e biópsia renal para confirmação histológica são fundamentais.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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