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CID N03: Síndrome nefrítica crônica
N030
Síndrome nefrítica crônica - anormalidade glomerular minor
N031
Síndrome nefrítica crônica - lesões glomerulares focais e segmentares
Síndrome nefrítica crônica - doença de depósito denso
N037
Síndrome nefrítica crônica - glomerulonefrite difusa em crescente
N038
Síndrome nefrítica crônica - outras
N039
Síndrome nefrítica crônica - não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A síndrome nefrítica crônica é uma condição renal caracterizada por uma apresentação clínica de hematúria, proteinúria não nefrótica, hipertensão arterial e insuficiência renal progressiva, resultante de lesão glomerular crônica. A fisiopatologia envolve mecanismos imunomediados, como deposição de imunocomplexos ou ativação do complemento, levando a inflamação glomerular, proliferação celular e esclerose, que evoluem para fibrose intersticial e perda de função renal ao longo de meses a anos. Epidemiologicamente, é mais comum em adultos jovens e está associada a doenças autoimunes, infecções ou causas idiopáticas, com impacto significativo na morbimortalidade devido à progressão para doença renal crônica terminal.
Descrição clínica
A síndrome nefrítica crônica manifesta-se com hematúria macroscópica ou microscópica, proteinúria geralmente abaixo de 3,5 g/dia, hipertensão arterial, edema periférico e deterioração gradual da função renal. O curso é insidioso, com sintomas como fadiga, mal-estar e, em fases avançadas, sinais de uremia. A histologia renal frequentemente mostra glomerulonefrite proliferativa ou esclerose glomerular, com achados de crescentes em alguns casos.
Quadro clínico
Os pacientes apresentam hematúria (visível ou em exame de urina), proteinúria subnefrótica, hipertensão arterial, edema de membros inferiores ou periorbital, e declínio progressivo da função renal com elevação de creatinina sérica. Sintomas inespecíficos incluem astenia, anorexia e, em estágios avançados, manifestações urêmicas como prurido e alterações neurológicas.
Complicações possíveis
Doença renal crônica terminal
Progressão para estágio 5 de DRC, necessitando de terapia renal substitutiva como diálise ou transplante.
Hipertensão arterial maligna
Elevação grave da pressão arterial com risco de dano a órgãos-alvo, como encefalopatia hipertensiva.
Distúrbios eletrolíticos
Alterações como hipercalemia e acidose metabólica devido à perda da função renal.
Doença cardiovascular
Aumento do risco de eventos cardiovasculares por hipertensão, uremia e inflamação crônica.
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A síndrome nefrítica crônica é responsável por aproximadamente 10-15% dos casos de doença glomerular, com incidência maior em adultos entre 20-40 anos e ligeiro predomínio masculino. Fatores de risco incluem história familiar, infecções e doenças autoimunes. No Brasil, dados do SUS indicam que doenças glomerulares contribuem significativamente para a carga de doença renal crônica.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo da etiologia, resposta ao tratamento e fatores como proteinúria e hipertensão. Em geral, a progressão para doença renal terminal ocorre em 20-50% dos casos em 10 anos, com pior prognóstico em presença de crescentes extensos ou fibrose avançada. Intervenções precoces podem retardar a deterioração.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos e laboratoriais: hematúria com dismorfismo eritrocitário, proteinúria <3,5 g/dia, hipertensão, redução da taxa de filtração glomerular, e confirmação histológica por biópsia renal mostrando glomerulonefrite proliferativa ou esclerose. Critérios de classificação, como os do KDIGO para doença glomerular, são utilizados para estadiamento.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Síndrome nefrítica aguda
Apresentação súbita com hematúria e hipertensão, frequentemente pós-infecciosa, com resolução em semanas; diferencia-se pelo curso temporal e achados histológicos agudos.
KDIGO Clinical Practice Guideline for Glomerulonephritis, 2021.
Síndrome nefrótica
Caracterizada por proteinúria maciça (>3,5 g/dia), hipoalbuminemia e edema; a hematúria é menos proeminente, distinguindo-se pelo perfil urinário.
UpToDate: Evaluation of proteinuria and the nephrotic syndrome, 2023.
Nefropatia por IgA
Doença glomerular comum com hematúria macroscópica recorrente, mas pode ter curso crônico; diferenciação requer biópsia renal para depósitos de IgA.
Journal of the American Society of Nephrology, 2021.
Lúpus eritematoso sistêmico
Doença autoimune multissistêmica com nefrite lúpica, que pode simular síndrome nefrítica crônica; presença de anticorpos antinucleares e outros critérios clínicos auxiliam.
American College of Rheumatology Guidelines, 2019.
Glomeruloesclerose segmentar e focal
Causa comum de proteinúria e insuficiência renal crônica, mas a hematúria é menos frequente; a biópsia mostra esclerose segmentar.
Nature Reviews Nephrology, 2020.
Exames recomendados
Biópsia renal
Exame histológico para avaliação de padrão glomerular, inflamação e esclerose; essencial para diagnóstico etiológico e guia terapêutico.
Confirmar diagnóstico, classificar a glomerulonefrite e orientar tratamento.
Urina tipo I
Análise de urina para detecção de hematúria, proteinúria e cilindros hemáticos; avalia atividade da doença.
Detectar anormalidades urinárias sugestivas de síndrome nefrítica.
Dosagem de creatinina sérica e TFG
Medição da função renal através de creatinina e cálculo da taxa de filtração glomerular; monitora progressão.
Avaliar e estadiar a insuficiência renal.
Sorologia para autoanticorpos
Pesquisa de ANAs, anti-DNA, ANCA e outros para doenças autoimunes; identifica causas subjacentes.
Diagnosticar etiologias autoimunes associadas.
Ultrassonografia renal
Imagem para avaliar tamanho, ecogenicidade e obstruções; útil no diagnóstico diferencial.
Excluir outras causas de insuficiência renal e avaliar morfologia.
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Tratamento precoce de infecções como faringite estreptocócica para prevenir glomerulonefrite pós-infecciosa.
Monitorização de autoimunidade
Rastreio em pacientes com doenças autoimunes para detecção precoce de envolvimento renal.
Evitar nefrotóxicos
Uso cauteloso de AINEs e contrastes iodados em indivíduos com risco renal.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas o monitoramento é feito através de sistemas de saúde para doença renal crônica. Recomenda-se vigilância em pacientes com fatores de risco, com acompanhamento regular da função renal e pressão arterial.
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A síndrome nefrítica aguda tem início súbito, frequentemente pós-infeccioso, com resolução em semanas, enquanto a crônica apresenta curso insidioso e progressivo, com deterioração renal ao longo de meses a anos, exigindo manejo a longo prazo.
Sim, a biópsia renal é essencial para confirmar o diagnóstico, identificar a etiologia específica e guiar o tratamento imunossupressor, especialmente em casos de progressão ou suspeita de doenças autoimunes.
O controle rigoroso da pressão arterial, preferencialmente com inibidores da ECA ou BRA, reduz a proteinúria e retarda a progressão da doença renal, melhorando significativamente o prognóstico a longo prazo.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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