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CID M94: Outros transtornos das cartilagens
M940
Síndrome da junção condrocostal [Tietze]
M941
Policondrite recidivante
M942
Condromalácia
M943
Condrolise
M948
Outros transtornos especificados da cartilagem
M949
Transtornos não especificados da cartilagem
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria M94 da CID-10 engloba uma variedade de transtornos das cartilagens que não se enquadram em classificações específicas como osteoartrose ou condromalácia. Esses transtornos envolvem alterações na estrutura, função ou integridade da cartilagem articular ou não articular, podendo resultar em dor, rigidez, limitação funcional e degeneração tecidual. A cartilagem, um tecido conjuntivo avascular e aneural, é essencial para a absorção de impactos e o movimento articular suave; distúrbios nesse tecido podem surgir de fatores mecânicos, inflamatórios, metabólicos ou idiopáticos, com impacto significativo na qualidade de vida, especialmente em articulações de carga como joelhos e quadris. Epidemiologicamente, esses transtornos são mais comuns em adultos e idosos, com prevalência variável dependendo da etiologia, e frequentemente associados a comorbidades como obesidade ou trauma prévio.
Descrição clínica
Os transtornos incluídos em M94 caracterizam-se por manifestações clínicas heterogêneas, incluindo dor articular ou periarticular, edema localizado, crepitação, rigidez matinal ou pós-repouso, e redução da amplitude de movimento. A dor é tipicamente mecânica, exacerbada pela atividade física e aliviada com repouso, mas pode apresentar componentes inflamatórios em casos secundários a sinovite. A palpação pode revelar sensibilidade sobre a cartilagem afetada, e em estágios avançados, deformidades articulares ou instabilidade podem ocorrer. A progressão é geralmente insidiosa, com exacerbações intermitentes relacionadas a sobrecarga ou trauma.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o transtorno específico, mas geralmente inclui dor articular de caráter mecânico, edema local, crepitação audível ou palpável, rigidez que melhora com movimento, e limitação funcional progressiva. Em casos como condrólise ou necrose cartilaginosa, pode haver dor intensa e súbita, com derrame articular. Sinais sistêmicos como febre são raros, exceto em formas secundárias a infecções ou doenças autoimunes. A distribuição é frequentemente mono ou oligoarticular, afetando articulações como joelhos, quadris, ombros e mãos.
Complicações possíveis
Osteoartrose secundária
Progressão para degeneração articular generalizada com perda cartilaginosa significativa e deformidade.
Limitação funcional grave
Redução da mobilidade articular, impactando atividades diárias e qualidade de vida.
Dor crônica refratária
Dor persistente que não responde adequadamente a medidas conservadoras, necessitando intervenções avançadas.
Instabilidade articular
Perda da integridade biomecânica, aumentando o risco de quedas e novas lesões.
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A prevalência de transtornos das cartilagens é elevada, especialmente em populações envelhecidas e atletas, com estimativas sugerindo que afetam até 15% dos adultos globalmente. O subgrupo M94 é menos comum que a osteoartrose, mas contribui significativamente para morbidade musculoesquelética. Fatores de risco incluem idade avançada, sexo feminino, obesidade, trauma articular prévio e ocupações de alta carga. Dados do SUS mostram hospitalizações relacionadas, com custos substanciais para o sistema de saúde.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo da etiologia, extensão da lesão, adesão ao tratamento e fatores do paciente. Em geral, transtornos localizados e tratados precocemente têm melhor evolução, com estabilização dos sintomas. Casos avançados ou associados a comorbidades podem progredir para osteoartrose, com necessidade de cirurgia (e.g., artroplastia). Intervenções multidisciplinares melhoram desfechos funcionais.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e confirmação por imagem, não havendo critérios diagnósticos padronizados universalmente para M94. Diretrizes como as da American College of Rheumatology sugerem a combinação de sintomas articulares persistentes, achados de imagem compatíveis com alterações cartilaginosas (e.g., ressonância magnética mostrando defeitos condrais ou edema ósseo subcondral), e exclusão de outras artropatias. A artroscopia pode ser utilizada para visualização direta e classificação de lesões (e.g., escala de Outerbridge).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Osteoartrose (M15-M19)
Degeneração articular primária ou secundária com osteófitos e estreitamento do espaço articular, diferenciada pela presença de alterações ósseas características e maior prevalência em idosos.
WHO ICD-10 Version:2019, M15-M19
Condromalácia da patela (M22.4)
Amolecimento e degeneração da cartilagem patelar, tipicamente associada a dor anterior do joelho, diferenciada pela localização específica e fatores biomecânicos.
WHO ICD-10 Version:2019, M22.4
Artrite reumatoide (M05-M06)
Doença autoimune sistêmica com sinovite proliferativa e destruição cartilaginosa, diferenciada por marcadores inflamatórios elevados, fator reumatoide positivo e envolvimento poliarticular simétrico.
Fragmentação osteocondral com possível formação de corpos livres intra-articulares, diferenciada pelo achado radiológico de fragmentos ósseos e comum em jovens.
WHO ICD-10 Version:2019, M93.2
Gota (M10)
Artrite por deposição de cristais de urato, com dor aguda, rubor e edema, diferenciada por níveis séricos de ácido úrico elevados e resposta a colchicina.
UpToDate, 'Clinical manifestations and diagnosis of gout'
Exames recomendados
Ressonância magnética articular
Exame de escolha para avaliação detalhada da cartilagem, detectando espessamento, fissuras, edema subcondral e corpos livres.
Confirmar alterações cartilaginosas, estadiar lesões e guiar tratamento.
Radiografia simples
Avalia estreitamento do espaço articular, esclerose subcondral e osteófitos, mas com limitação na visualização direta da cartilagem.
Rastreio inicial e exclusão de outras artropatias degenerativas.
Artroscopia
Procedimento invasivo para visualização direta da cartilagem, permitindo biópsia e classificação de lesões.
Diagnóstico definitivo em casos duvidosos e tratamento cirúrgico.
Exames laboratoriais (PCR, VHS, fator reumatoide)
Avaliam marcadores inflamatórios e autoimunes para excluir artrites inflamatórias.
Diferenciação de condições inflamatórias sistêmicas.
Ultrassonografia articular
Detecta derrame sinovial, espessamento cartilaginoso e irregularidades superficiais, com boa resolução para tecidos moles.
Avaliação dinâmica e guia para infiltrações.
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Manter IMC adequado para reduzir carga articular e risco de degeneração.
Exercícios regulares
Fortalecimento muscular e flexibilidade para suporte articular e prevenção de lesões.
Evitar trauma repetitivo
Uso de equipamentos de proteção e técnicas adequadas em atividades esportivas ou laborais.
Dieta balanceada
Ingestão de nutrientes como vitamina D e cálcio para saúde óssea e cartilaginosa.
Vigilância e notificação
No Brasil, transtornos das cartilagens não são de notificação compulsória, mas são monitorados por sistemas como o SIH-SUS para fins epidemiológicos e alocação de recursos. A vigilância focada em fatores de risco e prevenção de incapacidades é recomendada em programas de saúde pública.
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As causas incluem fatores mecânicos (traumas, sobrecarga), metabólicos (deficiências nutricionais), inflamatórios (artrites), genéticos e idiopáticos, com interações complexas levando à degeneração cartilaginosa.
M94 engloba transtornos cartilaginosos não específicos, enquanto a osteoartrose (M15-M19) é uma degeneração articular definida com osteófitos e estreitamento radiológico; a diferenciação baseia-se em critérios clínicos e de imagem.
Incluem fisioterapia, modificação de atividades, AINEs, analgésicos, infiltrações com corticosteroides ou ácido hialurônico, e medidas de suporte como controle de peso e uso de órteses.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...