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CID M05: Artrite reumatóide soro-positiva

M050
Síndrome de Felty
M051
Doença reumatóide do pulmão
M052
Vasculite reumatóide
M053
Artrite reumatóide com comprometimento de outros órgãos e sistemas
M058
Outras artrites reumatóides soro-positivas
M059
Artrite reumatóide soro-positiva não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, sistêmica e autoimune, caracterizada por sinovite persistente que leva à destruição articular progressiva, deformidades e incapacidade funcional. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada com ativação de linfócitos T e B, produção de autoanticorpos como o fator reumatoide e anticorpos antipeptídeos citrulinados (anti-CCP), e liberação de citocinas pró-inflamatórias como TNF-α, IL-6 e IL-1, resultando em proliferação sinovial, formação de pannus e erosão óssea. Epidemiologicamente, a AR afeta aproximadamente 0,5-1% da população mundial, com predomínio em mulheres (proporção 3:1) e pico de incidência entre 30 e 50 anos, impactando significativamente a qualidade de vida e a produtividade laboral devido à dor crônica e limitações físicas.

Descrição clínica

A artrite reumatoide manifesta-se tipicamente como poliartrite simétrica e aditiva, acometendo principalmente articulações periféricas como punhos, metacarpofalângicas e interfalângicas proximais, com rigidez matinal prolongada (>1 hora), edema, dor e calor local. O curso é flutuante, com períodos de exacerbação e remissão, podendo evoluir para deformidades como desvio ulnar, dedos em pescoço de cisne e botoeira. Manifestações extra-articulares incluem nódulos reumatoides, vasculite, serosites (pleurite, pericardite), síndrome de Sjögren secundária, e envolvimento pulmonar (fibrose, nódulos) e cardiovascular (aceleramento de aterosclerose).

Quadro clínico

O quadro clínico da AR é caracterizado por artrite simétrica em pequenas e grandes articulações, com dor, edema, rigidez matinal e limitação da amplitude de movimento. Sintomas constitucionais como fadiga, febre baixa e perda de peso são comuns. Com a progressão, observam-se deformidades articulares (ex.: desvio ulnar, subluxação), atrofia muscular periarticular e redução da capacidade funcional. Manifestações extra-articulares podem incluir nódulos reumatoides (subcutâneos, geralmente em superfícies extensoras), vasculite cutânea, esclerite, neuropatia periférica, e complicações sistêmicas como pericardite, pleurite e fibrose pulmonar.

Complicações possíveis

Deformidades articulares irreversíveis

Perda da arquitetura articular devido à destruição por pannus, resultando em incapacidade funcional grave.

Osteoporose secundária

Redução da densidade mineral óssea por inflamação crônica, imobilidade e uso de corticosteroides, aumentando o risco de fraturas.

Doença cardiovascular acelerada

Aumento do risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca devido à inflamação sistêmica e aterosclerose.

Infecções

Maior susceptibilidade a infecções bacterianas e oportunistas, relacionada à imunossupressão pela doença e por terapias modificadoras.

Síndrome de Felty

Tríade de AR, esplenomegalia e neutropenia, associada a infecções recorrentes e úlceras cutâneas.

Epidemiologia

A artrite reumatoide tem prevalência global de 0,5-1%, com variações regionais; no Brasil, estima-se que afete cerca de 1% da população adulta. É 2-3 vezes mais comum em mulheres, com incidência máxima entre 30 e 50 anos. Fatores de risco incluem tabagismo, obesidade, história familiar e baixo nível socioeconômico. A carga da doença é significativa, com alto custo direto e indireto devido a incapacidades, aposentadorias precoces e comorbidades associadas.

Prognóstico

O prognóstico da AR é variável, influenciado por fatores como idade de início, atividade da doença, presença de erosões precoces, soropositividade para anti-CCP e comorbidades. Com tratamento precoce e agressivo, é possível alcançar remissão ou baixa atividade da doença em 40-50% dos casos, reduzindo a progressão do dano articular e a incapacidade. Sem tratamento adequado, a doença pode levar a deformidades severas, perda de função e redução da expectativa de vida em 3-10 anos, principalmente por complicações cardiovasculares e infecciosas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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