CID L22: Dermatite das fraldas
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Definição
A dermatite das fraldas é uma dermatite irritativa de contato aguda ou crônica que ocorre na área coberta pelas fraldas em lactentes e crianças pequenas, caracterizada por eritema, edema, pápulas, vesículas e, em casos mais graves, erosões e ulcerações. A condição resulta da combinação de fatores como umidade prolongada, fricção mecânica, contato com urina e fezes, e alterações no pH da pele, que comprometem a função de barreira cutânea. Embora seja uma das dermatites mais comuns na infância, com prevalência estimada entre 7% e 35% em crianças menores de 2 anos, sua gravidade pode variar de leve a severa, impactando a qualidade de vida do paciente e dos cuidadores. A fisiopatologia envolve a ativação de enzimas fecais (como lipases e proteases) em um ambiente úmido, que degradam os lipídios da pele e aumentam a permeabilidade a irritantes, predispondo a inflamação e superinfecções, particularmente por Candida albicans.
Descrição clínica
A dermatite das fraldas manifesta-se clinicamente como uma erupção cutânea na área de contato com a fralda, incluindo nádegas, coxas, genitália e região perianal. As lesões iniciam-se como eritema brilhante e edematoso, podendo evoluir para pápulas, vesículas, erosões superficiais e, em casos avançados, ulcerações. A distribuição é tipicamente poupando as pregas cutâneas (diferente da dermatite seborreica), mas pode se estender a elas em infecções secundárias. A presença de pústulas satélites ou placas bem delimitadas com bordas eritematosas sugere superinfecção por Candida. A condição é frequentemente associada a desconforto, choro durante a troca de fraldas e irritabilidade.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de leve a grave. Na forma leve, observa-se eritema brilhante e discreto edema na área convexa das nádegas e coxas, com pele íntegra. Na moderada, há eritema mais intenso, pápulas, vesículas e erosões superficiais, com possível extensão às pregas. Na forma grave, ocorrem ulcerações, placas bem delimitadas com bordas eritematosas (sugestivas de candidíase), e sinais de infecção bacteriana secundária (ex.: celulite). Sintomas associados incluem dor, ardência e prurido, levando a irritabilidade e choro. A resolução é geralmente rápida com manejo adequado, mas recorrências são comuns sem medidas preventivas.
Complicações possíveis
Superinfecção por Candida albicans
Infecção fúngica secundária que piora a inflamação, requerendo tratamento antifúngico específico.
Infecção bacteriana secundária
Celulite ou impetigo causados por bactérias como S. aureus, podendo levar a abscessos ou sepse se não tratada.
Ulcerações graves
Lesões profundas que podem causar dor intensa, sangramento e cicatrizes, necessitando de cuidados avançados.
Dermatite de contato alérgica
Sensibilização a componentes das fraldas ou produtos de higiene, complicando o manejo e requerendo evitamento de alérgenos.
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Epidemiologia
A dermatite das fraldas é uma das dermatoses mais frequentes na infância, afetando aproximadamente 7-35% das crianças menores de 2 anos, com pico de incidência entre 9-12 meses. Não há predileção por sexo ou etnia. Fatores de risco incluem: diarréia frequente, uso de antibióticos (que alteram a flora intestinal e predispõem a candidíase), higiene inadequada e fraldas de baixa absorção. A prevalência diminuiu com o advento de fraldas descartáveis superabsorventes, mas ainda é uma causa comum de consulta pediátrica.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente excelente com manejo adequado, com resolução em 3-7 dias na maioria dos casos. Recorrências são comuns, especialmente sem medidas preventivas, mas a condição tende a melhorar com o desfralde. Complicações como infecções secundárias podem prolongar o curso, mas respondem bem ao tratamento. Em casos crônicos ou graves, pode haver impacto no desenvolvimento psicossocial da criança devido ao desconforto.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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