CID L01: Impetigo
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Definição
O impetigo é uma infecção cutânea bacteriana superficial, altamente contagiosa, que afeta principalmente a epiderme. Caracteriza-se pela formação de pústulas, vesículas e crostas melicéricas, sendo mais comum em crianças, idosos e indivíduos com barreira cutânea comprometida. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana através de soluções de continuidade na pele, como arranhões ou picadas de insetos, levando à produção de toxinas que promovem a desnudação epidérmica. Epidemiologicamente, é uma das infecções de pele mais frequentes em ambientes de baixa renda e aglomerados, com picos de incidência em climas quentes e úmidos. O impacto clínico inclui prurido, desconforto e risco de complicações sistêmicas, como celulite ou glomerulonefrite pós-estreptocócica, exigindo diagnóstico e tratamento precoces para controle da transmissão.
Descrição clínica
O impetigo manifesta-se inicialmente como máculas eritematosas que evoluem para vesículas ou pústulas frágeis, rompendo-se rapidamente e formando crostas amarelo-douradas (melicéricas). As lesões são geralmente assintomáticas ou pruriginosas, localizando-se preferencialmente em face, membros e áreas intertriginosas. Pode apresentar-se em duas formas principais: não-bolhoso (crostoso), causado por Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus, e bolhoso, associado predominantemente a S. aureus produtor de toxina esfoliativa. A disseminação ocorre por autoinoculação, e o quadro pode ser limitado ou extenso, dependendo da higiene e do estado imune do hospedeiro.
Quadro clínico
O quadro clínico inicia com lesões eritematosas que progridem para vesículas ou pústulas de conteúdo turvo, que se rompem formando crostas aderentes de coloração amarelo-dourado. No impetigo não-bolhoso, as crostas são predominantes, enquanto no bolhoso observam-se bolhas flácidas com halo eritematoso. Sintomas sistêmicos são raros, mas pode haver linfadenopatia regional. As lesões são indolores ou levemente pruriginosas, e a cura sem tratamento pode levar semanas, com risco de cicatrizes ou hiperpigmentação residual. Em crianças, é comum o envolvimento perioral e nasal, com possível disseminação rápida em creches ou escolas.
Complicações possíveis
Celulite
Extensão da infecção para tecidos mais profundos, requerendo antibioticoterapia sistêmica.
Glomerulonefrite pós-estreptocócica
Complicação imunomediada após infecção por S. pyogenes, com hematúria, proteinúria e hipertensão.
Ectima
Forma ulcerada do impetigo, atingindo a derme, com potencial para cicatrizes.
Sepse
Rara, mas possível em imunossuprimidos, com disseminação hematogênica.
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Epidemiologia
O impetigo é uma das infecções cutâneas mais comuns globalmente, com maior incidência em crianças de 2 a 5 anos, idosos e populações de baixa renda. Estima-se uma incidência anual de 10-20% em pré-escolares em regiões tropicais. Fatores de risco incluem aglomeração, pobre higiene, climas quentes e úmidos, e condições dermatológicas preexistentes. S. aureus é o agente predominante em muitas áreas, com aumento de cepas MRSA. A transmissão é por contato direto ou indireto, sendo frequente em creches e escolas.
Prognóstico
O prognóstico do impetigo é geralmente bom com tratamento adequado, com resolução em 7-10 dias. Complicações são incomuns, mas podem ocorrer em casos negligenciados ou em hospedeiros imunocomprometidos. A recorrência é frequente em ambientes endêmicos, e sequelas como cicatrizes são raras, exceto no ectima. A vigilância para complicações pós-estreptocócicas é essencial, com recuperação completa na maioria dos casos.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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