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CID L00: Síndrome da pele escaldada estafilocócica do recém-nascido

L00
Síndrome da pele escaldada estafilocócica do recém-nascido

Mais informações sobre o tema:

Definição

A Síndrome da pele escaldada estafilocócica (SPEE) é uma dermatose aguda e grave, caracterizada por descolamento epidérmico extenso devido à ação de toxinas exfoliativas produzidas por cepas de Staphylococcus aureus, principalmente dos fagos do grupo II. Esta condição afeta predominantemente lactentes e crianças pequenas, com pico de incidência entre 1 e 5 anos de idade, e está associada a alta morbidade se não tratada precocemente. A SPEE é uma doença mediada por toxinas, onde as exotoxinas epidermolíticas (ETA e ETB) atuam como superantígenos, ligando-se a moléculas do MHC classe II e receptores de células T, desencadeando uma resposta imune massiva que resulta em acantólise na camada granulosa da epiderme. Clinicamente, manifesta-se por eritema cutâneo difuso, sensibilidade dolorosa e formação de bolhas flácidas que evoluem para descolamento epidérmico em grandes áreas, simulando uma queimadura. A epidemiologia mostra uma distribuição global, com casos esporádicos ou surtos em creches e ambientes hospitalares, sendo mais comum em regiões com condições socioeconômicas desfavoráveis. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações como sepse, desidratação e distúrbios eletrolíticos, com prognóstico geralmente favorável quando instituída terapia antimicrobiana e suporte intensivo.

Descrição clínica

A SPEE inicia-se frequentemente com prodrômicos como febre, irritabilidade e eritema cutâneo difuso, seguido pelo desenvolvimento de bolhas flácidas e positividade ao sinal de Nikolsky. A pele afetada apresenta-se eritematosa, edemaciada e extremamente dolorosa, com descolamento epidérmico em grandes áreas que expõem a derme, resultando em aparência de queimadura. As lesões são tipicamente generalizadas, poupando mucosas, e podem evoluir rapidamente em horas. Em crianças, é comum o envolvimento de áreas de fricção, como axilas, virilhas e pescoço. A resolução ocorre com descamação e cicatrização sem sequelas, desde que não haja infecção secundária.

Quadro clínico

O quadro clínico da SPEE é caracterizado por início abrupto com febre alta, mal-estar e eritema cutâneo generalizado, seguido pelo aparecimento de bolhas flácidas que se rompem facilmente, deixando áreas de epiderme desnuda e extremamente dolorosas. O sinal de Nikolsky é positivo, indicando descolamento epidérmico ao mínimo trauma. As lesões evoluem rapidamente, podendo cobrir grandes superfícies corporais, com poupança característica de mucosas. Em estágios avançados, observa-se descamação em grandes lâminas. Sintomas sistêmicos como taquicardia, hipotensão e letargia podem estar presentes, refletindo desidratação ou sepse.

Complicações possíveis

Sepse

Infecção sistêmica com risco de choque séptico, devido à perda da barreira cutânea e possível bacteremia.

Desidratação

Perdas insensíveis de fluidos através da pele danificada, levando a hipovolemia e distúrbios eletrolíticos.

Infecções secundárias

Colonização bacteriana ou fúngica em áreas de epiderme desnuda, podendo evoluir para celulite ou abscessos.

Cicatrizes

Alterações pigmentares ou cicatriciais residuais, embora incomuns com tratamento adequado.

Epidemiologia

A SPEE afeta predominantemente lactentes e crianças menores de 5 anos, com incidência estimada em 0,09 a 0,13 casos por 1 milhão de pessoas por ano em países desenvolvidos. É mais comum em ambientes com aglomeração, como creches e hospitais, e em populações com baixo nível socioeconômico. Surtos podem ocorrer, associados a cepas epidêmicas de S. aureus. Adultos são raramente afetados, geralmente em contextos de imunossupressão ou insuficiência renal.

Prognóstico

O prognóstico da SPEE é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, incluindo antibioticoterapia e suporte hidroeletrolítico. A mortalidade é baixa (<5%) em crianças, mas pode aumentar em adultos ou na presença de comorbidades. A recuperação é completa em 1-2 semanas, com descamação e cicatrização sem sequelas, desde que evitadas complicações como sepse.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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