CID K70: Doença alcoólica do fígado
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Definição
A doença alcoólica do fígado (DAL) é um espectro de lesões hepáticas induzidas pelo consumo crônico e excessivo de álcool, abrangendo desde esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), esteato-hepatite alcoólica (inflamação e necrose hepatocelular), até fibrose progressiva, cirrose e carcinoma hepatocelular. A fisiopatologia envolve o metabolismo do etanol no fígado, gerando metabólitos tóxicos como acetaldeído, que promovem estresse oxidativo, disfunção mitocondrial, ativação de células estreladas hepáticas e resposta inflamatória, culminando em dano hepatocelular e fibrogênese. O impacto clínico varia desde assintomático em estágios iniciais até insuficiência hepática e complicações da hipertensão portal em fases avançadas, com significativa morbimortalidade global. Epidemiologicamente, a DAL é uma das principais causas de doença hepática crônica, com prevalência associada a padrões de consumo de álcool, fatores genéticos e comorbidades como obesidade e hepatites virais.
Descrição clínica
A DAL manifesta-se como um continuum de condições hepáticas, iniciando com esteatose hepática (geralmente reversível com abstinência), progredindo para esteato-hepatite alcoólica (com inflamação aguda e risco de insuficiência hepática), e evoluindo para cirrose (fibrose avançada com distorção arquitetural). Clinicamente, os pacientes podem apresentar fadiga, mal-estar, hepatomegalia, icterícia, ascite, encefalopatia hepática e sinais de hipertensão portal, como varizes esofágicas. A gravidade é influenciada pela dose e duração do consumo alcoólico, além de fatores individuais como sexo, nutrição e genética.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o estágio: na esteatose, pode ser assintomático ou com hepatomegalia e elevação discreta de enzimas hepáticas; na esteato-hepatite alcoólica, há sintomas agudos como febre, dor abdominal, icterícia, astenia e possivelmente insuficiência hepática; na cirrose, manifestam-se complicações crônicas como ascite, edema, encefalopatia, icterícia, coagulopatia, e sinais de hipertensão portal (esplenomegalia, varizes). Exames podem mostrar elevação de AST > ALT (razão >2), bilirrubina elevada, tempo de protrombina prolongado e trombocitopenia.
Complicações possíveis
Cirrose hepática
Fibrose avançada com distorção arquitetural, levando a insuficiência hepática e hipertensão portal.
Hepatocarcinoma
Carcinoma hepatocelular, com risco aumentado em cirrose alcoólica, requerendo vigilância regular.
Encefalopatia hepática
Disfunção cerebral por acúmulo de amônia e toxinas, manifestando-se como confusão, asterixe e coma.
Varizes esofágicas
Dilatação venosa por hipertensão portal, com risco de hemorragia digestiva alta e mortalidade.
Ascite e peritonite bacteriana espontânea
Acúmulo de líquido peritoneal e infecção, indicando doença avançada e pior prognóstico.
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Epidemiologia
A DAL é uma causa major de doença hepática crônica mundialmente, responsável por aproximadamente 50% das cirroses em países ocidentais. A prevalência varia com o consumo per capita de álcool, sendo maior em regiões com alto consumo, como Europa e Américas. Estima-se que 20-30% dos consumidores crônicos pesados desenvolvam cirrose. Fatores de risco incluem sexo masculino, idade >40 anos, desnutrição, obesidade, infecções virais e predisposição genética. No Brasil, a DAL é significativa, com taxas de mortalidade por cirrose alcoólica em torno de 5-10/100.000 habitantes.
Prognóstico
O prognóstico da DAL depende do estágio e da abstinência alcoólica. Na esteatose, a abstinência pode levar à resolução completa. Na esteato-hepatite alcoólica, a mortalidade em 30 dias pode chegar a 30-50% em formas graves (escore MELD >20 ou Discriminant Function >32). Na cirrose, o prognóstico é reservado, com sobrevida média de 5-10 anos, piorando com complicações como hemorragia varicosa ou hepatocarcinoma. Fatores prognósticos incluem escore Child-Pugh, MELD, bilirrubina, albumina e adesão ao tratamento.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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