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CID K40: Hérnia inguinal
K400
Hérnia inguinal bilateral, com obstrução, sem gangrena
K401
Hérnia inguinal bilateral, com gangrena
K402
Hérnia inguinal bilateral, sem obstrução ou gangrena
K403
Hérnia inguinal unilateral ou não especificada, com obstrução sem gangrena
K404
Hérnia inguinal unilateral ou não especificada, com gangrena
K409
Hérnia inguinal unilateral ou não especificada, sem obstrução ou gangrena
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hérnia inguinal é uma protrusão anormal de conteúdo abdominal, como gordura pré-peritoneal, intestino ou outros órgãos, através de um ponto fraco na parede abdominal na região inguinal. Esta condição resulta de defeitos na fáscia transversalis e no canal inguinal, sendo classificada em direta (através do triângulo de Hesselbach) e indireta (através do anel inguinal interno). A hérnia inguinal é uma das afecções cirúrgicas mais comuns, com incidência estimada em 27% para homens e 3% para mulheres ao longo da vida, representando aproximadamente 75% de todas as hérnias abdominais. Sua relevância clínica reside no risco de complicações como encarceramento e estrangulamento, que podem levar a isquemia intestinal e perfuração, exigindo intervenção cirúrgica urgente.
Descrição clínica
A hérnia inguinal manifesta-se como uma saliência ou abaulamento na região da virilha, que pode ser visível ou palpável, especialmente durante esforços como tosse, levantamento de peso ou evacuação. Em muitos casos, é redutível manualmente ou desaparece em decúbito. Sintomas incluem dor ou desconforto local, sensação de peso ou queimação, e em casos de complicação, dor intensa, náuseas, vômitos e sinais de obstrução intestinal. O exame físico revela um aumento da área inguinal à inspeção e palpação de uma massa suave e redutível, com sinal do 'impulso à tosse' positivo.
Quadro clínico
O quadro clínico varia desde assintomático até complicações graves. Na apresentação típica, há uma massa inguinal indolor ou com desconforto leve, que se torna mais evidente em pé ou com esforço. Sintomas como dor irradiada para o escroto ou coxa podem ocorrer. Em hérnias encarceradas, a massa torna-se irreductível, com dor localizada e sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, distensão abdominal). No estrangulamento, há dor intensa, eritema local, febre e sinais sistêmicos de sepse, indicando emergência cirúrgica.
Complicações possíveis
Encarceramento
Hérnia irreductível devido à aderências ou estreitamento do anel herniário, podendo evoluir para estrangulamento.
Estrangulamento
Comprometimento vascular do conteúdo herniário, levando a isquemia, necrose e risco de perfuração intestinal.
Obstrução intestinal
Bloqueio do trânsito intestinal devido ao encarceramento, com sintomas como náuseas, vômitos e distensão abdominal.
Peritonite
Inflamação do peritônio secundária à perfuração de víscera estrangulada, com alto risco de sepse.
Recidiva pós-cirúrgica
Ressurgimento da hérnia após reparo cirúrgico, associado a fatores técnicos ou condições do paciente.
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A hérnia inguinal é uma condição prevalente, com incidência anual de aproximadamente 200-400 casos por 100.000 habitantes. É mais comum em homens (razão homem:mulher de 9:1), com pico de incidência na meia-idade e idosos. Fatores de risco incluem idade avançada, sexo masculino, história familiar, tabagismo, obesidade, condições de aumento da pressão intra-abdominal (ex.: DPOC, constipação crônica) e distúrbios do tecido conjuntivo. Globalmente, representa uma carga significativa para sistemas de saúde, com milhões de procedimentos cirúrgicos realizados anualmente.
Prognóstico
O prognóstico da hérnia inguinal é geralmente bom com tratamento cirúrgico eletivo, com taxas de sucesso superiores a 90-95% e baixa morbidade. Em casos não tratados, o risco anual de complicações como encarceramento é de 0,3-3%. Complicações agudas como estrangulamento aumentam significativamente a morbimortalidade, com taxas de mortalidade de 1-5% em estrangulamentos. Fatores como idade avançada, comorbidades e tabagismo podem piorar o prognóstico. A recidiva varia de 1-10%, dependendo da técnica cirúrgica e fatores do paciente.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. Critérios incluem: presença de massa ou abaulamento na região inguinal, redutível ou não; sinal do impulso à tosse positivo; e em casos duvidosos, confirmação por ultrassonografia ou tomografia computadorizada. Para hérnias complicadas, critérios adicionais como dor aguda, irreductibilidade e sinais de obstrução intestinal são utilizados. A classificação de Nyhus ou a classificação da European Hernia Society podem ser empregadas para estratificação.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Linfadenopatia inguinal
Aumento de linfonodos na virilha devido a infecções ou neoplasias, que pode ser confundido com hérnia, mas geralmente é fixo, não redutível e associado a sinais inflamatórios.
UpToDate: 'Evaluation of inguinal lymphadenopathy'
Hidrocele
Acúmulo de líquido no escroto, que pode simular hérnia inguinal-scrotal, mas é transiluminável e não redutível.
OMS: 'International Classification of Diseases, 10th Revision (ICD-10)'
Varicocele
Dilatação das veias do plexo pampiniforme, palpável como 'saco de vermes' no escroto, que diminui em decúbito e não apresenta impulso à tosse.
PubMed: 'Clinical diagnosis of varicocele'
Abscesso inguinal
Coleção purulenta na região inguinal, com sinais flogísticos como calor, rubor e dor, diferindo da hérnia por ser não redutível e associada a febre.
Micromedex: 'Abscess management guidelines'
Lipoma da região inguinal
Tumor benigno de tecido adiposo, que pode mimetizar hérnia, mas é geralmente mais firme, não varia com esforço e não tem impulso à tosse.
Diretrizes Brasileiras de Cirurgia: 'Diagnóstico diferencial de massas abdominais'
Exames recomendados
Ultrassonografia da região inguinal
Exame de imagem não invasivo que visualiza o saco herniário, seu conteúdo e dinâmica durante manobras de Valsalva.
Confirmar o diagnóstico, avaliar o tamanho e o conteúdo da hérnia, e diferenciar de outras massas.
Tomografia computadorizada de abdome e pelve
Exame de alta resolução que detalha a anatomia da parede abdominal e o conteúdo herniário.
Utilizado em casos complexos, suspeita de hérnias ocultas ou para planejamento cirúrgico.
Ressonância magnética da pelve
Fornece imagens detalhadas de tecidos moles, útil para hérnias esportivas ou quando há dúvida diagnóstica.
Avaliar hérnias não evidentes ao exame físico e excluir outras patologias.
Exame físico com manobra de Valsalva
Inspeção e palpação da região inguinal com o paciente em pé e deitado, solicitando tosse ou esforço.
Detectar a presença e redutibilidade da hérnia, sendo o método inicial de escolha.
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Reduzir atividades que elevam abruptamente a pressão intra-abdominal para minimizar o risco de desenvolvimento ou agravamento de hérnias.
Controle do peso corporal
Manter IMC adequado para diminuir a tensão sobre a parede abdominal.
Tratamento de tosse crônica e constipação
Manejo de condições como DPOC e constipação para reduzir pressão intra-abdominal crônica.
Cessação do tabagismo
O tabaco está associado a enfraquecimento do tecido conjuntivo, aumentando o risco de hérnias.
Vigilância e notificação
A hérnia inguinal não é uma doença de notificação compulsória na maioria dos sistemas de saúde, incluindo o Brasil. No entanto, casos complicados com estrangulamento ou óbitos relacionados podem ser registrados em sistemas de vigilância de eventos adversos ou morbidade hospitalar. A vigilância é focada em indicadores de qualidade cirúrgica, como taxas de recidiva e complicações pós-operatórias, por meio de registros hospitalares e sociedades médicas.
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Não, hérnias inguinais em adultos não regridem espontaneamente devido à fraqueza estrutural da parede abdominal. O tratamento definitivo é cirúrgico para prevenir complicações.
Os riscos incluem encarceramento, estrangulamento com isquemia intestinal, obstrução, peritonite e aumento da morbimortalidade. A taxa anual de complicações é baixa, mas cumulativa.
Há um componente familiar, com maior risco em parentes de primeiro grau, possivelmente devido a fatores genéticos que afetam o tecido conjuntivo.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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