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CID K26: Úlcera duodenal
K260
Úlcera duodenal - aguda com hemorragia
K261
Úlcera duodenal - aguda com perfuração
K262
Úlcera duodenal - aguda com hemorragia e perfuração
K263
Úlcera duodenal - aguda sem hemorragia ou perfuração
K264
Úlcera duodenal - crônica ou não especificada com hemorragia
K265
Úlcera duodenal - crônica ou não especificada com perfuração
K266
Úlcera duodenal - crônica ou não especificada com hemorragia e perfuração
K267
Úlcera duodenal - crônica sem hemorragia ou perfuração
K269
Úlcera duodenal - não especificada como aguda ou crônica, sem hemorragia ou perfuração
Mais informações sobre o tema:
Definição
A úlcera duodenal é uma lesão erosiva circunscrita que acomete a mucosa do duodeno, tipicamente localizada no bulbo duodenal. Caracteriza-se por uma perda de substância que ultrapassa a muscular da mucosa, resultando em uma cratera ulcerosa. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre fatores agressivos (como ácido clorídrico, pepsina e infecção por Helicobacter pylori) e fatores defensivos da mucosa (como secreção de bicarbonato, fluxo sanguíneo e barreira de muco). Epidemiologicamente, é uma condição comum, com prevalência estimada em 5-10% da população geral, sendo mais frequente em adultos de meia-idade e associada a fatores de risco como tabagismo, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e infecção por H. pylori. O impacto clínico inclui dor epigástrica, complicações hemorrágicas ou perfurativas, e potencial para recidivas, exigindo manejo adequado para prevenção de morbimortalidade.
Descrição clínica
A úlcera duodenal manifesta-se classicamente como dor epigástrica em queimação ou tipo fome, que melhora com a ingestão de alimentos ou antiácidos e recorre 2-3 horas após as refeições ou durante a noite. Pode estar associada a náuseas, plenitude pós-prandial e, em casos complicados, hematêmese, melena ou perfuração com dor abdominal aguda e sinais de irritação peritoneal. A cronologia da dor é um marcador distintivo, frequentemente cíclica, com períodos de exacerbação e remissão. A presença de fatores desencadeantes, como uso de AINEs ou história familiar, auxilia na suspeita clínica.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui dor epigástrica em queimação ou tipo cólica, que ocorre 2-3 horas após as refeições ou à noite, aliviada por alimentos ou antiácidos. Sintomas associados podem ser náuseas, vômitos, plenitude abdominal e perda de peso em casos crônicos. Complicações agudas manifestam-se como hematêmese ou melena (sangramento), dor abdominal súbita e intensa com defesa abdominal (perfuração), ou obstrução duodenal com vômitos pós-prandiais. A dor pode ser confundida com dispepsia funcional ou doença do refluxo gastroesofágico, mas a relação temporal com as refeições é um diferencial key.
Complicações possíveis
Hemorragia digestiva
Sangramento ativo da úlcera, manifestando-se como hematêmese ou melena, podendo levar a anemia aguda e choque hipovolêmico.
Perfuração
Ruptura da parede duodenal, causando peritonite química com dor abdominal intensa, defesa e pneumoperitônio, requerendo intervenção cirúrgica urgente.
Obstrução duodenal
Estreitamento cicatricial do lúmen duodenal, resultando em vômitos pós-prandiais, distensão abdominal e desnutrição.
Penetração
Extensão da úlcera para órgãos adjacentes como pâncreas, causando dor refratária e alterações inflamatórias locais.
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A úlcera duodenal tem uma prevalência global de aproximadamente 5-10%, com incidência anual estimada em 0,1-0,3% na população adulta. É mais comum em homens do que em mulheres (razão 2:1) e em faixas etárias de 30-60 anos. A infecção por H. pylori é o principal fator de risco, presente em mais de 90% dos casos em regiões com alta prevalência da bactéria. Fatores como tabagismo, uso de AINEs e história familiar aumentam o risco. A incidência tem diminuído em países desenvolvidos devido à erradicação de H. pylori, mas permanece significativa em áreas com baixo saneamento.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, incluindo erradicação de H. pylori e evitação de AINEs, com taxas de cicatrização superiores a 90% em 8 semanas. Recidivas são comuns sem terapia de manutenção ou controle de fatores de risco, podendo chegar a 60-80% em um ano se H. pylori não for erradicado. Complicações como sangramento ou perfuração aumentam a morbimortalidade, com mortalidade por sangramento ulcerado em torno de 5-10%. Seguimento endoscópico é recomendado em úlceras grandes ou refratárias para garantir cicatrização e excluir malignidade.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica sugestiva, exame físico (que pode revelar dor à palpação epigástrica) e confirmação por endoscopia digestiva alta, que visualiza a úlcera e permite biópsia para detecção de H. pylori (teste rápido da urease, histologia ou cultura) e exclusão de malignidade. Critérios adicionais incluem testes não invasivos para H. pylori (como teste respiratório com ureia marcada ou antígeno fecal) e avaliação de fatores de risco (uso de AINEs, tabagismo). Em casos de suspeita de complicações, exames imageológicos como radiografia simples de abdome (para pneumoperitônio na perfuração) ou angio-TC (para sangramento ativo) são indicados.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Úlcera gástrica
Lesão ulcerosa no estômago, com dor que piora com a alimentação, diferindo da úlcera duodenal onde a dor melhora com comida; requer endoscopia para diferenciação.
UpToDate: 'Peptic ulcer disease: Clinical manifestations and diagnosis'
Dispepsia funcional
Sintomas dispépticos sem evidência de lesão estrutural, com dor epigástrica não relacionada a úlcera; diagnóstico por exclusão após endoscopia normal.
Rome IV Criteria: 'Functional dyspepsia'
Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)
Azia e regurgitação ácida, sem ulceração duodenal; a dor é retroesternal e piora ao deitar, diferindo da dor epigástrica da úlcera duodenal.
Guidelines ACG: 'Diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease'
Colecistite
Dor em hipocôndrio direito, frequentemente pós-prandial gordurosa, com sinais de Murphy; ultrassonografia diferencia de úlcera duodenal.
Tokyo Guidelines 2018: 'Diagnostic criteria for acute cholecystitis'
Síndrome de Zollinger-Ellison
Úlceras duodenais múltiplas ou recorrentes devido a gastrinoma, com níveis elevados de gastrina sérica; requer investigação para tumor neuroendócrino.
ENETS Guidelines: 'Management of gastrinoma'
Exames recomendados
Endoscopia digestiva alta
Exame de escolha para visualização direta da úlcera, avaliação de características (tamanho, localização), biópsia para H. pylori e exclusão de malignidade.
Confirmação diagnóstica, detecção de H. pylori e avaliação de complicações.
Teste para Helicobacter pylori
Inclui teste rápido da urease em biópsia, teste respiratório com ureia marcada, antígeno fecal ou sorologia; essencial para guiar terapia de erradicação.
Identificação de infecção por H. pylori como causa da úlcera.
Hemograma completo
Avaliação de anemia por sangramento crônico ou agudo, com contagem de hemácias e hemoglobina.
Detecção de complicações hemorrágicas e monitorização.
Radiografia simples de abdome
Indicada em suspeita de perfuração, para detectar pneumoperitônio (ar livre sob o diafragma).
Avaliação de complicações perfurativas.
Dosagem de gastrina sérica
Recomendada em úlceras refratárias ou múltiplas, para rastrear síndrome de Zollinger-Ellison.
Investigação de causas raras de hipersecreção ácida.
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Testar e tratar H. pylori em indivíduos de risco para prevenir desenvolvimento ou recidiva de úlcera.
Uso criterioso de AINEs
Evitar AINEs em pacientes com história de úlcera; se necessário, usar com IBP ou misoprostol para proteção.
Abandono do tabagismo
Promover cessação do fumo para reduzir risco de úlcera e complicações.
Educação em saúde
Orientar pacientes sobre fatores de risco e sintomas de alarme para busca precoce de atendimento.
Vigilância e notificação
A úlcera duodenal não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas a vigilância é recomendada em surtos associados a H. pylori ou em complicações graves. Profissionais de saúde devem notificar casos de sangramento ou perfuração em sistemas de vigilância epidemiológica local, se aplicável. A monitorização de resistência a antibióticos em H. pylori é importante para orientar terapias. Em âmbito hospitalar, a taxa de complicações ulcerosas deve ser acompanhada para melhorar a qualidade do cuidado.
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Não, a úlcera duodenal em si não é considerada uma lesão pré-maligna, ao contrário de algumas úlceras gástricas. No entanto, a biópsia endoscópica é essencial para excluir outras condições, e a persistência de sintomas pode requerer investigação adicional.
Com terapia adequada, incluindo supressão ácida com IBP e erradicação de H. pylori se presente, a cicatrização geralmente ocorre em 4 a 8 semanas. Úlceras maiores ou complicadas podem necessitar de tempo prolongado e seguimento endoscópico.
Deve-se evitar AINEs sempre que possível. Se indispensável, usar com proteção gastrointestinal (ex: IBP concomitante) e após confirmação de cicatrização completa, sob monitorização médica para prevenir recidivas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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