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CID J80: Síndrome do desconforto respiratório do adulto

J80
Síndrome do desconforto respiratório do adulto

Mais informações sobre o tema:

Definição

A Síndrome do Desconforto Respiratório do Adulto (SDRA) é uma forma grave de insuficiência respiratória aguda, caracterizada por edema pulmonar não cardiogênico, hipoxemia refratária e redução da complacência pulmonar. Resulta de uma lesão alveolar difusa, com aumento da permeabilidade da membrana alvéolo-capilar, levando ao extravasamento de proteínas plasmáticas e líquido para o espaço intersticial e alveolar. Esta condição é frequentemente desencadeada por insultos diretos (como pneumonia, aspiração) ou indiretos (como sepse, trauma) ao pulmão, culminando em uma resposta inflamatória sistêmica e pulmonar exacerbada. A SDRA representa uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo suporte ventilatório avançado e manejo em unidade de terapia intensiva (UTI). Sua incidência varia globalmente, sendo mais comum em pacientes críticos, com taxas de mortalidade que podem ultrapassar 40%, dependendo da gravidade e das comorbidades associadas.

Descrição clínica

A SDRA manifesta-se clinicamente por dispneia aguda, taquipneia, hipoxemia grave (com relação PaO2/FiO2 ≤ 300 mmHg, conforme critérios de Berlim) e infiltrados pulmonares bilaterais em exames de imagem, na ausência de evidência de insuficiência cardíaca esquerda. O quadro evolui rapidamente, geralmente dentro de 7 dias após o insulto inicial, com piora progressiva da oxigenação. Os achados físicos incluem estertores crepitantes difusos, cianose e uso de musculatura acessória. A condição é frequentemente associada a falência de múltiplos órgãos, especialmente em contextos de sepse ou trauma grave.

Quadro clínico

O quadro clínico da SDRA inclui início agudo de dispneia intensa, taquipneia (> 20 rpm), taquicardia e hipoxemia refratária à oxigenoterapia convencional. Os sintomas progridem rapidamente, com piora da oxigenação dentro de horas a dias. Sinais físicos: estertores crepitantes bilaterais, cianose, uso de musculatura acessória respiratória e, em casos graves, hipotensão e sinais de falência orgânica múltipla. A hipoxemia é desproporcional ao nível de suporte de oxigênio, com PaO2/FiO2 ≤ 300 mmHg (leve: 200-300; moderada: 100-200; grave: ≤ 100). Infiltrados alveolares bilaterais são evidentes em radiografia ou tomografia de tórax.

Complicações possíveis

Barotrauma/volutrauma

Pneumotórax, pneumomediastino ou enfisema subcutâneo devido a pressões elevadas na ventilação mecânica.

Infecções nosocomiais

Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e sepse, agravando a lesão pulmonar e aumentando a mortalidade.

Fibrose pulmonar

Remodelação tecidual irreversível na fase crônica, levando a insuficiência respiratória restritiva persistente.

Falência de múltiplos órgãos

Comprometimento renal, hepático ou cardiovascular devido à resposta inflamatória sistêmica e hipoperfusão.

Disfunção neuromuscular

Polineuropatia e miopatia do crítico, resultando em fraqueza muscular prolongada e dificuldades de desmame ventilatório.

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Epidemiologia

A SDRA tem incidência global estimada em 10-86 casos por 100.000 pessoas-ano, variando conforme definições e populações estudadas. É mais comum em idosos, pacientes com comorbidades (diabetes, doença pulmonar crônica) e em contextos de sepse ou pneumonia. A pandemia de COVID-19 aumentou significativamente sua incidência, com até 40% dos casos graves evoluindo para SDRA. A mortalidade diminuiu nas últimas décadas devido a avanços no suporte ventilatório e manejo de sepse, mas permanece elevada em países de baixa renda. Fatores de risco incluem tabagismo, alcoolismo e exposição a poluentes.

Prognóstico

O prognóstico da SDRA é reservado, com mortalidade hospitalar variando de 30% a 46%, dependendo da gravidade (maior em casos graves com PaO2/FiO2 ≤ 100), idade avançada, comorbidades (como imunossupressão) e presença de falência orgânica múltipla. Sobreviventes frequentemente apresentam sequelas a longo prazo, incluindo déficit cognitivo, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão), redução da capacidade funcional e diminuição da qualidade de vida. Fatores prognósticos positivos incluem resolução precoce do edema, manejo ventilatório protetor e tratamento adequado da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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