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CID J67: Pneumonite de hipersensibilidade devida a poeiras orgânicas
J670
Pulmão de fazendeiro
J671
Bagaçose
J672
Pulmão dos criadores de pássaros
J673
Suberose
J674
Pulmão dos trabalhadores do malte
J675
Pulmão dos que trabalham com cogumelos
J676
Pulmão dos cortadores de casca do bordo
J677
Doença pulmonar devida aos sistemas de ar condicionado e de umidificação do ar
J678
Pneumonites de hipersensibilidade, devidas a outras poeiras orgânicas
J679
Pneumonite de hipersensibilidade devida a poeira orgânica não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A pneumonite de hipersensibilidade (PH), também conhecida como alveolite alérgica extrínseca, é uma doença pulmonar intersticial difusa resultante de uma resposta imunológica anormal à inalação repetida de antígenos orgânicos presentes em poeiras. A PH é caracterizada por uma reação de hipersensibilidade do tipo III e/ou IV, levando à inflamação alveolar e intersticial, que pode evoluir para fibrose pulmonar em casos crônicos. A doença apresenta-se em formas aguda, subaguda e crônica, dependendo da frequência e intensidade da exposição, com impacto significativo na função respiratória e qualidade de vida. Epidemiologicamente, está associada a ocupações como agricultura, criação de aves e indústrias que manipulam materiais orgânicos, com prevalência variável conforme a região e exposição ambiental.
Descrição clínica
A pneumonite de hipersensibilidade manifesta-se clinicamente de forma heterogênea, com sintomas que variam conforme a forma da doença. Na forma aguda, os sintomas surgem 4 a 8 horas após exposição intensa ao antígeno, incluindo febre, calafrios, tosse seca, dispneia e mal-estar geral, que podem ser confundidos com pneumonia infecciosa. A forma subaguda apresenta sintomas progressivos como tosse produtiva, dispneia aos esforços, fadiga e perda de peso, enquanto a forma crônica resulta de exposição prolongada e baixa, com dispneia insidiosa, tosse crônica e sinais de insuficiência respiratória, podendo evoluir para fibrose pulmonar irreversível. Ao exame físico, podem ser observados estertores crepitantes bibasais, cianose em casos avançados e, raramente, baqueteamento digital. A evolução depende da cessação da exposição e do tratamento instituído, com risco de deterioração funcional se não manejada adequadamente.
Quadro clínico
O quadro clínico da pneumonite de hipersensibilidade é variável e depende da forma de apresentação. Na forma aguda, os pacientes referem início súbito de sintomas como febre, calafrios, tosse não produtiva, dispneia e mialgias, que se resolvem em 24-48 horas após cessação da exposição. Na forma subaguda, há sintomas insidiosos como tosse produtiva, dispneia progressiva, fadiga, anorexia e perda de peso, que podem persistir por semanas. Na forma crônica, observa-se dispneia aos esforços, tosse crônica, e em estágios avançados, sinais de insuficiência respiratória como cianose e baqueteamento digital. O exame físico pode revelar estertores crepitantes bibasais, e em casos crônicos, sinais de cor pulmonale. A história ocupacional ou ambiental é crucial para suspeita diagnóstica.
Complicações possíveis
Fibrose pulmonar irreversível
Complicação crônica resultante de inflamação persistente, levando à substituição do parênquima pulmonar por tecido fibroso, com perda progressiva da função respiratória.
Insuficiência respiratória crônica
Comprometimento grave da troca gasosa, necessitando de oxigenoterapia domiciliar prolongada ou ventilação mecânica em estágios avançados.
Cor pulmonale
Hipertrofia e dilatação do ventrículo direito secundária à hipertensão pulmonar, resultante da hipoxemia crônica e vasoconstrição pulmonar.
Infecções respiratórias recorrentes
Maior susceptibilidade a pneumonias bacterianas devido ao comprometimento da clearance mucociliar e da imunidade local.
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A pneumonite de hipersensibilidade tem uma incidência anual estimada de 0,5 a 3,0 casos por 100.000 pessoas, variando conforme a região e exposições ocupacionais. É mais comum em adultos jovens a meia-idade, com distribuição similar entre os sexos, embora algumas formas (e.g., pulmão do fazendeiro) predominem em homens devido a fatores ocupacionais. Fatores de risco incluem exposição ocupacional (agricultura, avicultura, indústrias de processamento de madeira), ambientais (umidificadores contaminados) e genéticos (polimorfismos em HLA-DR). A prevalência é maior em áreas rurais e em países com agricultura intensiva, com subnotificação frequente devido ao diagnóstico inadequado.
Prognóstico
O prognóstico da pneumonite de hipersensibilidade é variável e depende da precocidade do diagnóstico, cessação da exposição ao antígeno e resposta ao tratamento. Na forma aguda, o prognóstico é geralmente bom com remoção do agente, com resolução completa dos sintomas. Nas formas subaguda e crônica, a evolução pode ser desfavorável, com progressão para fibrose pulmonar e insuficiência respiratória em até 30-50% dos casos, especialmente se a exposição persistir. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, tabagismo (em alguns contextos), achados de fibrose extensa na TCAR e redução persistente da DLCO. O manejo precoce com corticosteroides pode melhorar os desfechos, mas a fibrose estabelecida é irreversível, com sobrevida média de 5-10 anos em casos graves.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da pneumonite de hipersensibilidade baseia-se em critérios clínicos, radiológicos, funcionais e histopatológicos, conforme diretrizes como as da American Thoracic Society/European Respiratory Society. Critérios maiores incluem: 1) Exposição documentada a antígeno relevante; 2) Achados radiológicos compatíveis (e.g., opacidades em vidro fosco, nódulos centrolobulares na TCAR); 3) Alterações funcionais pulmonares (padrão restritivo ou misto na espirometria, redução da DLCO); 4) Achados laboratoriais (e.g., precipitinas séricas positivas para antígenos específicos); 5) Linfocitose no lavado broncoalveolar (>20-30%); 6) Achados histopatológicos de pneumonia intersticial linfocítica com granulomas. O diagnóstico é confirmado pela presença de pelo menos quatro critérios maiores, com exclusão de outras causas de doença intersticial.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Pneumonia bacteriana
Infecção pulmonar aguda com sintomas similares (febre, tosse, dispneia), mas geralmente com expectoração purulenta, leucocitose e resposta a antibióticos, diferindo pela ausência de história de exposição a antígenos orgânicos e achados radiológicos focais.
Guidelines for the Management of Community-Acquired Pneumonia in Adults. Clinical Infectious Diseases, 2007.
Sarcoidose
Doença granulomatosa sistêmica que pode afetar os pulmões, com achados radiológicos de linfadenopatia hilar e infiltrados intersticiais, mas sem história de exposição a antígenos específicos e com envolvimento extrapulmonar comum (e.g., pele, olhos).
ATS/ERS/WASOG Statement on Sarcoidosis. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 1999.
Fibrose pulmonar idiopática
Doença intersticial crônica com dispneia progressiva e tosse, mas com padrão radiológico de pneumonia intersticial usual na TCAR e ausência de história ocupacional ou linfocitose no lavado broncoalveolar.
Diagnosis of Idiopathic Pulmonary Fibrosis. An Official ATS/ERS/JRS/ALAT Clinical Practice Guideline. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 2018.
Asma ocupacional
Doença obstrutiva das vias aéreas desencadeada por exposição ocupacional, com sintomas de sibilos e dispneia, mas com padrão espirométrico obstrutivo reversível e sem infiltrados intersticiais na imagem.
Guidelines for the Diagnosis and Management of Asthma. NIH/NHLBI, 2007.
Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização
Doença pulmonar caracterizada por inflamação bronquiolar e alveolar, com achados radiológicos de consolidações e opacidades em vidro fosco, mas sem relação específica com antígenos orgânicos e com resposta a corticosteroides.
An Official American Thoracic Society/European Respiratory Society Statement: Update of the International Multidisciplinary Classification of the Idiopathic Interstitial Pneumonias. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 2013.
Exames recomendados
Tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) de tórax
Exame de imagem essencial para avaliação do parênquima pulmonar, mostrando opacidades em vidro fosco, nódulos centrolobulares, espessamento septal e, em fases crônicas, fibrose com padrão de favo de mel.
Confirmar achados sugestivos de doença intersticial, diferenciar formas aguda e crônica, e excluir outras patologias.
Espirometria com avaliação de volumes pulmonares e DLCO
Teste de função pulmonar que avalia capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO), tipicamente mostrando padrão restritivo ou misto e redução da DLCO.
Quantificar o comprometimento funcional, monitorar a progressão da doença e avaliar resposta ao tratamento.
Lavado broncoalveolar (LBA)
Procedimento invasivo que coleta fluidos alveolares, mostrando linfocitose (>20-30%) com predomínio de linfócitos T CD8+, auxiliando no diagnóstico diferencial de doenças intersticiais.
Confirmar a natureza linfocítica da inflamação e excluir infecções ou neoplasias.
Dosagem de precipitinas séricas para antígenos específicos
Teste sorológico que detecta anticorpos IgG contra antígenos como Micropolyspora faeni ou proteínas de aves, indicando exposição prévia, mas com baixa especificidade.
Corroborar a história de exposição e apoiar o diagnóstico, embora não seja patognomônico.
Biópsia pulmonar cirúrgica
Procedimento de referência para confirmação histopatológica, mostrando pneumonia intersticial linfocítica, granulomas não caseosos e fibrose em casos crônicos.
Estabelecer diagnóstico definitivo em casos duvidosos e excluir outras doenças intersticiais.
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Procedimento invasivo para obtenção de tecido pulmonar, utilizado no diagnóstico definitivo de doenças intersticiais como a pneumonite de hipersensibilidade.
Lavado broncoalveolar
Técnica de colheita de líquido alveolar por broncoscopia, essencial para avaliação citológica e microbiológica em suspeita de pneumonite de hipersensibilidade.
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Implementação de medidas para reduzir a poeira orgânica em ambientes ocupacionais, como ventilação adequada, umidificação controlada e limpeza regular de sistemas de ar condicionado.
Uso de equipamentos de proteção individual (EPI)
Empregar máscaras respiratórias (e.g., N95) e roupas protetoras em situações de exposição conhecida a antígenos, para minimizar a inalação de partículas.
Educação e rastreamento
Programas de conscientização para trabalhadores e populações de risco sobre os sintomas da doença e a importância do diagnóstico precoce, com exames periódicos de função pulmonar.
Vigilância e notificação
A pneumonite de hipersensibilidade é uma doença de notificação compulsória em muitos sistemas de saúde, especialmente quando relacionada a ambientes ocupacionais, conforme diretrizes como as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências nacionais (e.g., Ministério da Saúde no Brasil). Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados aos órgãos de vigilância epidemiológica para investigação de fontes de exposição e implementação de medidas preventivas. Em contextos ocupacionais, a notificação pode acionar inspeções ambientais e programas de saúde do trabalhador. A vigilância inclui monitoramento de surtos em comunidades expostas e educação sobre riscos, com foco na identificação precoce e intervenção.
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Sim, nas formas aguda e subaguda, a remoção do antígeno e o tratamento com corticosteroides podem levar à resolução completa. No entanto, na forma crônica com fibrose estabelecida, as alterações são geralmente irreversíveis, focando no controle dos sintomas e prevenção de progressão.
Os antígenos incluem microrganismos (e.g., Actinomyces, Aspergillus), proteínas de aves (e.g., em criadores de pombos ou galinhas), e poeiras de feno, cana-de-açúcar ou madeira, dependendo da exposição ocupacional ou ambiental.
A asma apresenta padrão obstrutivo reversível na espirometria, com sibilos e resposta a broncodilatadores, enquanto a pneumonite de hipersensibilidade tem padrão restritivo, infiltrados intersticiais na imagem e história de exposição a antígenos específicos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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