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Ultrassonografia obstétrica: conceito e finalidade | Colunistas

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A ultrassonografia obstétrica, considerada como uma ferramenta altamente eficaz, é uma técnica utilizada para reproduzir imagens dinâmicas em tempo real dos órgãos internos, tecidos, rede vascular e fluxo sanguíneo de alta complexidade.

As ondas ultrassônicas trabalham com frequências maiores que 20.000 ciclos por segundo e entre 2 a 12 milhões de ciclos para as imagens tocoginecológicas, acima da capacidade auditiva humana. (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2017).

Com o passar dos anos e desenvolvimento das tecnologias, a ultrassonografia obstétrica tornou-se parte integrante da ginecologia e obstetrícia, principalmente por se tratar de um exame extremamente importante realizado durante todo o pré-natal, que confere dinamicidade para avaliação do crescimento fetal e da placenta, de acordo com o tempo de gestação e com a quantidade de líquido amniótico, temas que ainda serão abordados neste texto.

1. Avaliação do crescimento fetal

Fórmulas foram criadas para a determinação do peso fetal a partir medidas da biometria, podendo incluir o diâmetro biparietal, a medida do fêmur e a circunferência abdominal. O peso fetal estimado (PFE) é um meio de verificar o bem-estar fetal e de avaliar a evolução de seu crescimento no decorrer da gestação, assim como reduzir a morbidade e mortalidade associadas ao retardo de crescimento intrauterino (RCIU) (José Guilherme Cecatti et al, 2000).

Quando o crescimento fetal está abaixo do percentil 10 para a idade gestacional, define-se a restrição de crescimento fetal. Por outro lado, fetos acima do percentil 95 são considerados grandes para a idade gestacional.

Para saber um pouco mais, a ultrassonografia é eficiente para identificar uma distocia do objeto, definidas como anormalidades ocorrentes no trabalho de parto, atribuídas ao feto e às relações materno-fetais, uma vez que, quando o feto é estipulado em mais de 4000g ou quando a bacia materna não apresentar diâmetros suficientes para a passagem do bebê, pode-se causar uma desproporção cefalopélvica. (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2017).

2. Placenta de acordo com o tempo de gestação

Na avaliação da placenta, são consideradas investigações sobre a textura, grau de maturidade, localização e espessura.

Textura: possui associação direta entre o grau de calcificação com o de maturidade pulmonar fetal.

Grau de maturidade: variável em um escore de 0 a III. O grau 0 designa uma placenta homogênea; o grau I indica pequenas calcificações intraplacentárias; no grau II, calcificações na placa basal; no grau III, observa-se compartimentação da placenta pela presença de calcificação da placa basal à coriônica. Pode ser obtido pela intensidade, quantidade e extensão de calcificação da placenta.

Localização: corresponde à posição da placenta na cavidade uterina. É de suma importância conhecer a localização da placenta, principalmente quanto ao fato de ser prévia ou não, pela atenção que demanda em termos de cuidados pré-natais ou em via de parto.

Espessura: importante pela relação com a presença de infecções materno-fetais. É obtida por meio da medida desde a placa basal até a placa corial, no ponto da inserção do cordão umbilical.

Gestantes com doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus e pneumonia são indicadas a realizar o exame da dopplerfluxometria, pois tratam-se de doenças que podem levar à insuficiência placentária.

Este exame é utilizado para estudo da função placentária, sendo que alterações nos índices dopplervelocimétricos começam a ser observadas quando 30% da área placentária apresenta lesões em sua vasculatura, e, ao observar essas alterações, deve-se considerar a ocorrência de insuficiência placentária. (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2014).

3. Quantidade de líquido amniótico

Informações sobre a integridade funcional, citogenética e estrutural do concepto podem ser obtidas a partir do estudo do líquido amniótico, sendo um indicador da vitalidade fetal.

A composição do líquido amniótico muda de acordo com a idade gestacional, sendo que, no início da gravidez, ele é isotônico em relação ao sangue materno e fetal, mas, ao redor das 23/25 semanas, a passagem de líquido através da pele fica bastante reduzida, por causa da queratinização da pele fetal. Devido ao amadurecimento da função renal fetal, o líquido amniótico torna-se progressivamente mais diluído e a osmolaridade diminui (Sergio Kobayashi, 2005).

A avaliação do líquido amniótico pode ser feita de forma subjetiva antes de 20 semanas e de forma objetiva após esse período. Para a avaliação objetiva, utilizamos o índice de líquido amniótico (ILA).

A técnica consiste na divisão imaginária do abdome materno em quatro quadrantes, realizando a maior medida vertical de líquido amniótico livre de partes fetais ou do cordão umbilical. De forma geral, considera-se o ILA normal quando tem entre 8 e 18 cm. (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2014).

Por fim, é importante ressaltar que a ultrassonografia obstétrica não emprega radiações ionizantes, tais como aquelas utilizadas em raios-X; dessa forma, a paciente não é exposta a qualquer tipo de radiação, tratando-se de um procedimento seguro e indolor. Portanto, o exame deve ser utilizado com indicação adequada, em período mínimo de tempo para um diagnóstico correto e gastando o mínimo de energia materna e fetal necessário.

Autora: Thamires Teixeira Miranda Rodrigues
@thaamires.miranda

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