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CID J04: Laringite e traqueíte agudas
J040
Laringite aguda
J041
Traqueíte aguda
J042
Laringotraqueíte aguda
Mais informações sobre o tema:
Definição
A laringite e traqueíte agudas referem-se a processos inflamatórios de início súbito que acometem a laringe e a traqueia, respectivamente, frequentemente de etiologia infecciosa, com destaque para vírus como influenza, parainfluenza, rinovírus e adenovírus, embora bactérias como Streptococcus pyogenes, Haemophilus influenzae e Staphylococcus aureus possam estar envolvidas, especialmente em casos de superinfecção. A fisiopatologia envolve a invasão da mucosa respiratória por patógenos, desencadeando uma resposta inflamatória local com edema, hiperemia e infiltração celular, o que pode resultar em obstrução das vias aéreas, particularmente em crianças devido ao diâmetro laríngeo reduzido. Clinicamente, manifesta-se com disfonia, tosse, estridor e desconforto respiratório, podendo evoluir para complicações graves como a laringotraqueobronquite (crupe) ou epiglotite, com impacto significativo na qualidade de vida e necessidade de intervenção médica imediata em situações de risco. Epidemiologicamente, é mais comum em crianças, com picos sazonais associados a infecções virais, e representa uma causa frequente de atendimento em serviços de urgência, exigindo vigilância para prevenção de surtos.
Descrição clínica
A apresentação clínica típica inclui início agudo de rouquidão ou afonia, tosse seca e irritativa, dor ou desconforto na região anterior do pescoço, e possivelmente estridor inspiratório, indicativo de obstrução das vias aéreas superiores. Em crianças, pode haver agravamento noturno dos sintomas, com tosse 'de cão' e dificuldade respiratória, enquanto em adultos os sintomas são geralmente mais leves, mas podem incluir febre baixa e mal-estar geral. A inspeção pode revelar edema de mucosa, e a ausculta pulmonar pode detectar sons respiratórios diminuídos ou estridor, dependendo da gravidade da obstrução.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de leve a grave, com sintomas como disfonia ou afonia, tosse seca e rouca (frequentemente descrita como 'latido de cão'), dor de garganta, estridor inspiratório, e em casos mais sérios, taquipneia, retrações intercostais e cianose. Febre pode estar presente, especialmente em infecções bacterianas, e sintomas sistêmicos como fadiga e anorexia são comuns. Em lactentes e crianças pequenas, a apresentação pode ser abrupta com agitação e choro rouco, exigindo avaliação urgente para excluir condições como epiglotite. A duração é geralmente autolimitada, de 3 a 7 dias, mas pode persistir em infecções secundárias.
Complicações possíveis
Obstrução grave das vias aéreas
Evolução para estridor em repouso, retrações e insuficiência respiratória, exigindo intubação ou traqueostomia.
Pneumonia
Extensão da infecção para os pulmões, resultando em consolidação e piora do estado geral.
Desidratação
Devido à dificuldade de deglutição e ingestão inadequada de líquidos, especialmente em crianças.
Sepse
Em infecções bacterianas graves, com disseminação sistêmica e choque.
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A laringite e traqueíte agudas são comuns mundialmente, com maior incidência em crianças entre 6 meses e 3 anos, devido à imaturidade imunológica e anatomia das vias aéreas. Estima-se que infecções virais como crupe afetem até 5% das crianças anualmente, com picos no outono e inverno. No Brasil, são causas frequentes de atendimento pediátrico em urgências, com variações regionais dependendo de fatores socioeconômicos e acesso à saúde. Adultos são menos acometidos, mas podem apresentar formas mais leves associadas a infecções respiratórias superiores.
Prognóstico
Geralmente favorável, com resolução espontânea em 5 a 7 dias na maioria dos casos virais, mas pode ser reservado em pacientes com comorbidades, crianças pequenas ou infecções bacterianas não tratadas, onde o risco de obstrução airway e complicações é maior. A mortalidade é baixa com diagnóstico e manejo adequados, mas atrasos no tratamento podem levar a desfechos adversos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e exame físico, com critérios incluindo início agudo de disfonia, tosse característica e estridor, na ausência de outras causas obstrutivas. Exames complementares como laringoscopia podem confirmar edema e eritema da laringe e traqueia, e radiografia de pescoço pode mostrar estreitamento subglótico ('sinal da torre') em casos de crupe. Critérios de gravidade incluem estridor em repouso, retrações e alteração do estado mental, que indicam necessidade de hospitalização. Diretrizes como as da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam avaliação para etiologia bacteriana em casos com febre alta e sinais de toxicidade.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Epiglotite aguda
Inflamação da epiglote, geralmente bacteriana por Haemophilus influenzae tipo b, com início abrupto, febre alta, disfagia e estridor, podendo evoluir rapidamente para obstrução airway; diferenciada pela laringoscopia que mostra epiglote edemaciada.
UpToDate: 'Epiglottitis (supraglottitis): Clinical features and diagnosis'.
Traqueíte bacteriana
Infecção bacteriana da traqueia, frequentemente por Staphylococcus aureus, com tosse produtiva, estridor e febre alta, distinguida por cultura de secreções traqueais e necessidade de antibioticoterapia.
PubMed: 'Bacterial tracheitis: A therapeutic approach'.
Asma
Doença inflamatória crônica das vias aéreas, com sibilos e dispneia, mas geralmente sem disfonia ou estridor fixo; diferenciada por história de atopia e resposta a broncodilatadores.
Diretrizes Brasileiras de Asma.
Corpo estranho em via aérea
Obstrução aguda por aspiração de objeto, com tosse súbita e estridor, mas sem febre ou sintomas prodrômicos; diagnóstico por radiografia ou broncoscopia.
Micromedex: 'Foreign body aspiration'.
Laringite alérgica
Resposta alérgica com edema laríngeo, mas geralmente associada a outros sinais atópicos e desencadeada por alérgenos; diferenciada por história e teste alérgico.
OMS: 'Allergic rhinitis and its impact on asthma'.
Exames recomendados
Laringoscopia
Exame visual direto da laringe e traqueia para avaliar edema, eritema, secreções ou lesões.
Confirmar o diagnóstico, excluir outras causas obstrutivas e avaliar a gravidade.
Radiografia de pescoço (vias aéreas)
Imagem para detectar estreitamento subglótico ('sinal da torre') ou outras anormalidades.
Avaliar obstrução airway e diferenciar de epiglotite ou corpo estranho.
Hemograma completo
Contagem de leucócitos para detectar leucocitose, sugerindo infecção bacteriana.
Auxiliar na distinção entre etiologia viral e bacteriana.
Cultura de secreções respiratórias
Coleta de swab nasal ou faríngeo para identificação de patógenos.
Identificar agentes bacterianos em casos suspeitos de superinfecção.
Oximetria de pulso
Medição não invasiva da saturação de oxigênio.
Monitorar a oxigenação e detectar hipóxia em casos graves.
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Lavar as mãos frequentemente para reduzir a transmissão de patógenos respiratórios.
Evitar aglomerações
Minimizar contato com pessoas doentes, especialmente durante surtos virais.
Uso de máscaras
Em situações de alto risco, para prevenir a inalação de gotículas infectadas.
Vigilância e notificação
No Brasil, a laringite e traqueíte agudas não são de notificação compulsória universal, mas surtos em comunidades ou casos graves devem ser monitorados por serviços de vigilância epidemiológica para detecção precoce de agentes como influenza. A notificação é recomendada em situações de suspeita de doenças de notificação obrigatória, como influenza, conforme portarias do Ministério da Saúde, visando controle de infecções e implementação de medidas preventivas.
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Sim, especialmente as formas virais, que se transmitem por gotículas respiratórias; medidas de higiene são essenciais para prevenir a disseminação.
Em casos de estridor em repouso, dificuldade respiratória, febre alta ou sinais de desidratação, deve-se buscar atendimento urgente para evitar complicações.
Não, a maioria dos casos é viral e autolimitada; antibióticos só são indicados se houver suspeita de infecção bacteriana secundária, com base em avaliação clínica e exames.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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