Redação Sanar
CID H65: Otite média não-supurativa
H650
Otite média aguda serosa
H651
Outras otites médias agudas não-supurativas
H652
Otite média serosa crônica
H653
Otite média mucóide crônica
H654
Outras otites médias crônicas não-supurativas
H659
Otite média não-supurativa, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A otite média não supurativa (OMNS) é uma condição inflamatória da orelha média caracterizada pela presença de efusão no espaço timpânico, sem sinais agudos de supuração ou infecção bacteriana ativa. Engloba quadros como otite média serosa, mucoide ou secretora, frequentemente associada à disfunção da tuba auditiva, que prejudica a drenagem e ventilação da orelha média. A fisiopatologia envolve obstrução tubária, resultando em pressão negativa, extravasamento de fluido transudativo ou exsudativo, e acúmulo de líquido estéril ou com baixa carga bacteriana. Epidemiologicamente, é comum em crianças, com pico de incidência entre 6 meses e 4 anos, e pode levar a complicações como perda auditiva condutiva e atraso no desenvolvimento da fala, impactando significativamente a qualidade de vida.
Descrição clínica
A OMNS apresenta-se como uma efusão na orelha média, podendo ser serosa, mucoide ou mista, com duração variável de aguda (até 3 semanas) a crônica (mais de 3 meses). Clinicamente, os pacientes podem ser assintomáticos ou relatar plenitude auricular, autofonia, hipoacusia condutiva leve a moderada, e ocasionalmente otalgia leve. A otoscopia revela membrana timpânica opaca, retraída ou abaulada, com bolhas de ar ou nível hidroaéreo, e mobilidade reduzida à insuflação pneumática. Em crianças, sintomas comportamentais como irritabilidade ou dificuldade de atenção podem ser notados, devido à perda auditiva.
Quadro clínico
O quadro clínico da OMNS é frequentemente insidioso, com queixas de plenitude auricular, sensação de ouvido 'entupido', autofonia (percepção aumentada da própria voz), e hipoacusia condutiva flutuante. Otalgia é incomum e, quando presente, geralmente leve. Em crianças, pode haver atraso no desenvolvimento da linguagem, dificuldade escolar, e comportamentos como puxar a orelha. A otoscopia mostra membrana timpânica opaca, âmbar ou azulada, com possível retração, bolhas de ar, ou nível hidroaéreo, e teste de Weber lateralizado para o lado afetado. A timpanometria tipicamente revela curva plana (tipo B) ou com pico negativo (tipo C).
Complicações possíveis
Perda auditiva condutiva
Redução da audição devido à impedância na transmissão sonora, podendo ser reversível com resolução da efusão.
Atraso no desenvolvimento da fala e linguagem
Especialmente em crianças, devido à privação auditiva prolongada durante períodos críticos do desenvolvimento.
Perfuração timpânica
Rara, mas possível em casos de infecção secundária ou manipulação.
Otite média crônica supurativa
Evolução para infecção bacteriana persistente com otorreia.
Colesteatoma adquirido
Formação de queratina na orelha média devido à retração timpânica crônica.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Epidemiologia
A OMNS é uma das condições mais comuns na infância, com prevalência estimada em 10-20% em crianças pré-escolares, e pico entre 1 e 3 anos. Fatores de risco incluem sexo masculino, história familiar, exposição à fumaça de tabaco, alergias, e frequência a creches. Em adultos, é menos comum e frequentemente associada a disfunção tubária por rinite ou alterações anatômicas. Dados globais mostram variações sazonais, com maior incidência no inverno devido a infecções respiratórias.
Prognóstico
O prognóstico da OMNS é geralmente bom, com resolução espontânea em até 90% dos casos em 3 meses. Fatores como idade jovem, ausência de comorbidades e tratamento precoce melhoram o desfecho. Casos crônicos ou recorrentes podem necessitar de intervenções cirúrgicas (e.g., miringotomia com colocação de tubo de ventilação) para prevenir sequelas auditivas e de desenvolvimento. Complicações são incomuns com manejo adequado.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...