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CID H34: Oclusões vasculares da retina
H340
Oclusão arterial retiniana transitória
H341
Oclusão da artéria retiniana central
H342
Outras oclusões da artéria retiniana
H348
Outras oclusões vasculares retinianas
H349
Oclusão vascular retiniana não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
As oclusões vasculares da retina são condições oftalmológicas caracterizadas pela obstrução do fluxo sanguíneo nos vasos retinianos, incluindo veias (oclusão de veia retiniana, OVR) e artérias (oclusão de artéria retiniana, OAR). Essas oclusões resultam em isquemia retiniana, levando a danos celulares, edema macular e perda visual, sendo causas significativas de cegueira e baixa visão em adultos. A OVR é mais comum que a OAR, com a oclusão da veia central da retina (OVCR) e oclusão de ramo da veia retiniana (ORVR) representando subtipos frequentes. A fisiopatologia envolve trombose, aterosclerose, embolia ou vasoespasmo, frequentemente associadas a fatores de risco sistêmicos como hipertensão, diabetes, dislipidemia e doenças cardiovasculares. Epidemiologicamente, a incidência aumenta com a idade, sendo mais prevalente em indivíduos acima de 50 anos, com impacto variável na acuidade visual dependendo da extensão da oclusão e do envolvimento macular.
Descrição clínica
As oclusões vasculares da retina manifestam-se clinicamente com início agudo ou subagudo de perda visual unilateral, que pode variar de leve borramento a cegueira completa, dependendo do vaso afetado e da localização. Na OVR, observa-se edema retiniano, hemorragias em chama-de-vela, tortuosidade venosa e cotton-wool spots, enquanto na OAR, há palidez retiniana, embargamento arteriolar e sinal do cherry-red spot macular. O edema macular é uma complicação comum, contribuindo para a baixa acuidade visual. A evolução pode incluir neovascularização, glaucoma neovascular e atrofia retiniana, com curso clínico influenciado por comorbidades como hipertensão e diabetes.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o tipo de oclusão. Na OVR: perda visual indolor e gradual, metamorfopsia, escotomas; fundoscopia mostra hemorragias retinianas difusas, edema de disco óptico, cotton-wool spots e tortuosidade venosa. Na OAR: perda visual súbita e indolor, frequentemente severa; fundoscopia revela palidez retiniana, embargamento arteriolar, cherry-red spot macular e boxcarring (segmentação do fluxo sanguíneo). Sintomas adicionais podem incluir dor ocular se houver glaucoma secundário. A acuidade visual no momento do diagnóstico é um preditor importante do prognóstico.
Complicações possíveis
Edema macular
Acúmulo de fluido na mácula, levando a baixa acuidade visual persistente.
Neovascularização
Crescimento anormal de vasos na retina, íris ou ângulo camerular, podendo causar hemorragias vitreanas e glaucoma neovascular.
Glaucoma neovascular
Elevação da pressão intraocular devido a neovascularização do ângulo, resultando em dor e perda visual irreversível.
Atrofia retiniana
Perda de tecido retiniano após isquemia prolongada, com defeitos campimétricos permanentes.
Descolamento de retina tracional
Causado por membranas neovasculares que tracionam a retina, exigindo intervenção cirúrgica.
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As oclusões vasculares da retina são causas comuns de perda visual, com incidência anual de OVR estimada em 0,5-1,0% em adultos acima de 40 anos, aumentando com a idade. A OVR é mais frequente que a OAR, com ORVR representando cerca de 80% dos casos. Fatores de risco incluem hipertensão (presente em 50-70% dos casos), diabetes, dislipidemia, obesidade e tabagismo. A OAR tem incidência menor, aproximadamente 1-2 casos por 100.000 pessoas/ano, com pico na sexta década de vida. Disparidades geográficas e raciais são observadas, com maior prevalência em populações com alta carga de doenças cardiovasculares.
Prognóstico
O prognóstico depende do tipo de oclusão, extensão da isquemia, envolvimento macular e tratamento precoce. Na OVR, a acuidade visual inicial é um preditor; edema macular persistente e isquemia extensa levam a pior prognóstico. Na OAR, a perda visual é frequentemente severa e irreversível devido ao infarto retiniano. Complicações como glaucoma neovascular pioram o desfecho. Intervenções como anti-VEGF e fotocoagulação podem melhorar o prognóstico visual, mas a recuperação é limitada em casos de isquemia grave. Fatores sistêmicos controlados (hipertensão, diabetes) influenciam positivamente a evolução.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame oftalmológico completo e exames complementares. Critérios incluem: início agudo de perda visual unilateral; achados fundoscópicos característicos (hemorragias, edema, palidez retiniana); confirmação por angiografia fluoresceínica (mostrando hipofluorescência por bloqueio ou defeitos de preenchimento) e OCT (tomografia de coerência óptica) demonstrando edema macular ou espessamento retiniano. A OVR é diagnosticada por obstrução venosa com extravasamento de contraste, enquanto a OAR por ausência de fluxo arterial. Exclusão de outras causas de perda visual aguda é essencial.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Retinopatia diabética
Caracterizada por microaneurismas, exsudatos duros e edema macular, mas sem oclusão vascular aguda; diferencia-se pela história de diabetes e achados angiográficos.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022
Neuropatia óptica isquêmica anterior
Apresenta perda visual aguda e edema de disco, mas sem hemorragias retinianas extensas; diferencia-se por envolvimento primário do nervo óptico.
UpToDate, 'Ischemic Optic Neuropathy', 2023
Descolamento de retina
Causa perda visual aguda com fotopsias e moscas volantes, mas fundoscopia mostra descolamento neurosensorial; diferencia-se pela ausência de oclusão vascular.
American Academy of Ophthalmology, 'Retinal Detachment', 2021
Uveíte posterior
Pode simular oclusões com edema retiniano, mas associada a inflamação intraocular e células no vítreo; diferencia-se por achados inflamatórios e resposta a corticosteroides.
PubMed: 'Uveitis: Diagnosis and Management', 2020
Oclusão de artéria coroideana
Rara, causa defeitos campimétricos, mas fundoscopia mostra áreas de hipopigmentação; diferencia-se pela localização coroideana e achados angiográficos.
Micromedex, 'Choroidal Artery Occlusion', 2022
Exames recomendados
Angiografia fluoresceínica
Avalia a perfusão retiniana, mostrando defeitos de preenchimento, extravasamento e neovascularização.
Confirmar oclusão vascular, identificar áreas isquêmicas e guiar tratamento.
Tomografia de coerência óptica (OCT)
Fornece imagens de alta resolução da retina, detectando edema macular, espessamento retiniano e alterações estruturais.
Avaliar e monitorar edema macular, resposta terapêutica e complicações.
Pressão intraocular
Medida por tonometria para avaliar risco de glaucoma neovascular.
Detectar complicações glaucomatosas secundárias à oclusão.
Exames laboratoriais
Inclui hemograma, glicemia, perfil lipídico e coagulação para identificar fatores de risco sistêmicos.
Avaliar comorbidades como diabetes, hipertensão e trombofilias.
Ecografia Doppler carotídea
Avalia estenose carotídea como fonte embólica para OAR.
Identificar causas embólicas e guiar manejo sistêmico.
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Manter níveis pressóricos dentro das metas para reduzir risco de oclusões vasculares.
Manejo do diabetes
Controle glicêmico adequado para prevenir microangiopatia e complicações oculares.
Cessação do tabagismo
Reduz fatores de risco cardiovasculares e trombóticos.
Atividade física regular
Promove saúde vascular e reduz incidência de doenças ateroscleróticas.
Rastreamento oftalmológico
Exames de rotina em indivíduos de risco para detecção precoce de alterações retinianas.
Vigilância e notificação
No Brasil, as oclusões vasculares da retina não são de notificação compulsória nacional, mas devem ser monitoradas em serviços de oftalmologia para controle de complicações e saúde pública. Recomenda-se registro em prontuários eletrônicos, com acompanhamento de fatores de risco sistêmicos. Em surtos ou casos associados a condições infecciosas ou inflamatórias, notificação local pode ser necessária. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Oftalmologia enfatizam a vigilância de comorbidades para prevenção secundária.
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A oclusão de veia retiniana (OVR) resulta de obstrução venosa, causando hemorragias e edema, com perda visual gradual; a oclusão de artéria retiniana (OAR) é por obstrução arterial, levando a infarto retiniano e perda visual súbita e severa.
Pode ser parcialmente reversível com tratamento anti-VEGF ou laser, mas a recuperação depende da extensão do dano e do tempo até a intervenção; casos crônicos podem ter sequelas permanentes.
Hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo e obesidade são modificáveis através de controle medicamentoso, dieta, exercício e cessação do tabaco.
Sim, especialmente em indivíduos com fatores de risco sistêmicos não controlados, mas é mais comum ser unilateral; o risco contralateral aumenta com comorbidades.
Inibidores do VEGF reduzem o edema macular e a neovascularização, melhorando a acuidade visual em OVR; são administrados por injeções intravítreas regulares.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...