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CID H16: Ceratite

H160
Úlcera de córnea
H161
Outras ceratites superficiais sem conjuntivite
H162
Ceratoconjuntivite
H163
Ceratites intersticial e profunda
H164
Neovascularização da córnea
H168
Outras ceratites
H169
Ceratite não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A ceratite é uma condição inflamatória que afeta a córnea, estrutura transparente e avascular localizada na porção anterior do olho, essencial para a refração da luz e proteção ocular. Pode ser classificada em infecciosa (bacteriana, viral, fúngica ou parasitária) e não infecciosa (alérgica, autoimune ou traumática), com gravidade variável desde quadros leves até ulcerações corneanas que comprometem a acuidade visual. A fisiopatologia envolve dano ao epitélio corneano, ativação de respostas imunes e, em casos infecciosos, invasão microbiana direta, podendo levar a opacidades, neovascularização ou perfuração. Epidemiologicamente, é uma causa comum de morbidade ocular, com incidência aumentada em usuários de lentes de contato, imunossuprimidos e em regiões com baixas condições sanitárias, impactando significativamente a qualidade de vida e demandando intervenção precoce para prevenir sequelas visuais.

Descrição clínica

A ceratite caracteriza-se por inflamação da córnea, manifestando-se clinicamente com dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, blefarospasmo e visão turva. Ao exame, observa-se hiperemia conjuntival, opacidades corneanas, infiltrados inflamatórios, ulcerações e, em casos graves, hipópion ou perfuração. A apresentação varia conforme a etiologia: bacteriana frequentemente exibe infiltrado purulento e ulceração; viral pode mostrar dendritos (herpes); fúngica apresenta infiltrados plumeados; e alérgica demonstra papilas gigantes. A evolução pode ser aguda ou crônica, com risco de complicações como leucoma, astigmatismo irregular ou cegueira.

Quadro clínico

O quadro clínico da ceratite inclui sintomas como dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, visão embaçada e secreção purulenta em casos infecciosos. Sinais objetivos: hiperemia conjuntival, opacidade corneana, infiltrados (focais ou difusos), ulceração epitelial ou estromal, reação de câmara anterior (células e flare), hipópion (em bacterianas graves), e possíveis dendritos (herpética) ou infiltrados plumeados (fúngica). A acuidade visual está frequentemente reduzida, e a evolução pode ser rápida, com agravamento em horas se não tratada.

Complicações possíveis

Ulceração corneana profunda

Progressão da inflamação com perda de tecido estromal, risco de perfuração e endoftalmite.

Leucoma e opacidade corneana

Cicatrização com formação de tecido fibroso, causando baixa acuidade visual permanente.

Perfuração corneana

Ruptura completa da córnea, levando a hérnia de íris, fístula ou perda do globo ocular.

Neovascularização corneana

Crescimento anormal de vasos no estroma, comprometendo a transparência e predispondo a rejeição em transplantes.

Endoftalmite

Extensão da infecção para o interior do olho, com inflamação intraocular grave e alto risco de cegueira.

Epidemiologia

A ceratite é uma causa frequente de consulta oftalmológica, com incidência global estimada em 2-5 casos por 10.000 pessoas/ano, variando com fatores regionais. Maior prevalência em usuários de lentes de contato (risco aumentado em 5-15 vezes), imunossuprimidos, idosos e em países em desenvolvimento. Bacterianas são comuns em ambientes hospitalares, virais em surtos, e fúngicas em áreas agrícolas. Dados da OMS indicam que infecções oculares contribuem para 1-2% dos casos de cegueira evitável mundialmente.

Prognóstico

O prognóstico da ceratite depende da etiologia, profundidade do envolvimento, prontidão do tratamento e comorbidades. Casos superficiais e tratados precocemente têm bom prognóstico com resolução sem sequelas; ulcerações estromais ou infeções por Pseudomonas ou fungos podem levar a opacidades, astigmatismo irregular ou necessidade de transplante de córnea. Complicações como perfuração ou endoftalmite associam-se a prognóstico reservado, com perda visual significativa em até 20-30% dos casos graves, conforme séries oftalmológicas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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