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CID G43: Enxaqueca

G430
Enxaqueca sem aura [enxaqueca comum]
G431
Enxaqueca com aura [enxaqueca clássica]
G432
Estado de mal enxaquecoso
G433
Enxaqueca complicada
G438
Outras formas de enxaqueca
G439
Enxaqueca, sem especificação

Mais informações sobre o tema:

Definição

A enxaqueca é uma cefaleia primária, caracterizada por episódios recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave, frequentemente unilateral e pulsátil, com duração de 4 a 72 horas. A fisiopatologia envolve ativação do sistema trigeminovascular, com liberação de peptídeos vasoativos como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), resultando em inflamação neurogênica e sensibilização central. Clinicamente, pode apresentar-se com ou sem aura, sendo a aura definida por sintomas neurológicos focais transitórios, como distúrbios visuais, sensitivos ou de linguagem, que precedem ou acompanham a cefaleia. A enxaqueca tem um impacto significativo na qualidade de vida, sendo uma das principais causas de incapacidade global, com prevalência estimada em cerca de 12% da população adulta mundial, afetando mais mulheres do que homens.

Descrição clínica

A enxaqueca manifesta-se como uma cefaleia episódica, com dor tipicamente unilateral, pulsátil, agravada por atividade física rotineira, e associada a fotofobia, fonofobia, náuseas e/ou vômitos. Pode ser classificada em enxaqueca sem aura (mais comum) e com aura, onde a aura consiste em sintomas neurológicos reversíveis que se desenvolvem gradualmente e duram menos de 60 minutos. A frequência dos ataques varia de episódica (menos de 15 dias por mês) a crônica (15 ou mais dias por mês por mais de 3 meses). Fatores desencadeantes incluem estresse, alterações hormonais, certos alimentos, privação de sono e estímulos sensoriais.

Quadro clínico

O quadro clínico da enxaqueca inclui dor de cabeça unilateral ou bilateral, pulsátil, com intensidade moderada a grave, durando 4-72 horas em adultos. Sintomas associados frequentes são náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Na enxaqueca com aura, sintomas neurológicos focais precedem a cefaleia, como escotomas cintilantes, formigamentos unilaterais, ou dificuldades de fala, com duração de 5-60 minutos. A fase prodrômica pode incluir fadiga, irritabilidade ou bocejos, e a fase pós-drômica, fadiga e dificuldade de concentração. A enxaqueca crônica apresenta cefaleia em pelo menos 15 dias/mês, com características migranosas em pelo menos 8 dias.

Complicações possíveis

Enxaqueca crônica

Evolução para cefaleia em pelo menos 15 dias por mês, com características migranosas em pelo menos 8 dias, por mais de 3 meses, levando a significativa incapacidade.

Status migranoso

Ataque de enxaqueca com duração superior a 72 horas, refratário ao tratamento habitual, podendo requerer hospitalização.

Infarto migranoso

Acidente vascular cerebral isquêmico que ocorre durante um ataque de enxaqueca com aura, com persistência dos sintomas aura por mais de 60 minutos e confirmação por imagem.

Aura persistente sem infarto

Sintomas de aura que persistem por mais de uma semana sem evidência de infarto em exames de imagem.

Medicação excessiva para cefaleia

Desenvolvimento de cefaleia por uso excessivo de analgésicos ou triptanos, definida como cefaleia em pelo menos 15 dias/mês com uso regular de medicamentos agudos por mais de 3 meses.

Epidemiologia

A enxaqueca é uma das cefaleias primárias mais comuns, com prevalência global estimada em 12% na população adulta, afetando aproximadamente 1 bilhão de pessoas. É mais prevalente em mulheres (18%) do que em homens (6%), com pico de incidência na terceira e quarta décadas de vida. Fatores de risco incluem história familiar, obesidade, distúrbios do sono e estresse. No Brasil, estudos regionais indicam prevalências semelhantes, com impacto econômico significativo devido a absenteísmo e presenteísmo laboral. A enxaqueca com aura ocorre em cerca de 25-30% dos casos de enxaqueca.

Prognóstico

O prognóstico da enxaqueca é variável; a maioria dos pacientes apresenta curso episódico com remissões e exacerbações ao longo da vida. Fatores como frequência de ataques, comorbidades psiquiátricas (e.g., depressão, ansiedade) e adesão ao tratamento influenciam a evolução. A enxaqueca crônica está associada a maior incapacidade e pior qualidade de vida. Intervenções precoces, modificações no estilo de vida e terapêutica adequada podem reduzir a frequência e intensidade dos ataques. Em idosos, a enxaqueca tende a diminuir em frequência, mas pode persistir ou transformar-se em outras formas de cefaleia.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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