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CID G00: Meningite bacteriana não classificada em outra parte
G000
Meningite por Haemophilus
G001
Meningite pneumocócica
G002
Meningite estreptocócica
G003
Meningite estafilocócica
G008
Outras meningites bacterianas
G009
Meningite bacteriana não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A meningite bacteriana é uma infecção aguda das leptomeninges (aracnoide e pia-mater) e do líquido cefalorraquidiano (LCR), causada por bactérias piogênicas, caracterizada por resposta inflamatória intensa no espaço subaracnoideo. Esta condição representa uma emergência médica devido ao seu potencial de rápida progressão, com alta morbimortalidade se não tratada precocemente. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana por via hematogênica, contígua ou direta, desencadeando liberação de citocinas pró-inflamatórias, aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica e infiltrado de neutrófilos, resultando em edema cerebral, hipertensão intracraniana e déficits neurológicos. Epidemiologicamente, é mais prevalente em crianças, idosos e imunossuprimidos, com variações sazonais e geográficas dependentes do agente etiológico.
Descrição clínica
A meningite bacteriana manifesta-se classicamente com tríade de febre, cefaleia e rigidez de nuca, frequentemente acompanhada por alterações do estado mental, fotofobia e vômitos. Em lactentes, os sinais podem ser inespecíficos, como irritabilidade, choro agudo, abaulamento de fontanela e recusa alimentar. A evolução pode ser fulminante, com desenvolvimento de convulsões, coma e sinais de herniação cerebral em horas, exigindo intervenção imediata.
Quadro clínico
Início agudo ou subagudo com febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca (sinal de Kernig e Brudzinski positivos), vômitos, fotofobia e alteração do nível de consciência (confusão, letargia, coma). Em formas graves, observam-se petéquias ou púrpura (especialmente em meningococcemia), convulsões focais ou generalizadas e sinais de hipertensão intracraniana (papiledema, bradicardia, hipertensão arterial). Em neonatos, predominam hipotermia, icterícia, fontanela abaulada e hipotonia.
Complicações possíveis
Hidrocefalia
Obstrução do fluxo do LCR por aderências inflamatórias, requerendo derivação ventricular.
Perda auditiva neurossensorial
Lesão coclear ou do nervo auditivo por inflamação ou toxinas bacterianas, frequentemente irreversível.
Convulsões
Crises epilépticas focais ou generalizadas devido a irritação cortical ou isquemia.
Abscesso cerebral ou empiema subdural
Acúmulo purulento no parênquima ou espaço subdural, necessitando drenagem cirúrgica.
Síndrome de secreção inadequada de ADH (SIADH)
Hiponatremia dilucional por liberação inadequada de hormônio antidiurético.
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Incidence global estimada em 0,5-5 casos/100.000 habitantes/ano, com picos em crianças 65 anos. A distribuição geográfica varia: N. meningitidis é endêmica no cinturão da meningite africana, enquanto S. pneumoniae predomina em regiões sem vacinação. Fatores de risco incluem esplenectomia, deficiência de complemento, fístula de LCR e aglomerações. A introdução de vacinas (ex.: conjugada para H. influenzae tipo b, pneumocócica) reduziu significativamente a incidência em muitas áreas.
Prognóstico
O prognóstico depende da precocidade do tratamento, agente etiológico e condições do hospedeiro. A mortalidade varia de 5-30%, sendo maior em infecções por S. pneumoniae e em idosos. Sequelas neurológicas (ex.: déficit cognitivo, paralisia) ocorrem em até 50% dos sobreviventes; fatores de mau prognóstico incluem coma ao diagnóstico, convulsões e baixa contagem de leucócitos no LCR.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na suspeita clínica e confirmado por exame do LCR obtido por punção lombar: pleocitose com predomínio de neutrófilos (>1000 células/μL), proteína elevada (>100 mg/dL), glicorraquia baixa (<40 mg/dL ou <2/3 da glicemia). A coloração de Gram e cultura do LCR identificam o agente em 70-90% dos casos não tratados. Critérios auxiliares incluem hemocultura positiva, PCR para bactérias no LCR e neuroimagem (TC ou RM) para excluir complicações ou contraindicações à punção.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Meningite viral
Apresenta pleocitose linfocítica no LCR, glicorraquia normal e curso geralmente benigno; agentes comuns incluem enterovírus e vírus do herpes.
WHO. Meningitis Manual, 2021.
Meningite tuberculosa
Evolução subaguda/crônica, pleocitose linfomonocítica, glicorraquia muito baixa e proteína muito elevada; diagnóstico por PCR ou cultura para Mycobacterium tuberculosis.
UpToDate. Tuberculous Meningitis, 2023.
Encefalite
Comprometimento parenquimatoso cerebral predominante, com alterações comportamentais, déficits focais e achados de neuroimagem sugestivos; LCR pode mostrar pleocitose linfocítica.
IDSA Guidelines. Encephalitis, 2017.
Hemorragia subaracnoidea
Início súbito com cefaleia explosiva, sem febre; LCR hemorrágico ou xantocrômico; confirmação por angio-TC ou angiografia.
Massa intracraniana com efeito de massa, frequentemente com fonte infecciosa contígua; LCR pode ser normal ou com pleocitose moderada; diagnóstico por neuroimagem.
UpToDate. Brain Abscess, 2022.
Exames recomendados
Punção lombar com análise do LCR
Avaliação de celularidade, bioquímica (proteína, glicose), coloração de Gram, cultura e PCR bacteriano.
Confirmar diagnóstico, identificar agente etiológico e guiar terapia antimicrobiana.
Hemocultura
Coleta de sangue para cultura em meio aeróbio e anaeróbio.
Detectar bacteremia associada, aumentar yield diagnóstico em casos de punção tardia.
Tomografia computadorizada (TC) de crânio
Neuroimagem sem contraste para avaliar edema cerebral, efeito de massa ou hidrocefalia.
Excluir contraindicações à punção lombar e identificar complicações.
PCR no LCR para patógenos específicos
Reação em cadeia da polimerase para Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae, etc.
Diagnóstico rápido, especialmente em pacientes previamente tratados com antibióticos.
Hemograma completo e proteína C reativa
Avaliação de leucocitose com desvio à esquerda e marcadores inflamatórios.
Suporte ao diagnóstico de infecção bacteriana e monitorização da resposta terapêutica.
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Rifampicina, ceftriaxona ou ciprofloxacino para contactantes íntimos de casos de meningite meningocócica ou H. influenzae.
Higiene respiratória
Etiqueta da tosse, lavagem das mãos e evitar aglomerações em períodos de surto.
Identificação e tratamento de portadores
Rastreio e erradicação de colonização nasofaríngea em surtos institucionais.
Vigilância e notificação
Doença de notificação compulsória imediata no Brasil (Portaria MS 1.271/2014) devido ao potencial epidêmico, especialmente para N. meningitidis. Vigilância ativa para identificação de contactantes e quimioprofilaxia em surtos. Notificação à autoridade sanitária local em até 24 horas, com coleta de dados clínicos e laboratoriais para monitoramento de sorogrupos e resistência antimicrobiana.
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Recomenda-se administrar a primeira dose de antibiótico dentro de 1 hora da suspeita clínica, pois atrasos aumentam significativamente a morbimortalidade.
Não; deve-se realizar TC de crânio prévia se houver sinais de hipertensão intracraniana (ex.: papiledema, déficit focal) para excluir efeito de massa que contraindique a punção.
Perda auditiva neurossensorial, déficits cognitivos, convulsões e hidrocefalia são frequentes, exigindo acompanhamento prolongado.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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