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CID F33: Transtorno depressivo recorrente
F330
Transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve
F331
Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado
F332
Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos
F333
Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos
F334
Transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão
F338
Outros transtornos depressivos recorrentes
F339
Transtorno depressivo recorrente sem especificação
Mais informações sobre o tema:
Definição
O transtorno depressivo recorrente (TDR) é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada por episódios repetidos de depressão maior, intercalados por períodos de remissão parcial ou completa. A natureza recorrente implica em pelo menos dois episódios depressivos distintos, com duração mínima de duas semanas cada, separados por intervalos livres de sintomas significativos por pelo menos dois meses. A fisiopatologia envolve desregulações nos sistemas de neurotransmissores (como serotonina, noradrenalina e dopamina), alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, fatores neuroinflamatórios e vulnerabilidade genética, com herdabilidade estimada em 30-40%. O impacto clínico é substancial, associado a prejuízos funcionais, redução da qualidade de vida, aumento do risco de suicídio e comorbidades médicas. Epidemiologicamente, é uma das principais causas de incapacidade global, com prevalência ao longo da vida de cerca de 10-15% na população geral, sendo mais comum em mulheres (razão 2:1) e com pico de incidência na idade adulta jovem.
Descrição clínica
O TDR manifesta-se por episódios depressivos recorrentes, caracterizados por humor deprimido, anedonia, alterações no apetite ou peso, distúrbios do sono, fadiga, sentimentos de culpa ou inutilidade, dificuldades de concentração e ideação suicida. Os episódios podem variar em gravidade (leve, moderado ou grave) e duração, com possibilidade de sintomas psicóticos em casos graves. A remissão entre os episódios pode ser completa ou residual, e a recorrência é influenciada por fatores como estressores psicossociais, comorbidades e adesão ao tratamento.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui episódios depressivos recorrentes com sintomas como humor deprimido persistente, perda de interesse ou prazer (anedonia), alterações no apetite (geralmente redução, mas pode haver aumento), insônia ou hipersonia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia, sentimentos de desvalia ou culpa excessiva, dificuldade de concentração ou indecisão, e pensamentos de morte ou suicídio. A gravidade pode variar, e em episódios graves, podem ocorrer sintomas psicóticos (delírios ou alucinações congruentes com o humor).
Complicações possíveis
Suicídio
Risco aumentado de tentativas e morte por suicídio, especialmente em episódios graves ou com comorbidades.
Prejuízo funcional
Dificuldades no trabalho, relações interpessoais e atividades diárias, levando a incapacidade significativa.
Comorbidades psiquiátricas
Associação frequente com transtornos de ansiedade, abuso de substâncias e transtornos de personalidade.
Complicações médicas
Maior incidência de doenças cardiovasculares, diabetes e síndrome metabólica devido a fatores comportamentais e fisiológicos.
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O TDR tem prevalência ao longo da vida de aproximadamente 10-15% na população geral, com incidência anual de 1-2%. É mais comum em mulheres (razão 2:1), com pico de início entre 20 e 40 anos. Fatores de risco incluem história familiar, eventos estressantes, baixo suporte social e comorbidades psiquiátricas. É uma das principais causas de anos vividos com incapacidade globalmente.
Prognóstico
O prognóstico do TDR é variável, com curso crônico e recidivante. Cerca de 50-60% dos pacientes experimentam recorrências, e fatores como início precoce, gravidade dos episódios, comorbidades e baixa adesão ao tratamento pioram o desfecho. Com tratamento adequado (farmacoterapia e psicoterapia), a remissão é possível, mas a recuperação funcional pode ser incompleta. A mortalidade é aumentada por suicídio e comorbidades médicas.
Critérios diagnósticos
Segundo a CID-10, o diagnóstico requer a ocorrência de pelo menos dois episódios depressivos, com duração mínima de duas semanas cada, separados por intervalos de vários meses sem sintomas significativos. Cada episódio deve atender aos critérios para episódio depressivo (F32), incluindo pelo menos dois dos três sintomas principais: humor deprimido, perda de interesse e energia reduzida, além de outros sintomas adicionais. A gravidade é classificada como episódio leve (F33.0), moderado (F33.1) ou grave (F33.2), com ou sem sintomas psicóticos (F33.3). O DSM-5 complementa, exigindo que os episódios causem sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Transtorno bipolar
Caracterizado por episódios de mania ou hipomania intercalados com depressão, diferindo do TDR pela ausência de história de elevação do humor ou energia.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
Transtorno de ajustamento com humor deprimido
Sintomas depressivos em resposta a um estressor identificável, geralmente com duração menor e resolução após o estressor.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
Transtorno depressivo persistente (distimia)
Humores depressivos crônicos e menos graves, mas com duração de pelo menos dois anos, sem episódios depressivos maiores claros.
American Psychiatric Association. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
Transtorno devido a condição médica geral
Sintomas depressivos secundários a doenças como hipotireoidismo, doença de Parkinson ou uso de substâncias.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
Luto complicado
Reação de luto prolongada que pode mimetizar depressão, mas geralmente vinculada a uma perda específica e com curso temporal distinto.
American Psychiatric Association. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
Exames recomendados
Avaliação clínica e história psiquiátrica
Entrevista estruturada para identificar episódios passados, sintomas atuais, fatores de risco e comorbidades.
Estabelecer diagnóstico, gravidade e plano terapêutico.
Escalas de avaliação de depressão
Uso de instrumentos como PHQ-9 ou HAM-D para quantificar sintomas e monitorar resposta ao tratamento.
Avaliação objetiva da severidade dos sintomas e evolução.
Exames laboratoriais
Dosagem de TSH, vitamina B12, hemograma e perfil metabólico para excluir causas orgânicas.
Diagnóstico diferencial com condições médicas que mimetizam depressão.
Avaliação de risco suicida
Questionamento direto sobre ideação, plano e intento suicida, com avaliação de fatores protectores e de risco.
Prevenção de complicações graves e orientação de manejo urgente.
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Uso continuado de antidepressivos em dose terapêutica por pelo menos 6-12 meses após remissão para prevenir recorrências.
Identificação precoce
Rastreamento em populações de risco e intervenção rápida em episódios iniciais.
Manejo do estresse
Técnicas de relaxamento, mindfulness e suporte psicológico para reduzir gatilhos.
Vigilância e notificação
No Brasil, o TDR não é de notificação compulsória, mas é monitorado em sistemas de saúde mental, como o CAPS. A vigilância inclui rastreamento em atenção primária, notificação de tentativas de suicídio (quando aplicável) e integração com políticas de saúde mental. Profissionais devem documentar casos para planejamento de cuidados e epidemiológico.
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O transtorno depressivo recorrente envolve apenas episódios depressivos, enquanto o transtorno bipolar inclui episódios de mania ou hipomania. A ausência de história de elevação do humor é crucial para o diagnóstico diferencial.
Não há cura definitiva, mas o tratamento pode levar à remissão dos sintomas e prevenção de recorrências. O manejo é crônico, focando em controle a longo prazo e melhora da qualidade de vida.
Fatores incluem episódios prévios graves, comorbidades psiquiátricas, baixo suporte social, estressores psicossociais e não adesão ao tratamento de manutenção.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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