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CID F04: Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas

F04
Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas

Mais informações sobre o tema:

Definição

A síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas é um transtorno neurocognitivo caracterizado por um prejuízo grave e persistente da memória, resultante de uma condição médica orgânica, excluindo-se causas tóxicas como álcool ou outras substâncias psicoativas. A fisiopatologia envolve lesões ou disfunções em estruturas cerebrais críticas para a consolidação e recuperação de memórias, particularmente o sistema límbico, incluindo o hipocampo, os corpos mamilares e o fórnix, além de áreas do lobo temporal medial e diencéfalo. O impacto clínico é significativo, com comprometimento da capacidade de aprender novas informações (amnésia anterógrada) e, frequentemente, de recordar eventos passados (amnésia retrógrada), o que interfere profundamente na autonomia e funcionalidade do paciente. Epidemiologicamente, é uma condição relativamente rara, com incidência variável dependendo da etiologia subjacente, sendo mais comum em idosos devido a doenças cerebrovasculares ou neurodegenerativas, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária após eventos como traumatismo craniano, encefalite ou isquemia cerebral.

Descrição clínica

A síndrome amnésica orgânica manifesta-se por um déficit de memória predominante, com preservação relativa de outras funções cognitivas, como atenção, linguagem e habilidades visuoespaciais, embora possa haver comprometimentos associados dependendo da extensão da lesão. A amnésia anterógrada é o sintoma central, caracterizada por incapacidade de formar novas memórias episódicas, enquanto a amnésia retrógrada pode variar em extensão, afetando memórias recentes ou remotas. O paciente geralmente apresenta consciência preservada e orientação no tempo e espaço, mas pode exibir confabulações (invenção de memórias falsas) em tentativas de preencher lacunas mnésicas. A evolução é tipicamente crônica e estável, mas pode ser progressiva se associada a doenças neurodegenerativas.

Quadro clínico

O quadro clínico é dominado por amnésia anterógrada grave, com dificuldade em recordar eventos recentes ou aprender novas informações, frequentemente evidenciada em testes de memória imediata e tardia. Amnésia retrógrada pode estar presente, afetando memórias de meses a anos anteriores. Confabulações são comuns, especialmente na fase aguda. Outras funções cognitivas, como inteligência geral, linguagem e percepção, permanecem relativamente intactas, mas podem haver déficits leves em funções executivas. Sintomas comportamentais, como apatia ou desinibição, podem ocorrer secundariamente. A consciência e a atenção estão geralmente preservadas, sem delírio ou flutuação.

Complicações possíveis

Dependência funcional

Prejuízo na capacidade de realizar atividades diárias devido à amnésia, levando a necessidade de supervisão ou cuidados.

Isolamento social

Dificuldades em interações sociais decorrentes de lapsos de memória, resultando em solidão e impacto na saúde mental.

Sintomas psiquiátricos secundários

Desenvolvimento de depressão, ansiedade ou irritabilidade em resposta às limitações cognitivas.

Risco de acidentes

Aumento do risco de quedas, perda-se em locais familiares ou esquecimento de medicações, devido à amnésia.

Epidemiologia

A síndrome amnésica orgânica não induzida por substâncias é incomum, com prevalência estimada em menos de 1% na população geral, mas mais alta em grupos de risco, como idosos ou pacientes com história de traumatismo craniano. A incidência anual é baixa, variando conforme a causa; por exemplo, após traumatismo cranioencefálico grave, pode ocorrer em até 5% dos casos. Não há predileção por gênero, mas a idade avançada é um fator de risco devido à maior prevalência de doenças cerebrovasculares e neurodegenerativas.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia: em casos de lesões estáticas (ex.: pós-traumáticas ou vasculares), a amnésia pode ser permanente com estabilização, enquanto em doenças progressivas (ex.: neurodegenerativas), há piora gradual. Recuperação parcial é possível em algumas etiologias, como após encefalite tratada precocemente. O manejo multidisciplinar pode melhorar a funcionalidade, mas a cura completa é rara. Fatores como idade, comorbidades e extensão da lesão influenciam o desfecho.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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