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CID F01: Demência vascular
F010
Demência vascular de início agudo
F011
Demência por infartos múltiplos
F012
Demência vascular subcortical
F013
Demência vascular mista, cortical e subcortical
F018
Outra demência vascular
F019
Demência vascular não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A demência vascular é um transtorno neurocognitivo major resultante de lesões cerebrovasculares, caracterizado por um declínio progressivo ou gradual nas funções cognitivas, incluindo memória, atenção, funções executivas e linguagem, que interfere significativamente na independência funcional do indivíduo. Sua fisiopatologia envolve infartos isquêmicos, hemorragias cerebrais ou hipoperfusão crônica, levando a danos neuronais e desmielinização, frequentemente associados a fatores de risco vascular como hipertensão, diabetes e doença cardíaca. Epidemiologicamente, é a segunda causa mais comum de demência após a doença de Alzheimer, representando cerca de 15-20% dos casos em idosos, com incidência aumentada em populações com alta prevalência de doenças cardiovasculares. O impacto clínico inclui comprometimento da qualidade de vida, aumento da morbimortalidade e custos significativos para os sistemas de saúde.
Descrição clínica
A demência vascular manifesta-se por um quadro heterogêneo de declínio cognitivo, frequentemente de início abrupto ou escalonado, correlacionado com eventos cerebrovasculares. Os sintomas incluem déficits de memória, desorientação, dificuldades de planejamento e organização (funções executivas), alterações de humor como apatia ou labilidade emocional, e em alguns casos, sinais neurológicos focais como hemiparesia ou disartria. A progressão pode ser gradual ou step-wise, dependendo da natureza das lesões vasculares, e o curso clínico é influenciado por comorbidades como hipertensão arterial e aterosclerose.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, podendo incluir: início abrupto após acidente vascular cerebral (AVC), declínio cognitivo gradual com flutuações, déficits de memória de curto prazo, dificuldades executivas (e.g., planejamento, resolução de problemas), alterações comportamentais (apatia, irritabilidade), sinais neurológicos focais (e.g., fraqueza muscular, distúrbios da marcha), e em casos avançados, incontinência urinária. A apresentação pode ser influenciada pela localização das lesões, com envolvimento subcortical levando a bradifrenia e instabilidade postural.
Complicações possíveis
Acidente vascular cerebral recorrente
Aumento do risco de novos eventos isquêmicos ou hemorrágicos, exacerbando o declínio cognitivo.
Incapacidade funcional
Perda progressiva de autonomia para atividades diárias, levando a dependência de cuidadores.
Sintomas neuropsiquiátricos
Desenvolvimento de depressão, ansiedade, agitação ou psicose, complicando o manejo.
Quedas e fraturas
Distúrbios da marcha e equilíbrio aumentam o risco de traumatismos.
Infecções
Maior susceptibilidade a infecções como pneumonia devido a imobilidade e disfagia.
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A demência vascular é prevalente em idosos, com estimativas globais de 1-4% em pessoas acima de 65 anos, representando 15-20% de todas as demências. A incidência aumenta com a idade e é maior em homens e em populações com alta prevalência de doenças cardiovasculares. Fatores de risco incluem hipertensão, diabetes, tabagismo e história familiar. No Brasil, dados do DATASUS indicam subnotificação, mas a carga é substancial devido ao envelhecimento populacional.
Prognóstico
O prognóstico da demência vascular é variável, com sobrevida média de 3 a 5 anos após o diagnóstico, dependendo da gravidade das lesões, controle dos fatores de risco e comorbidades. A progressão pode ser step-wise, com estabilização entre eventos, mas o declínio cognitivo é geralmente inexorável. Intervenções precoces para controle vascular podem retardar a progressão, mas a recuperação completa é rara. A qualidade de vida é significativamente impactada, com alto custo socioeconômico.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se no DSM-5 para Transtorno Neurocognitivo Major Vascular e na CID-10, exigindo: 1) Evidência de declínio cognitivo em múltiplos domínios (e.g., memória, atenção, funções executivas) que interfere na funcionalidade; 2) Evidência de doença cerebrovascular (e.g., história de AVC, achados de imagem compatíveis com infartos ou lesões de substância branca); 3) Relação temporal entre o evento vascular e o início ou piora dos sintomas cognitivos. A confirmação frequentemente requer neuroimagem (ressonância magnética ou tomografia computadorizada) para demonstrar lesões vasculares.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença de Alzheimer
Demência de início insidioso com progressão gradual, predominância de déficits de memória episódica, e achados de imagem mostrando atrofia hipocampal, sem correlação direta com eventos vasculares.
DSM-5, American Psychiatric Association, 2013
Demência com corpos de Lewy
Caracterizada por flutuações cognitivas, alucinações visuais, parkinsonismo e sensibilidade a antipsicóticos, distinta pela ausência de história vascular proeminente.
McKeith et al., Neurology, 2017
Demência frontotemporal
Apresenta alterações comportamentais e de linguagem proeminentes, com preservação relativa da memória, e neuroimagem mostrando atrofia frontal e/ou temporal.
Rascovsky et al., Brain, 2011
Hidrocefalia de pressão normal
Tríade clássica de demência, distúrbios da marcha e incontinência urinária, com neuroimagem mostrando ventriculomegalia desproporcional à atrofia cortical.
Relkin et al., Neurology, 2005
Depressão major
Pode mimetizar demência com queixas cognitivas (pseudodemência), mas geralmente há humor deprimido, anedonia e resposta ao tratamento antidepressivo.
DSM-5, American Psychiatric Association, 2013
Exames recomendados
Ressonância magnética cerebral
Exame de imagem para detectar infartos, lesões de substância branca, atrofia e outras anormalidades vasculares.
Confirmar a presença de lesões cerebrovasculares e excluir outras causas de demência.
Tomografia computadorizada cerebral
Alternativa à ressonância para identificar infartos, hemorragias e atrofia, especialmente em contextos agudos.
Avaliar rapidamente eventos vasculares e estruturas cerebrais.
Avaliação neuropsicológica
Testes padronizados para quantificar déficits em memória, funções executivas, linguagem e outras áreas cognitivas.
Documentar o perfil cognitivo e monitorar a progressão.
Ecocardiograma
Ultrassonografia cardíaca para avaliar fontes de embolia, como fibrilação atrial ou valvulopatias.
Identificar fatores de risco cardíacos para eventos tromboembólicos.
Dosagem de biomarcadores (e.g., beta-amiloide, tau)
Análise de líquido cefalorraquidiano ou PET para diferenciar de doença de Alzheimer.
Auxiliar no diagnóstico diferencial em casos atípicos.
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Manter níveis pressóricos dentro das metas para reduzir o risco de AVC e doença de pequenos vasos.
Manejo do diabetes
Controle glicêmico rigoroso para prevenir micro e macroangiopatias.
Cessação do tabagismo
Abandonar o fumo para diminuir a progressão da aterosclerose.
Dieta saudável
Adoção de dietas como a mediterrânea, rica em frutas, vegetais e gorduras insaturadas.
Atividade física
Prática regular de exercícios para melhorar a circulação e saúde cerebral.
Vigilância e notificação
No Brasil, a demência vascular não é de notificação compulsória, mas é monitorada indiretamente através de sistemas como o DATASUS para morbidade hospitalar por AVC. A vigilância deve focar no controle de fatores de risco vasculares em programas de saúde pública, com orientações da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia para rastreamento em grupos de risco.
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Não, a demência vascular geralmente não é reversível, pois envolve danos neuronais permanentes. No entanto, o controle de fatores de risco pode retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
A demência vascular está ligada a eventos cerebrovasculares, com início abrupto ou step-wise e achados de imagem mostrando lesões vasculares, enquanto a doença de Alzheimer tem início insidioso, progressão gradual e é caracterizada por placas amiloides e emaranhados neurofibrilares.
A prevenção inclui controle rigoroso de hipertensão, diabetes e dislipidemia, cessação do tabagismo, dieta saudável, exercício físico regular e uso de antiagregantes plaquetários em pacientes de risco.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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