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CID F00: Demência na doença de Alzheimer
F000
Demência na doença de Alzheimer de início precoce
F001
Demência na doença de Alzheimer de início tardio
F002
Demência na doença de Alzheimer, forma atípica ou mista
F009
Demência não especificada na doença de Alzheimer
Mais informações sobre o tema:
Definição
A demência na doença de Alzheimer (DDA) é uma síndrome neurodegenerativa progressiva caracterizada por declínio cognitivo persistente e comprometimento funcional, resultante da patologia específica da doença de Alzheimer. A fisiopatologia envolve acúmulo de placas amiloides-beta e emaranhados neurofibrilares de proteína tau, levando à perda sináptica e neuronal, particularmente no córtex cerebral e hipocampo. O impacto clínico inclui prejuízos na memória, linguagem, funções executivas e comportamento, com evolução para dependência completa. Epidemiologicamente, é a causa mais comum de demência em idosos, representando aproximadamente 60-70% dos casos, com prevalência aumentando exponencialmente após os 65 anos. A progressão é inexorável, com sobrevida média de 4 a 8 anos após o diagnóstico, embora variável conforme comorbidades e fatores de risco.
Descrição clínica
A DDA manifesta-se inicialmente com comprometimento da memória episódica, seguido por déficits em múltiplos domínios cognitivos, como afasia, apraxia, agnosia e disfunção executiva. O curso é insidioso e progressivo, com agravamento ao longo de anos. Sintomas neuropsiquiátricos, como apatia, depressão, agitação e delírios, são frequentes. A avaliação clínica revela declínio do desempenho em atividades diárias, com necessidade de supervisão crescente. A fase terminal é marcada por imobilidade, incontinência e disfagia, aumentando o risco de infecções e desnutrição.
Quadro clínico
O quadro clínico evolui em estágios: estágio inicial com queixas de esquecimento, dificuldade em encontrar palavras e desorientação leve; estágio moderado com perda de memória acentuada, confusão, alterações de personalidade e dependência para atividades instrumentais; estágio avançado com perda de autonomia, incontinência, dificuldades de deglutição e imobilidade. Sintomas comportamentais e psicológicos da demência (BPSD) como agressividade, vagância, alucinações e distúrbios do sono são comuns. A progressão é contínua, com agravamento funcional e cognitivo mensurável em escalas como o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e a Clinical Dementia Rating (CDR).
Complicações possíveis
Infecções
Pneumonia por aspiração e infecções do trato urinário devido a disfagia e imobilidade no estágio avançado.
Desnutrição e desidratação
Resultam de dificuldades alimentares, agitação ou negligência autoalimentar.
Quedas e fraturas
Associadas a déficits motores, desorientação e uso de medicamentos psicotrópicos.
Síndrome do imobilismo
Leva a úlceras de pressão, trombose venosa profunda e contraturas articulares.
Agitação e agressividade
Comportamentos desafiantes que aumentam o risco de lesões e sobrecarga do cuidador.
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A DDA é a forma mais prevalente de demência, afetando cerca de 50 milhões de pessoas globalmente, com incidência dobrando a cada 5 anos após os 65 anos. No Brasil, estima-se que 1,2 milhão de casos existam, com subnotificação significativa. Fatores de risco incluem idade avançada, história familiar, baixa escolaridade, sexo feminino, e condições como diabetes e hipertensão. A carga socioeconômica é alta, devido aos custos com cuidados de longa duração e impacto nos cuidadores.
Prognóstico
O prognóstico é reservado, com progressão inevitável para dependência completa e óbito, geralmente em 4 a 8 anos após o diagnóstico. Fatores como idade avançada, comorbidades (e.g., cardiovasculares), gravidade inicial e presença de BPSD aceleram o declínio. Intervenções farmacológicas e não farmacológicas podem modestamente retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida, mas não alteram o curso fatal. A mortalidade é frequentemente por complicações como infecções ou eventos cardiovasculares.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, como os do NIA-AA (National Institute on Aging-Alzheimer's Association) ou DSM-5, exigindo: 1) Déficit cognitivo em pelo menos dois domínios (memória, atenção, linguagem, etc.), interferindo na funcionalidade; 2) Início insidioso e progressão gradual; 3) Exclusão de outras causas de demência. A confirmação definitiva é histopatológica, mas o diagnóstico provável utiliza biomarcadores (e.g., PET amiloide, dosagem de tau no LCR) e neuroimagem (ressonância magnética mostrando atrofia hipocampal). A avaliação deve incluir história detalhada, exame físico, testes cognitivos e investigação de comorbidades.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Demência vascular
Caracterizada por declínio cognitivo associado a evidências de doença cerebrovascular, com início abrupto e curso escalonado, frequentemente com sinais neurológicos focais.
OMS - CID-10, categoria F01
Demência com corpos de Lewy
Apresenta flutuações cognitivas, alucinações visuais proeminentes e parkinsonismo, com menor comprometimento de memória no início.
McKeith et al., 2017 - Critérios revisados para demência com corpos de Lewy
Demência frontotemporal
Manifesta-se com alterações comportamentais e de personalidade ou afasia progressiva primária, com relativa preservação da memória inicialmente.
Rascovsky et al., 2011 - Critérios para variantes comportamentais da demência frontotemporal
Demência na doença de Parkinson
Ocorre no contexto de doença de Parkinson estabelecida, com déficits cognitivos predominantemente subcorticais e flutuações.
Emre et al., 2007 - Critérios para demência na doença de Parkinson
Depressão pseudodemência
Simula demência com queixas cognitivas, mas com início mais agudo, humor deprimido e melhora com tratamento antidepressivo.
DSM-5 - Transtorno neurocognitivo devido a outra condição médica
Exames recomendados
Ressonância magnética cerebral
Avalia atrofia cortical e hipocampal, padrão típico da DDA, e exclui outras causas estruturais como tumores ou hidrocefalia.
Suporte diagnóstico e exclusão de diagnósticos diferenciais
PET com florbetapir ou similar
Detecta deposição de amiloide-beta no cérebro, aumentando a especificidade para DDA em casos duvidosos.
Confirmação de patologia amiloide
Dosagem de biomarcadores no LCR (Aβ42, tau total, p-tau)
Perfil de baixo Aβ42 e alto tau/p-tau sugere DDA, útil em diagnóstico precoce.
Manejo de hipertensão, diabetes e dislipidemia para reduzir risco de DDA, baseado em evidências de associação.
Estímulo à atividade cognitiva
Engajamento em educação, leitura e hobbies ao longo da vida, associado a menor incidência.
Dieta mediterrânea
Padrão alimentar rico em antioxidantes e ácidos graxos ômega-3, com potencial neuroprotetor.
Atividade física regular
Exercícios aeróbicos moderados promovem saúde vascular e cerebral, diminuindo risco.
Vigilância e notificação
No Brasil, a DDA não é de notificação compulsória, mas é monitorada por sistemas como o DATASUS e pesquisas epidemiológicas. A vigilância enfoca a identificação precoce em atenção primária, usando instrumentos como o Mini-Cog. Estratégias de saúde pública visam capacitar profissionais para manejo e reduzir estigma, alinhadas ao Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis.
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Formas familiares de início precoce (<5% dos casos) são autossômicas dominantes, ligadas a mutações em genes como APP, PSEN1 e PSEN2. A forma esporádica, mais comum, tem componente genético poligênico, com o alelo ε4 da ApoE aumentando o risco, mas não sendo determinante.
Não, atualmente não há cura. O tratamento foca em retardar a progressão, manejar sintomas e melhorar a qualidade de vida, com intervenções farmacológicas e não farmacológicas.
No envelhecimento normal, há esquecimento leve sem impacto funcional, enquanto na DDA o declínio é progressivo, afetando múltiplos domínios cognitivos e atividades diárias, com padrão típico em exames.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...