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CID I35: Transtornos não-reumáticos da valva aórtica
I350
Estenose (da valva) aórtica
I351
Insuficiência (da valva) aórtica
I352
Estenose (da valva) aórtica com insuficiência
I358
Outros transtornos da valva aórtica
I359
Transtornos não especificados da valva aórtica
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos não reumáticos da valva aórtica referem-se a um grupo de condições patológicas que afetam a valva aórtica, excluindo aquelas de origem reumática. Esses transtornos incluem estenose aórtica, insuficiência aórtica ou combinações, resultantes de causas como degeneração calcífica, doença congênita (como valva aórtica bicúspide), endocardite infecciosa, ou alterações relacionadas à idade. A fisiopatologia envolve obstrução ao fluxo sanguíneo (estenose) ou refluxo (insuficiência), levando a sobrecarga de pressão ou volume no ventrículo esquerdo, respectivamente. Clinicamente, manifestam-se com sintomas como dispneia, angina, síncope e sinais de insuficiência cardíaca, com impacto significativo na morbimortalidade, especialmente em idosos. Epidemiologicamente, a estenose aórtica degenerativa é a mais comum em países desenvolvidos, com prevalência aumentada com o envelhecimento populacional.
Descrição clínica
Os transtornos não reumáticos da valva aórtica caracterizam-se por alterações estruturais ou funcionais da valva aórtica, que podem ser estenóticas (obstrutivas) ou regurgitantes (insuficientes). A estenose aórtica resulta em gradiente pressórico através da valva, causando hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo e redução do débito cardíaco. A insuficiência aórtica leva a sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo, com dilatação e eventual disfunção sistólica. O quadro clínico varia desde assintomático até sintomas graves de insuficiência cardíaca, angina pectoris, síncope ou morte súbita. A progressão é geralmente lenta, mas pode acelerar com fatores como idade avançada ou comorbidades.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, dependendo da gravidade e duração da doença. Na estenose aórtica, os sintomas clássicos são dispneia aos esforços, angina pectoris e síncope, frequentemente precedidos por um longo período assintomático. Sinais incluem sopro sistólico em crescendo-decrescendo, melhor audível no foco aórtico, com irradiação para as carótidas, pulso parvus et tardus, e pressão arterial com pulso reduzido. Na insuficiência aórtica, os sintomas incluem dispneia, ortopneia, palpitações e fadiga; sinais característicos são sopro diastólico decrescente, pulso de Corrigan (colapso rápido), sinal de Musset (movimento cefálico com cada batimento) e pressão arterial com ampla pressão de pulso. Em estágios avançados, ambos podem apresentar sinais de insuficiência cardíaca direita, como edema periférico e hepatomegalia.
Complicações possíveis
Insuficiência cardíaca
Descompensação devido à sobrecarga ventricular progressiva, levando a edema pulmonar e baixo débito cardíaco.
Morte súbita cardíaca
Risco aumentado em estenose aórtica sintomática grave, associado a arritmias ventriculares.
Endocardite infecciosa
Valvas danificadas são mais susceptíveis a colonização bacteriana, com risco de embolização e destruição valvar.
Arritmias
Fibrilação atrial comum, devido à dilatação atrial, aumentando risco tromboembólico.
Disfunção ventricular esquerda irreversível
Ocorre com tratamento tardio, resultando em fração de ejeção reduzida e pior prognóstico.
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Os transtornos não reumáticos da valva aórtica são prevalentes, especialmente em idosos. A estenose aórtica degenerativa calcífica afeta 2-7% da população acima de 65 anos, sendo a valvopatia mais comum em países desenvolvidos. A valva aórtica bicúspide congênita ocorre em 1-2% da população, predispondo a estenose ou insuficiência precoce. A insuficiência aórtica tem prevalência estimada em 0,5-1,5% em adultos. A incidência aumenta com a idade, hipertensão e fatores de risco cardiovascular. No Brasil, dados do DATASUS indicam crescente carga devido ao envelhecimento populacional, com hospitalizações significativas por complicações.
Prognóstico
O prognóstico depende do tipo e gravidade do transtorno, tempo de diagnóstico e intervenção. Na estenose aórtica sintomática, a sobrevida média sem tratamento é de 2-3 anos após o início dos sintomas. A insuficiência aórtica tem curso variável, com sobrevida de 10 anos em assintomáticos, mas declínio rápido após o início dos sintomas. Intervenções como troca valvar aórtica cirúrgica ou por cateter (TAVR) melhoram significativamente a sobrevida e qualidade de vida. Fatores como idade, comorbidades e função ventricular influenciam os desfechos. Seguimento regular é essencial para detecção precoce de deterioração.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico, ecocardiograma transtorácico (padrão-ouro) e, se necessário, cateterismo cardíaco. Para estenose aórtica, critérios incluem gradiente médio ≥40 mmHg, área valvar <1,0 cm² (estenose grave) ou velocidade máxima ≥4,0 m/s no ecocardiograma. Para insuficiência aórtica, critérios envolvem regurgitação grave evidenciada por jato regurgitante largo na origem, vena contracta ≥0,6 cm, ou fração de regurgitação ≥50% no ecocardiograma. Sintomas como dispneia NYHA classe II-IV, síncope ou angina corroboram a gravidade. Diretrizes da American Heart Association/American College of Cardiology (AHA/ACC) e da European Society of Cardiology (ESC) são referências para estratificação e indicação de intervenção.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença reumática da valva aórtica
Causada por febre reumática, com fusão comissural e espessamento valvar, frequentemente associada a envolvimento mitral; diferencia-se por história de infecção estreptocócica e achados ecocardiográficos específicos.
Diretrizes Brasileiras de Valvopatias - Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2021
Miocardiopatia hipertrófica obstrutiva
Causa estenose dinâmica do trato de saída do ventrículo esquerdo, com sopro sistólico que varia com manobras; diferencia-se por ecocardiograma mostrando hipertrofia assimétrica do septo.
ESC Guidelines for the diagnosis and management of hypertrophic cardiomyopathy, 2014
Estenose supravalvar aórtica
Obstrução acima da valva aórtica, como na síndrome de Williams; diferencia-se por ecocardiograma ou ressonância magnética cardíaca mostrando estreitamento da aorta ascendente.
AHA Scientific Statement on Congenital Heart Disease in Adults, 2018
Endocardite infecciosa
Pode causar destruição valvar aguda com insuficiência aórtica; diferencia-se por febre, hemoculturas positivas e vegetações no ecocardiograma.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Infectologia para Endocardite Infecciosa, 2020
Insuficiência mitral
Causa sopro holossistólico no ápice, com sintomas semelhantes; diferencia-se por localização do sopro e achados ecocardiográficos de regurgitação mitral.
AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease, 2020
Exames recomendados
Ecocardiograma transtorácico
Exame de imagem não invasivo para avaliar anatomia valvar, gradientes pressóricos, área valvar, grau de regurgitação e função ventricular.
Confirmar diagnóstico, estratificar gravidade e monitorar progressão.
Eletrocardiograma
Registro da atividade elétrica cardíaca para detectar hipertrofia ventricular esquerda, arritmias ou alterações isquêmicas.
Avaliar complicações elétricas e sobrecarga ventricular.
Radiografia de tórax
Imagem para visualizar tamanho cardíaco, calcificações valvares e congestão pulmonar.
Detectar cardiomegalia e sinais de insuficiência cardíaca.
Cateterismo cardíaco
Procedimento invasivo para medir pressões intracardíacas e gradientes, e realizar angiografia coronariana.
Confirmar gravidade hemodinâmica e avaliar doença arterial coronariana associada antes de cirurgia.
Ressonância magnética cardíaca
Imagem de alta resolução para quantificar volumes ventriculares, fração de ejeção e grau de regurgitação, útil em casos complexos.
Complementar avaliação quando o ecocardiograma é inconclusivo.
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Uso de antibióticos antes de procedimentos odontológicos ou invasivos em pacientes de alto risco, conforme diretrizes.
Controle de fatores de risco cardiovascular
Manejo rigoroso de hipertensão, diabetes, dislipidemia e obesidade para retardar progressão da doença valvar.
Rastreamento ecocardiográfico
Em grupos de risco, como portadores de valva bicúspide ou idosos com sopro, para detecção precoce.
Vigilância e notificação
No Brasil, transtornos valvares não são de notificação compulsória universal, mas devem ser registrados em sistemas de saúde para vigilância epidemiológica, como o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS). A vigilância inclui monitoramento de complicações, como endocardite, e indicadores de qualidade em cirurgias cardíacas. Profissionais devem notificar surtos de endocardite ou eventos adversos pós-intervenção conforme normas da ANVISA. Programas de rastreamento em grupos de risco (ex.: idosos com sopro) são recomendados para detecção precoce.
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Estenose aórtica é o estreitamento da valva, obstruindo o fluxo sanguíneo do ventrículo esquerdo para a aorta, enquanto insuficiência aórtica é o fechamento inadequado da valva, permitindo refluxo sanguíneo da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole.
Está indicada em estenose aórtica grave sintomática, insuficiência aórtica grave sintomática, ou assintomática com disfunção ventricular esquerda, baseando-se em ecocardiograma e diretrizes como AHA/ACC.
Sim, mas com moderação e sob orientação médica; atividades intensas devem ser evitadas em estenose aórtica grave sintomática devido ao risco de síncope ou morte súbita.
Não, apenas em pacientes de alto risco, como portadores de próteses valvares ou história de endocardite, antes de procedimentos odontológicos ou invasivos, conforme diretrizes atualizadas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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