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CID I34: Transtornos não-reumáticos da valva mitral
I340
Insuficiência (da valva) mitral
I341
Prolapso (da valva) mitral
I342
Estenose (da valva) mitral, não-reumática
I348
Outros transtornos não-reumáticos da valva mitral
I349
Transtornos não-reumáticos da valva mitral, não especificados
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos não reumáticos da valva mitral referem-se a afecções da valva mitral que não são causadas por febre reumática, abrangendo principalmente insuficiência mitral, estenose mitral e prolapso da valva mitral. Essas condições resultam de alterações estruturais ou funcionais da valva, como degeneração mixomatosa, calcificação anular, disfunção do aparelho valvar ou causas congênitas, levando a distúrbios hemodinâmicos significativos. O impacto clínico varia desde assintomático até insuficiência cardíaca, arritmias e aumento do risco de eventos tromboembólicos, com prevalência que aumenta com a idade e associação a fatores como hipertensão e doença arterial coronariana. A epidemiologia mostra que a insuficiência mitral é a forma mais comum de doença valvar em países desenvolvidos, frequentemente relacionada a degeneração mixomatosa ou isquemia miocárdica.
Descrição clínica
Os transtornos não reumáticos da valva mitral caracterizam-se por disfunção valvar que pode manifestar-se como insuficiência (regurgitação), estenose (obstrução ao fluxo) ou prolapso, com sintomas dependentes da gravidade e duração. A apresentação clínica inclui dispneia, fadiga, palpitações, ortopneia e, em casos avançados, sinais de insuficiência cardíaca direita como edema periférico. A ausculta cardíaca revela sopros característicos, como sopro holossistólico em insuficiência mitral ou sopro mesodiastólico em estenose, além de estalidos no prolapso. A progressão pode levar a dilatação atrial esquerda, fibrilação atrial, hipertensão pulmonar e complicações como endocardite infecciosa.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável: pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar dispneia aos esforços, fadiga, palpitações (frequentemente por fibrilação atrial), dor torácica atípica e, em estágios avançados, ortopneia, dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores. Sinais físicos incluem sopro holossistólico irradiado para axila na insuficiência mitral, estalido mesossistólico seguido de sopro tardiosistólico no prolapso, e sopro diastólico com estalido de abertura na estenose. Complicações agudas podem incluir edema agudo de pulmão, embolia sistêmica e endocardite.
Complicações possíveis
Insuficiência cardíaca
Descompensação devido à sobrecarga volumétrica ou pressórica, levando a edema pulmonar e baixo débito cardíaco.
Fibrilação atrial
Arritmia comum por dilatação atrial, aumentando risco de acidente vascular cerebral.
Endocardite infecciosa
Infecção valvar, mais frequente em valvas danificadas, com risco de embolização e abscesso.
Hipertensão pulmonar
Elevação da pressão arterial pulmonar secundária à congestão venosa, podendo evoluir para cor pulmonale.
Embolia sistêmica
Tromboembolismo a partir de trombos atriais, causando acidente vascular cerebral ou isquemia periférica.
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A prevalência de transtornos não reumáticos da valva mitral é significativa, com insuficiência mitral sendo a valvopatia mais comum em adultos, afetando cerca de 2% da população geral, e aumentando com a idade. O prolapso da valva mitral ocorre em 2-3% da população, com predomínio em mulheres jovens. A estenose mitral não reumática é rara, frequentemente associada a calcificação anular em idosos. Fatores de risco incluem hipertensão, diabetes, e doença arterial coronariana, com variações geográficas; em países em desenvolvimento, formas reumáticas ainda predominam, mas em desenvolvidos, as degenerativas são mais frequentes.
Prognóstico
O prognóstico depende do tipo e gravidade do transtorno, resposta ao tratamento e presença de comorbidades. Na insuficiência mitral crônica assintomática, a sobrevida é boa, mas com sintomas ou disfunção ventricular, a mortalidade em 5 anos pode exceder 50% sem intervenção. O prolapso da valva mitral geralmente tem bom prognóstico, mas formas com regurgitação significativa aumentam risco de complicações. Intervenções cirúrgicas, como reparo ou substituição valvar, melhoram a sobrevida e qualidade de vida, com fatores adversos incluindo idade avançada, fibrilação atrial e comorbidades cardiovasculares.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, ecocardiográficos e, quando necessário, hemodinâmicos. Segundo as Diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia, inclui: história clínica sugestiva, exame físico com achauscultatórios característicos, ecocardiograma transtorácico demonstrando anomalias valvares (e.g., prolapso >2 mm além do plano anular, regurgitação mitral moderada a grave por Doppler), e confirmação por cateterismo cardíaco em casos duvidosos. Critérios adicionais envolvem avaliação da gravidade por parâmetros como área valvar mitral 60 mL para insuficiência.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença reumática da valva mitral
Causada por febre reumática, com espessamento comissural e fusão, diferenciada por história de artrite migratória e achados ecocardiográficos específicos.
Diretrizes Brasileiras de Valvopatias - Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2021
Cardiomiopatia hipertrófica
Pode simular insuficiência mitral por obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo, distinguida por ecocardiograma mostrando hipertrofia assimétrica do septo.
UpToDate: Hypertrophic Cardiomyopathy, 2023
Endocardite infecciosa
Causa regurgitação mitral aguda com vegetações valvares, diferenciada por febre, hemoculturas positivas e ecocardiograma transesofágico.
Guidelines ESC on Infective Endocarditis, 2015
Disfunção ventricular esquerda
Insuficiência mitral funcional secundária a dilatação ventricular, distinguida por fração de ejeção reduzida e ausência de doença valvar primária.
PubMed: Functional Mitral Regurgitation, 2020
Estenose aórtica
Pode coexistir ou confundir-se com estenose mitral, diferenciada por sopro sistólico em foco aórtico e ecocardiograma mostrando valva aórtica calcificada.
Micromedex: Aortic Stenosis, 2022
Exames recomendados
Ecocardiograma transtorácico
Exame de imagem não invasivo para avaliar anatomia valvar, grau de regurgitação ou estenose, função ventricular e hipertensão pulmonar.
Diagnóstico e estratificação da gravidade da doença valvar.
Eletrocardiograma
Avalia ritmo cardíaco, hipertrofia atrial ou ventricular, e presença de arritmias como fibrilação atrial.
Detecção de complicações arrítmicas e sobrecarga cardíaca.
Radiografia de tórax
Mostra cardiomegalia, congestão pulmonar e calcificações valvares.
Avaliação de complicações pulmonares e tamanho cardíaco.
Cateterismo cardíaco
Mede pressões intracardíacas e gradientes valvares, utilizado quando ecocardiograma é inconclusivo ou para planejamento cirúrgico.
Confirmação hemodinâmica e avaliação de coronariopatia associada.
Ressonância magnética cardíaca
Fornece imagens detalhadas da morfologia valvar e quantificação de volumes ventriculares, útil em casos complexos.
Avaliação complementar da função cardíaca e planejamento terapêutico.
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Uso de antibióticos antes de procedimentos odontológicos ou invasivos em pacientes de alto risco, conforme diretrizes.
Controle de fatores de risco cardiovascular
Manejo de hipertensão, diabetes e dislipidemia para retardar progressão da doença valvar.
Acompanhamento ecocardiográfico regular
Monitoramento periódico para detecção precoce de piora da função valvar.
Vigilância e notificação
No Brasil, essas condições não são de notificação compulsória, mas a vigilância é realizada por meio de sistemas de saúde para monitorar complicações e indicadores de qualidade em cardiologia. Recomenda-se acompanhamento regular em serviços especializados, com notificação de eventos como endocardite ou complicações tromboembólicas conforme protocolos locais. Programas de saúde pública focam em prevenção secundária, como controle de fatores de risco cardiovascular, e a ANVISA regulamenta dispositivos valvares e medicamentos.
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Indicações incluem sintomas graves (classe funcional III-IV NYHA), disfunção ventricular esquerda (fração de ejeção <60%), dilatação ventricular significativa, ou hipertensão pulmonar, baseadas em diretrizes como as da American Heart Association.
Não, a maioria dos casos é benigna e assintomática, necessitando apenas de acompanhamento; tratamento farmacológico ou cirúrgico é reservado para regurgitação significativa ou complicações.
A estenose reumática apresenta espessamento comissural e fusão, com história de febre reumática, enquanto a não reumática é frequentemente por calcificação anular em idosos, sem antecedentes reumáticos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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