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CID I05: Doenças reumáticas da valva mitral
I050
Estenose mitral
I051
Insuficiência mitral reumática
I052
Estenose mitral com insuficiência
I058
Outras doenças da valva mitral
I059
Doença não especificada da valva mitral
Mais informações sobre o tema:
Definição
As doenças reumáticas da valva mitral referem-se a um grupo de condições cardíacas que afetam a valva mitral, resultantes de sequelas da febre reumática aguda. A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica desencadeada por uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes do grupo A, que pode levar a cardite, artrite, coreia, entre outras manifestações. A valva mitral é a mais comumente envolvida, com alterações que incluem estenose, insuficiência ou uma combinação de ambas, devido a processos de fibrose, fusão comissural e espessamento das cúspides. Essas alterações podem resultar em disfunção hemodinâmica significativa, com impacto na sobrevida e qualidade de vida dos pacientes. A epidemiologia mostra uma maior prevalência em regiões com baixos recursos socioeconômicos, onde o acesso a cuidados de saúde é limitado, e a incidência tem diminuído em países desenvolvidos devido a melhorias no diagnóstico e tratamento de infecções estreptocócicas.
Descrição clínica
As doenças reumáticas da valva mitral caracterizam-se por alterações estruturais progressivas na valva mitral, frequentemente resultando em estenose mitral (obstrução ao fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo) ou insuficiência mitral (regurgitação de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo). A estenose mitral é marcada por fusão comissural e espessamento das cúspides, levando a um gradiente de pressão transvalvar, enquanto a insuficiência mitral envolve retração ou ruptura das cordas tendíneas, causando regurgitação. Clinicamente, os pacientes podem apresentar dispneia, fadiga, palpitações, e em casos avançados, sinais de insuficiência cardíaca, como edema periférico e hepatomegalia. A progressão é lenta, mas pode levar a complicações como fibrilação atrial, embolia sistêmica e hipertensão pulmonar.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a gravidade e o tipo de disfunção valvar. Na estenose mitral, os sintomas incluem dispneia progressiva (especialmente aos esforços e ortopneia), fadiga, tosse, hemoptise e palpitações. Sinais físicos podem incluir estalido de abertura mitral, sopro diastólico em rolamento, e em casos avançados, sinais de insuficiência cardíaca direita como edema de membros inferiores e hepatomegalia. Na insuficiência mitral, os pacientes podem relatar dispneia, fadiga, e sopro holossistólico audível no ápice cardíaco. Complicações como fibrilação atrial, embolia sistêmica e endocardite infecciosa podem agravar o quadro. A apresentação pode ser assintomática nos estágios iniciais, com sintomas surgindo apenas após anos de progressão.
Complicações possíveis
Fibrilação atrial
Arritmia comum devido à dilatação atrial, aumentando o risco de eventos tromboembólicos como acidente vascular cerebral.
Embolia sistêmica
Oclusão vascular por trombos formados no átrio esquerdo, podendo levar a isquemia cerebral ou periférica.
Insuficiência cardíaca
Deterioração da função ventricular devido à sobrecarga de volume ou pressão, resultando em sintomas como edema e dispneia.
Hipertensão pulmonar
Aumento da pressão na circulação pulmonar secundário à obstrução mitral, podendo evoluir para cor pulmonale.
Endocardite infecciosa
Infecção da valva mitral danificada, agravando a disfunção valvar e requerendo antibioticoterapia agressiva.
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A prevalência de doenças reumáticas da valva mitral é maior em países em desenvolvimento, especialmente na Ásia, África e América Latina, onde a febre reumática aguda ainda é comum devido a condições socioeconômicas desfavoráveis. Estima-se que afete aproximadamente 15-20 milhões de pessoas globalmente, com incidência anual de 1-2 casos por 100.000 em regiões endêmicas. No Brasil, a doença é mais frequente em áreas com baixa renda e acesso limitado à saúde, com predomínio em jovens e adultos de meia-idade. A redução na incidência em países desenvolvidos está associada ao uso de antibióticos para infecções estreptocócicas.
Prognóstico
O prognóstico depende da gravidade da doença valvar, adesão ao tratamento e presença de complicações. Em estenose mitral sintomática não tratada, a sobrevida média é de 5-10 anos, enquanto a intervenção cirúrgica ou por valvuloplastia pode melhorar significativamente a sobrevida e qualidade de vida. Fatores adversos incluem idade avançada, fibrilação atrial, hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca. O acompanhamento regular com ecocardiografia é essencial para monitorar a progressão e otimizar o momento da intervenção.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica de febre reumática prévia, achados físicos característicos (como sopros cardíacos), e confirmação por exames de imagem. Critérios incluem: 1) Evidência ecocardiográfica de estenose mitral (área valvar <1,5 cm²) ou insuficiência mitral significativa; 2) História compatível com febre reumática aguda, de acordo com os critérios de Jones revisados; 3) Exclusão de outras causas de doença valvar mitral. A ecocardiografia transtorácica é o padrão-ouro para avaliação da anatomia e função valvar, permitindo quantificar a gravidade e planejar o tratamento.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Prolapso da valva mitral
Condição caracterizada por deslocamento anormal das cúspides da valva mitral para o átrio esquerdo durante a sístole, muitas vezes idiopática ou associada a síndromes do tecido conjuntivo, sem história de febre reumática.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Valvopatias (2021)
Endocardite infecciosa
Infecção da valva mitral que pode causar destruição valvar e regurgitação, mas geralmente associada a febre, hemoculturas positivas e ausência de história reumática prévia.
Guidelines da American Heart Association para Endocardite Infecciosa (2015)
Cardiomiopatia dilatada
Dilatação ventricular que pode levar a insuficiência mitral funcional devido à dilatação do anel mitral, sem alterações estruturais primárias da valva.
Diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia para Cardiomiopatias (2014)
Doença valvar mitral degenerativa
Alterações valvares relacionadas ao envelhecimento ou calcificação, comum em idosos, sem relação com febre reumática.
Guidelines da American College of Cardiology/American Heart Association para Valvopatias (2020)
Estenose mitral congênita
Malformação valvar presente desde o nascimento, rara e geralmente diagnosticada na infância, sem história de febre reumática.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para Cardiopatias Congênitas (2019)
Exames recomendados
Ecocardiografia transtorácica
Exame de imagem não invasivo que avalia a anatomia e função da valva mitral, medindo área valvar, gradientes de pressão e grau de regurgitação.
Confirmar o diagnóstico, quantificar a gravidade da estenose ou insuficiência, e guiar decisões terapêuticas.
Eletrocardiograma
Registro da atividade elétrica cardíaca para detectar arritmias como fibrilação atrial, hipertrofia atrial esquerda ou ventricular.
Avaliar complicações arrítmicas e sobrecarga cardíaca.
Radiografia de tórax
Imagem que pode mostrar cardiomegalia, congestão pulmonar ou calcificações valvares.
Identificar sinais indiretos de doença valvar avançada e complicações pulmonares.
Cateterismo cardíaco
Procedimento invasivo para medir pressões intracardíacas e gradientes, utilizado quando a ecocardiografia é inconclusiva.
Avaliação hemodinâmica precisa em casos complexos ou pré-cirúrgicos.
Teste de esforço
Avaliação da tolerância ao exercício e resposta hemodinâmica sob estresse.
Determinar a capacidade funcional e indicar o momento para intervenção em pacientes assintomáticos.
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Uso de antibióticos como penicilina em faringoamigdalites para prevenir a febre reumática inicial.
Profilaxia antibiótica contínua
Administração regular de penicilina benzatina em pacientes com história de febre reumática para evitar recidivas e progressão da doença valvar.
Educação em saúde
Programas comunitários para reconhecer sintomas de infecções estreptocócicas e febre reumática, promovendo busca precoce por cuidados médicos.
Vigilância e notificação
No Brasil, a febre reumática aguda e suas sequelas, como as doenças reumáticas cardíacas, são de notificação compulsória em alguns estados, visando monitorar surtos e implementar medidas preventivas. Programas de saúde pública focam no diagnóstico precoce de infecções estreptocócicas e tratamento com penicilina para prevenir recorrências. A vigilância inclui educação comunitária sobre sintomas de febre reumática e encaminhamento para avaliação cardiológica em casos suspeitos.
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A principal causa é a febre reumática aguda, uma complicação autoimune de infecções por Streptococcus pyogenes do grupo A, que leva a inflamação e danos crônicos na valva mitral.
O diagnóstico é baseado na história clínica de febre reumática, achados físicos como sopro diastólico, e confirmação por ecocardiografia transtorácica, que mostra fusão comissural e redução da área valvar.
As opções incluem manejo farmacológico com diuréticos e inibidores da ECA para alívio sintomático, e intervenções como cirurgia de troca ou reparo valvar em casos graves. A profilaxia com penicilina é essencial para prevenir recorrências.
Não é curável, mas o tratamento pode controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Intervenções cirúrgicas ou percutâneas podem corrigir defeitos valvares, mas a profilaxia antibiótica contínua é necessária para evitar progressão.
As complicações incluem fibrilação atrial, embolia sistêmica, insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar, devido à obstrução do fluxo sanguíneo e sobrecarga atrial esquerda.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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