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CID I26: Embolia pulmonar
I260
Embolia pulmonar com menção de cor pulmonale agudo
I269
Embolia pulmonar sem menção de cor pulmonale agudo
Mais informações sobre o tema:
Definição
A embolia pulmonar (EP) é uma condição aguda e potencialmente fatal caracterizada pela oclusão de artérias pulmonares por êmbolos, geralmente trombos originados do sistema venoso profundo. A fisiopatologia envolve a obstrução mecânica do fluxo sanguíneo pulmonar, levando a aumento da resistência vascular pulmonar, sobrecarga do ventrículo direito e desequilíbrio ventilação-perfusão, resultando em hipoxemia. Clinicamente, manifesta-se com dispneia, dor torácica pleurítica e taquicardia, podendo evoluir para choque cardiogênico e morte súbita. Epidemiologicamente, a EP tem incidência anual de 60-120 casos por 100.000 habitantes, com mortalidade de até 30% em casos não tratados, sendo mais comum em idosos, pacientes com imobilização prolongada ou trombofilias.
Descrição clínica
A embolia pulmonar apresenta um espectro clínico variável, desde formas assintomáticas até colapso hemodinâmico. Os sintomas agudos incluem dispneia de início súbito (presente em 73% dos casos), dor torácica pleurítica (44%), tosse (37%) e hemoptise (13%). Sinais físicos comuns são taquipneia (>20 rpm em 70%), taquicardia (30%), febre baixa e estertores pulmonares. Em casos graves, observa-se hipotensão, síncope e sinais de insuficiência ventricular direita, como ingurgitamento jugular e galope. A apresentação clínica depende do tamanho do êmbolo, da reserva cardiopulmonar do paciente e da presença de comorbidades.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de acordo com a gravidade: EP de baixo risco (hemodinamicamente estável, sem disfunção ventricular direita), EP submaciça (com disfunção ventricular direita mas sem instabilidade hemodinâmica) e EP maciça (com choque ou parada cardiorrespiratória). Sintomas comuns: dispneia aguda, dor torácica (pleurítica ou substernal), tosse, hemoptise, síncope. Sinais: taquipneia, taquicardia, febre, estertores, atrito pleural, ingurgitamento jugular, reforço da componente pulmonar de B2. Em EP maciça, há hipotensão (<90 mmHg), cianose e alteração do nível de consciência.
Complicações possíveis
Insuficiência ventricular direita aguda
Dilatação e disfunção do ventrículo direito devido à sobrecarga de pressão, podendo evoluir para choque cardiogênico.
Hipoxemia grave
Redução da oxigenação sanguínea por desequilíbrio V/Q, necessitando suporte ventilatório.
Morte súbita
Parada cardiorrespiratória por obstrução maciça do tronco da artéria pulmonar ou ramos principais.
Hipertensão pulmonar tromboembólica crônica
Evolução para obstrução vascular organizada, com hipertensão pulmonar progressiva e insuficiência cardíaca direita.
Recorrência de embolia
Novos episódios de EP devido à anticoagulação inadequada ou fatores de risco persistentes.
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A incidência anual de embolia pulmonar é de 60-120 casos por 100.000 habitantes em países ocidentais, com aumento com a idade (pico em >70 anos). A mortalidade global é de 10-30%, sendo a terceira causa mais comum de morte cardiovascular. Fatores de risco incluem imobilização (30-50% dos casos), cirurgia recente (especialmente ortopédica), câncer (20%), trombofilias hereditárias (ex.: fator V Leiden presente em 5% da população geral), gestação e uso de estrogênios. A EP é mais frequente em mulheres (razão 1,2:1) e tem sazonalidade (maior incidência no inverno).
Prognóstico
O prognóstico da embolia pulmonar depende da extensão da obstrução, da reserva cardiopulmonar e do tratamento precoce. A mortalidade hospitalar é de 1-8% em casos de baixo risco, mas pode chegar a 30-50% em EP maciça. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, câncer, insuficiência cardíaca prévia, hipotensão e disfunção ventricular direita. Com anticoagulação adequada, a taxa de recorrência em 3 meses é de 2-3%. A hipertensão pulmonar tromboembólica crônica desenvolve-se em 0,1-4% dos sobreviventes, necessitando de intervenção cirúrgica (endoarterectomia pulmonar).
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, de imagem e laboratoriais. Escalas de probabilidade clínica (como Wells ou Geneva revisada) são usadas para estratificar risco. Critérios incluem: 1) Suspeita clínica (dispneia aguda, dor torácica, fatores de risco para TVP); 2) Exames complementares: D-dímero elevado (útil para excluir EP em pacientes de baixa probabilidade), alterações no ECG (taquicardia sinusal, S1Q3T3, bloqueio de ramo direito), radiografia de tórax (atelectasia, derrame pleural); 3) Confirmação por angiotomografia de tórax (gold standard, mostra defeitos de enchimento arterial), cintilografia ventilação-perfusão (em gestantes ou alergia a contraste) ou ecocardiograma (dilatação ventricular direita).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Infarto agudo do miocárdio
Dor torácica substernal, alterações eletrocardiográficas (supradesnivelamento de ST), elevação de troponina; diferenciação por angiotomografia ou coronariografia.
Diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia 2019
Pneumonia
Febre, tosse produtiva, consolidação pulmonar na radiografia; diferenciação por ausência de defeitos de enchimento na angiotomografia.
Diretrizes da American Thoracic Society 2019
Insuficiência cardíaca aguda
Dispneia, edema periférico, estertores; diferenciação por ecocardiograma (função ventricular esquerda reduzida) e BNP elevado.
Diretrizes da American Heart Association 2020
Pericardite aguda
Dor torácica pleurítica, atrito pericárdico, alterações difusas no ECG; diferenciação por ecocardiograma (derrame pericárdico).
Diretrizes da European Society of Cardiology 2015
Pneumotórax
Dispneia aguda, hiperressonância à percussão, linha pleural na radiografia; diferenciação por angiotomografia ou radiografia.
Diretrizes da British Thoracic Society 2010
Exames recomendados
D-dímero
Teste quantitativo por ELISA ou imunoturbidimetria; valores elevados indicam fibrinólise, mas inespecífico.
Excluir EP em pacientes com baixa probabilidade clínica (valor preditivo negativo >95%).
Angiotomografia de tórax
Tomografia com contraste iodado, cortes finos; demonstra defeitos de enchimento nas artérias pulmonares.
Confirmação diagnóstica de EP (sensibilidade 83-100%, especificidade 89-97%).
Uso de heparinas de baixo peso molecular ou fondaparinux em pacientes de alto risco (pós-cirúrgicos, imobilizados).
Meias de compressão graduada
Reduzem a estase venosa em membros inferiores, indicadas em viagens longas ou imobilização.
Deambulação precoce
Incentivo à mobilização após cirurgia ou doença aguda para promover retorno venoso.
Hidratação adequada
Mantém o volume sanguíneo e reduz a viscosidade, diminuindo o risco de trombose.
Vigilância e notificação
A embolia pulmonar não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas sua vigilância é importante em contextos hospitalares para monitorar complicações pós-cirúrgicas ou relacionadas a imobilização. Recomenda-se a implementação de protocolos de profilaxia de TVP em pacientes de alto risco (escores como Caprini ou Padua). Em surtos ou casos associados a dispositivos médicos, notificação ao sistema de vigilância sanitária pode ser necessária. A OMS recomenda monitoramento de tendências epidemiológicas para orientar políticas de saúde.
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O tempo depende da causa: 3 meses para EP provocada (ex.: pós-cirurgia), 6-12 meses para não provocada, e indefinido para recidivas ou trombofilias de alto risco, baseado em diretrizes como as da ESC 2019.
Sim, a mortalidade pode chegar a 50% em EP maciça, devido a obstrução crítica e insuficiência cardíaca direita; o tratamento precoce reduz significativamente o risco.
Incluem sangramento ativo, AVC hemorrágico recente, cirurgia maior nas últimas 4 semanas, e hipertensão grave não controlada; a avaliação risco-benefício é crucial.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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