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CID I10: Hipertensão essencial (primária)
I10
Hipertensão essencial (primária)
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hipertensão essencial, também conhecida como hipertensão primária, é uma condição clínica caracterizada pela elevação sustentada da pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, na ausência de uma causa secundária identificável. Representa aproximadamente 90-95% dos casos de hipertensão arterial, sendo uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular global. Sua fisiopatologia envolve uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais e neuro-humorais, resultando em disfunção endotelial, aumento da resistência vascular periférica e alterações no sistema renina-angiotensina-aldosterona. O impacto clínico inclui danos a órgãos-alvo, como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos, aumentando o risco de eventos cardiovasculares adversos, como acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e insuficiência renal crônica. Epidemiologicamente, é mais prevalente em adultos, com aumento da incidência com a idade, e está associada a fatores de risco modificáveis, como obesidade, sedentarismo, dieta rica em sódio e consumo excessivo de álcool.
Descrição clínica
A hipertensão essencial é geralmente assintomática nas fases iniciais, sendo frequentemente detectada em exames de rotina. Quando sintomática, pode manifestar-se com cefaleia, tontura, zumbido, visão turva ou epistaxe. A progressão da doença pode levar a complicações como hipertrofia ventricular esquerda, retinopatia hipertensiva, proteinúria e disfunção renal. O diagnóstico é baseado em múltiplas medidas da pressão arterial, realizadas em condições adequadas, e a avaliação deve incluir a estratificação de risco cardiovascular e a pesquisa de danos em órgãos-alvo.
Quadro clínico
O quadro clínico da hipertensão essencial é frequentemente silencioso. Sintomas inespecíficos podem incluir cefaleia (especialmente occipital e matinal), tontura, fadiga, palpitações e epistaxe. Em estágios avançados ou com complicações, podem ocorrer dispneia, dor torácica, edema periférico, alterações visuais ou sinais de acidente vascular cerebral. O exame físico pode revelar pressão arterial elevada, sopros carotídeos ou abdominais (sugerindo doença aterosclerótica associada), e sinais de hipertrofia ventricular esquerada (como desvio do ictus cordis).
Complicações possíveis
Doença cerebrovascular
Inclui acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico, devido a danos vasculares cerebrais.
Doença arterial coronariana
Aumento do risco de angina, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca.
Insuficiência renal crônica
Nefroesclerose hipertensiva levando a redução progressiva da taxa de filtração glomerular.
Doença arterial periférica
Aterosclerose em artérias periféricas, causando claudicação intermitente ou isquemia crítica.
Retinopatia hipertensiva
Alterações vasculares retinianas, podendo evoluir para hemorragias, exsudatos e edema de papila.
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A hipertensão essencial é uma das condições crônicas mais prevalentes globalmente, afetando aproximadamente 30-45% da população adulta, com aumento da prevalência com a idade. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que cerca de 25% dos adultos são hipertensos. Fatores de risco incluem idade avançada, história familiar, obesidade, sedentarismo, dieta inadequada e etnia (maior prevalência em afrodescendentes). A carga de doença é significativa, contribuindo para altas taxas de incapacidade e mortalidade por doenças cardiovasculares.
Prognóstico
O prognóstico da hipertensão essencial depende do controle adequado da pressão arterial, presença de fatores de risco adicionais e danos em órgãos-alvo. Com tratamento efetivo e mudanças no estilo de vida, é possível reduzir significativamente o risco de complicações cardiovasculares. No entanto, se não tratada, a hipertensão está associada a aumento da morbimortalidade por eventos como AVC, IAM e doença renal terminal. A estratificação de risco (baixo, moderado, alto ou muito alto) guia a intensidade do tratamento e o acompanhamento.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de hipertensão essencial é estabelecido quando a pressão arterial sistólica é ≥ 140 mmHg e/ou a diastólica é ≥ 90 mmHg em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de causas secundárias. A confirmação pode ser feita por monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), com critérios específicos (ex.: média de 24h ≥ 130/80 mmHg na MAPA). Diretrizes como as da Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendam a estratificação de risco com base em fatores de risco, danos em órgãos-alvo e doenças cardiovasculares associadas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hipertensão secundária
Elevação da pressão arterial devido a causas identificáveis, como doença renal crônica, estenose de artéria renal, feocromocitoma ou hiperaldosteronismo primário.
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020.
Hipertensão do avental branco
Elevação da pressão arterial apenas em consultório, com valores normais fora desse ambiente, detectada por MAPA ou MRPA.
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020.
Pré-hipertensão
Pressão arterial sistólica 120-139 mmHg e/ou diastólica 80-89 mmHg, considerada um estado de risco para desenvolvimento de hipertensão estabelecida.
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020.
Crise hipertensiva
Elevação grave e sintomática da pressão arterial, podendo ser uma emergência ou urgência hipertensiva, muitas vezes associada a hipertensão essencial descontrolada.
Journal of Clinical Hypertension, 2017.
Hipertensão arterial resistente
Falha em atingir metas pressóricas apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos em doses adequadas, incluindo um diurético, exigindo exclusão de causas secundárias.
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020.
Exames recomendados
Medição da pressão arterial
Realizada com técnica adequada, em repouso, e confirmada em múltiplas visitas para diagnóstico inicial.
Estabelecer o diagnóstico de hipertensão e monitorar a resposta ao tratamento.
Eletrocardiograma
Avaliação da presença de hipertrofia ventricular esquerda, arritmias ou isquemia miocárdica.
Detectar danos cardíacos relacionados à hipertensão e estratificar risco cardiovascular.
Ecocardiograma
Exame de imagem para quantificar a massa ventricular esquerda e função cardíaca.
Avaliar hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica, importantes para prognóstico.
Exames laboratoriais
Inclui dosagem de creatinina, ureia, eletrólitos (sódio, potássio), glicemia, perfil lipídico e urina tipo I.
Avaliar função renal, detectar diabetes ou dislipidemia associadas, e excluir causas secundárias.
Monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA)
Registro automático da pressão arterial por 24 horas.
Confirmar diagnóstico, avaliar variabilidade pressórica e resposta terapêutica, especialmente em casos suspeitos de hipertensão do avental branco.
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Incentivo ao consumo de dietas com baixo teor de sal e gorduras saturadas, e alto teor de potássio.
Atividade física regular
Encouragement da prática de exercícios desde a infância para prevenir obesidade e hipertensão.
Evitar tabagismo
Abstenção do uso de tabaco, que é um fator de risco independente para doenças cardiovasculares.
Rastreamento populacional
Medição regular da pressão arterial em adultos, especialmente naqueles com fatores de risco.
Vigilância e notificação
A hipertensão essencial não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas é alvo de programas de vigilância em saúde, como a Estratégia Saúde da Família, para rastreamento e controle. A vigilância inclui monitoramento de fatores de risco, adesão ao tratamento e complicações, com base em diretrizes nacionais. Em âmbito global, a OMS recomenda políticas para redução do consumo de sal e promoção de estilos de vida saudáveis como medidas de vigilância populacional.
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Não, a hipertensão essencial é uma condição crônica que requer controle contínuo com mudanças no estilo de vida e medicamentos, mas não tem cura definitiva. O tratamento adequado pode normalizar a pressão arterial e prevenir complicações.
As metas variam conforme o perfil do paciente; geralmente, busca-se pressão arterial < 140/90 mmHg para a maioria, e < 130/80 mmHg para pacientes de alto risco ou com comorbidades como diabetes e doença renal crônica, conforme diretrizes atualizadas.
Sim, há um componente genético significativo, com histórico familiar aumentando o risco. No entanto, fatores ambientais e de estilo de vida também desempenham um papel crucial no desenvolvimento da doença.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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