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CID I11: Doença cardíaca hipertensiva
I110
Doença cardíaca hipertensiva com insuficiência cardíaca (congestiva)
I119
Doença cardíaca hipertensiva sem insuficiência cardíaca (congestiva)
Mais informações sobre o tema:
Definição
A doença cardíaca hipertensiva é uma condição clínica caracterizada por alterações estruturais e funcionais do coração, diretamente atribuíveis à hipertensão arterial sistêmica crônica. Essas alterações incluem hipertrofia ventricular esquerda, disfunção diastólica e, em estágios avançados, insuficiência cardíaca. A fisiopatologia envolve aumento da pós-carga ventricular, ativação neuro-humoral e remodelamento cardíaco, levando a complicações como insuficiência cardíaca, arritmias e morte súbita. Epidemiologicamente, é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular global, com alta prevalência em populações com hipertensão não controlada, contribuindo significativamente para a carga de doenças cardiovasculares.
Descrição clínica
A doença cardíaca hipertensiva manifesta-se por sintomas relacionados à disfunção cardíaca, como dispneia aos esforços, ortopneia, fadiga e edema de membros inferiores. Sinais físicos incluem hipertrofia ventricular esquerda ao exame cardiovascular, terceira e quarta bulhas cardíacas, e evidências de congestão pulmonar. A progressão pode levar a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada ou reduzida, dependendo do estágio da doença.
Quadro clínico
Pacientes podem apresentar dispneia progressiva, intolerância ao exercício, palpitações, dor torácica atípica e sinais de insuficiência cardíaca, como estertores pulmonares, hepatomegalia e edema periférico. Em casos avançados, observam-se crises hipertensivas, arritmias e sintomas de baixo débito cardíaco.
Complicações possíveis
Insuficiência cardíaca
Descompensação da função cardíaca, levando a sintomas de congestão e baixo débito.
Arritmias cardíacas
Inclui fibrilação atrial e taquiarritmias ventriculares, aumentando risco de acidente vascular cerebral e morte súbita.
Doença arterial coronariana
Aceleração de aterosclerose devido à hipertensão crônica.
Acidente vascular cerebral
Complicação tromboembólica associada a arritmias ou hipertensão maligna.
Morte súbita cardíaca
Risco aumentado por arritmias ventriculares em corações hipertrofiados.
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A doença cardíaca hipertensiva é prevalente em adultos, com maior incidência em idosos e populações com acesso limitado a cuidados de saúde. Dados da OMS indicam que a hipertensão contribui para aproximadamente 45% das mortes por doenças cardíacas globalmente. No Brasil, é uma das principais causas de hospitalizações por insuficiência cardíaca.
Prognóstico
O prognóstico depende do controle da hipertensão, adesão ao tratamento e presença de comorbidades. Com manejo adequado, a progressão pode ser retardada, mas a doença está associada a aumento do risco de eventos cardiovasculares maiores. A mortalidade é significativa em casos não tratados, com insuficiência cardíaca sendo uma causa comum de óbito.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história de hipertensão arterial, evidências de hipertrofia ventricular esquerda ao ecocardiograma (espessura de parede ventricular esquerda aumentada) ou eletrocardiograma (critérios de voltagem), e sinais de disfunção cardíaca. Critérios incluem pressão arterial persistentemente elevada e exclusão de outras causas de cardiomiopatia, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Cardiomiopatia hipertrófica
Hipertrofia ventricular esquerda primária, não relacionada à hipertensão, com padrão assimétrico e história familiar.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2020
Estenose aórtica
Causa de hipertrofia ventricular esquerda devido à obstrução valvar, com sopro característico e ecocardiograma diagnóstico.
Guidelines ESC/EACTS, 2021
Cardiomiopatia dilatada
Dilatação ventricular e disfunção sistólica, frequentemente idiopática ou pós-miocardite, sem hipertensão como causa primária.
UpToDate, 2023
Doença arterial coronariana
Isquemia miocárdica pode mimetizar sintomas, com dor torácica típica e alterações eletrocardiográficas.
American Heart Association, 2019
Doença renal crônica
Pode causar hipertensão secundária e complicações cardíacas, exigindo avaliação da função renal.
KDIGO Guidelines, 2021
Exames recomendados
Ecocardiograma transtorácico
Avalia hipertrofia ventricular esquerda, função sistólica e diastólica, e exclui outras cardiopatias.
Confirmar alterações estruturais e funcionais cardíacas
Eletrocardiograma
Detecta sinais de hipertrofia ventricular esquerda, arritmias e alterações isquêmicas.
Triagem e monitoramento de complicações elétricas
Monitorização ambulatorial da pressão arterial
Avalia o controle pressórico em 24 horas e padrões circadianos.
Confirmar diagnóstico de hipertensão e ajuste terapêutico
Ressonância magnética cardíaca
Fornece avaliação detalhada da morfologia e tecido cardíaco, útil em casos complexos.
Diferenciação de outras cardiomiopatias e avaliação de fibrose
Biomarcadores séricos
Inclui peptídeo natriurético tipo B para avaliação de insuficiência cardíaca.
Auxiliar no diagnóstico e estratificação de risco
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Promoção de estilo de vida saudável e adesão ao tratamento.
Vigilância e notificação
No Brasil, a vigilância é realizada por meio do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e sistemas de atenção primária, com notificação de casos graves conforme portarias do Ministério da Saúde. A hipertensão é alvo de programas de controle, como a HiperDia.
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Não é totalmente reversível, mas o controle rigoroso da hipertensão pode estabilizar ou regredir parcialmente a hipertrofia ventricular e melhorar a função cardíaca, reduzindo o risco de complicações.
Sinais iniciais incluem dispneia aos esforços, fadiga excessiva e palpitações, exigindo avaliação médica para detecção precoce.
Diferencia-se por ter a hipertensão como causa primária, com hipertrofia ventricular esquerda concêntrica, enquanto outras cardiomiopatias podem ser idiopáticas, genéticas ou secundárias a outras condições.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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