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CID I01: Febre reumática com comprometimento do coração

I010
Pericardite reumática aguda
I011
Endocardite reumática aguda
I012
Miocardite reumática aguda
I018
Outras formas de doença cardíaca reumática aguda
I019
Doença cardíaca reumática aguda não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A febre reumática com comprometimento cardíaco é uma doença inflamatória sistêmica, mediada por resposta autoimune, que ocorre como sequela de infecção faríngea por Streptococcus pyogenes (grupo A) em indivíduos geneticamente predispostos. Caracteriza-se por inflamação cardíaca, envolvendo principalmente o endocárdio, miocárdio e pericárdio, resultando em cardite, que pode evoluir para valvulopatias crônicas, como estenose mitral ou insuficiência aórtica. A fisiopatologia envolve mimetismo molecular entre antígenos estreptocócicos e tecidos humanos, como proteínas M e antígenos de válvulas cardíacas, desencadeando resposta imune cruzada. Epidemiologicamente, é mais prevalente em crianças de 5 a 15 anos, em regiões com baixas condições socioeconômicas e acesso limitado a cuidados de saúde, representando uma causa significativa de morbidade cardiovascular em jovens.

Descrição clínica

A febre reumática com comprometimento cardíaco manifesta-se clinicamente por sinais e sintomas de cardite, que podem incluir taquicardia desproporcional à febre, sopros cardíacos (especialmente de insuficiência mitral ou aórtica), atrito pericárdico, cardiomegalia e insuficiência cardíaca. Associam-se frequentemente outros critérios maiores, como poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. O quadro agudo pode ser precedido por história de faringoamigdalite estreptocócica nas últimas 2 a 4 semanas. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar a sequelas valvulares permanentes e aumento do risco de mortalidade.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui cardite (manifestada por sopros cardíacos novos ou alterados, insuficiência cardíaca, pericardite), poliartrite migratória afetando grandes articulações, coreia de Sydenham (movimentos involuntários, fraqueza muscular), eritema marginado (lesões cutâneas anulares não pruriginosas) e nódulos subcutâneos (nódulos firmes sobre proeminências ósseas). Sintomas constitucionais como febre, mal-estar e artralgias são comuns. A cardite pode ser silenciosa inicialmente, mas é a principal causa de morbimortalidade.

Complicações possíveis

Cardiopatia reumática crônica

Lesões valvulares permanentes, como estenose mitral ou insuficiência aórtica, levando a insuficiência cardíaca e necessidade de intervenção cirúrgica.

Insuficiência cardíaca congestiva

Disfunção ventricular secundária à cardite aguda ou valvulopatia, com sintomas de dispneia, edema e redução da tolerância ao exercício.

Arritmias cardíacas

Distúrbios de condução, como bloqueio AV, ou taquiarritmias, aumentando o risco de morte súbita.

Endocardite infecciosa

Maior susceptibilidade a infecção valvular em pacientes com valvulopatia reumática estabelecida.

Coreia persistente

Movimentos coreicos que podem persistir por meses, afetando qualidade de vida e requerendo manejo sintomático.

Epidemiologia

A febre reumática é mais comum em crianças de 5 a 15 anos, com incidência estimada em 5-51/100.000 em países em desenvolvimento, enquanto em países desenvolvidos é <2/100.000. Fatores de risco incluem baixo nível socioeconômico, superlotação e acesso inadequado a cuidados de saúde. A cardite ocorre em 30-80% dos casos de febre reumática aguda, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em jovens globalmente.

Prognóstico

O prognóstico varia com a gravidade da cardite inicial; pacientes sem cardite têm bom prognóstico, enquanto aqueles com cardite grave podem evoluir com cardiopatia reumática crônica, insuficiência cardíaca e maior mortalidade. A adesão à profilaxia secundária com penicilina reduz recorrências e melhora o desfecho a longo prazo. Crianças com envolvimento cardíaco significativo têm risco aumentado de complicações cardiovasculares na vida adulta.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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