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CID E79: Distúrbios do metabolismo de purina e pirimidina

E790
Hiperuricemia sem sinais de artrite inflamatória e de doença com tofos
E791
Síndrome de Lesch-Nyhan
E798
Outros distúrbios do metabolismo da purina e pirimidina
E799
Distúrbio não especificado do metabolismo da purina e pirimidina

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos do metabolismo das purinas e pirimidinas constituem um grupo de doenças hereditárias ou adquiridas caracterizadas por anormalidades na síntese, degradação ou transporte de purinas (como adenina e guanina) e pirimidinas (como citosina, timina e uracila), que são componentes fundamentais dos ácidos nucleicos (DNA e RNA) e de moléculas energéticas (ex.: ATP). Essas alterações podem resultar em acúmulo de metabólitos tóxicos, deficiências enzimáticas específicas ou desregulação de vias metabólicas, levando a manifestações clínicas variadas, incluindo disfunções neurológicas, renais, hematológicas e imunológicas. A fisiopatologia envolve mutações genéticas que afetam enzimas como a hipoxantina-guanina fosforibosiltransferase (HGPRT) na síndrome de Lesch-Nyhan, ou a adenosina desaminase em imunodeficiências, com impacto significativo na homeostase celular e na proliferação tecidual. Epidemiologicamente, esses transtornos são raros, com prevalência estimada em torno de 1 a 2 casos por 100.000 nascidos vivos, variando conforme a etnia e a condição específica; por exemplo, a deficiência de adenosina desaminase tem incidência de aproximadamente 1 em 200.000 a 1.000.000 de nascimentos. A maioria é herdada de forma autossômica recessiva ou ligada ao X, com início dos sintomas frequentemente na infância, embora formas adultas possam ocorrer. O impacto clínico é substancial, podendo cursar com atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, litíase renal por cristais de ácido úrico, anemia, imunossupressão e em alguns casos óbito precoce, exigindo diagnóstico precoce e manejo multidisciplinar para mitigar complicações. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, bioquímicos e moleculares, com exames como dosagem de ácido úrico sérico, atividade enzimática em eritrócitos ou fibroblastos, e análise genética. O manejo inclui abordagens dietéticas, farmacológicas (ex.: alopurinol para reduzir a produção de ácido úrico) e suporte sintomático, visando prevenir danos orgânicos irreversíveis. A compreensão desses transtornos é crucial para profissionais de saúde, dada sua complexidade e a necessidade de intervenções personalizadas, com referências baseadas em diretrizes como as da OMS e sociedades de metabolismo.

Descrição clínica

Os transtornos do metabolismo das purinas e pirimidinas manifestam-se por um espectro clínico heterogêneo, dependendo da enzima deficiente e da acumulação de metabólitos. Comumente, observam-se alterações neurológicas como atraso global do desenvolvimento, convulsões, espasticidade e em casos graves como a síndrome de Lesch-Nyhan, automutilação e distonia. Comprometimento renal é frequente, com nefrolitíase por cristais de ácido úrico, insuficiência renal aguda ou crônica, e hiperuricemia assintomática. Manifestações hematológicas incluem anemia megaloblástica, neutropenia e trombocitopenia, enquanto deficiências imunológicas podem levar a infecções recorrentes, como na deficiência de adenosina desaminase. Sinais adicionais abrangem artrite gotosa, surdez neurosensorial, e em crianças, falha de crescimento. A progressão é variável, com formas leves apresentando-se apenas na idade adulta e formas severas levando a incapacidade significativa ou óbito na infância.

Quadro clínico

O quadro clínico varia desde formas assintomáticas com hiperuricemia isolada até apresentações graves. Em lactentes e crianças, sintomas iniciais podem incluir atraso de marcos motores e de linguagem, irritabilidade, vômitos e letargia. Na síndrome de Lesch-Nyhan, observam-se coreoatetose, automutilação (mordedura de lábios e dedos), e retardo mental grave. Comprometimento renal manifesta-se por cólica renal, hematúria, oligúria e hipertensão. Em distúrbios imunológicos, há infecções bacterianas, fúngicas e virais recorrentes, com falência de crescimento. Adultos podem apresentar artrite gotosa, tofos subcutâneos, e litíase renal de repetição. Sinais de alerta incluem anemia refratária, convulsões e deterioração neurológica progressiva, necessitando de avaliação urgente.

Complicações possíveis

Nefropatia por ácido úrico

Insuficiência renal aguda ou crônica devido à deposição de cristais de ácido úrico nos túbulos renais, podendo evoluir para doença renal terminal.

Artrite gotosa crônica

Inflamação articular recorrente com formação de tofos, levando a deformidades e limitação funcional.

Comprometimento neurológico irreversível

Atraso mental grave, distonia e automutilação em síndromes como Lesch-Nyhan, com impacto significativo na qualidade de vida.

Imunodeficiência grave

Infecções oportunistas recorrentes e risco de óbito em deficiências como a de adenosina desaminase, sem tratamento precoce.

Anemia megaloblástica

Deficiência na síntese de DNA devido a distúrbios de pirimidinas, causando anemia refratária e sintomas de fadiga.

Epidemiologia

Os transtornos do metabolismo das purinas e pirimidinas são raros, com prevalência global estimada em 1-2 por 100.000 indivíduos. A síndrome de Lesch-Nyhan tem incidência de aproximadamente 1 em 380.000 nascidos vivos, com predomínio no sexo masculino devido à herança ligada ao X. Deficiências como a de adenosina desaminase ocorrem em cerca de 1 em 200.000 a 1.000.000 nascimentos, sem predileção por gênero. A distribuição é mundial, com variações geográficas e étnicas; por exemplo, algumas mutações são mais comuns em populações específicas. O início é geralmente na infância, mas formas de apresentação tardia existem. Fatores de risco incluem história familiar positiva, e a maioria dos casos é esporádica em populações sem consanguinidade.

Prognóstico

O prognóstico é variável, dependendo do transtorno específico, idade ao diagnóstico e adesão ao tratamento. Em condições como a síndrome de Lesch-Nyhan, o prognóstico é reservado, com expectativa de vida reduzida devido a complicações renais e neurológicas, embora manejo agressivo possa prolongar a sobrevida. Para deficiências tratáveis como algumas imunodeficiências, o transplante de medula óssea ou terapia enzimática pode melhorar significativamente o desfecho, com sobrevida a longo praxima do normal. Complicações como nefropatia crônica ou dano neurológico estabelecido são frequentemente irreversíveis. Diagnóstico precoce e intervenção multidisciplinar são cruciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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