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CID E72: Outros distúrbios do metabolismo de aminoácidos
E720
Distúrbios do transporte de aminoácidos
E721
Distúrbios do metabolismo dos aminoácidos que contêm enxofre
E722
Distúrbios do metabolismo do ciclo da uréia
E723
Distúrbios do metabolismo da lisina e da hidroxilisina
E724
Distúrbios do metabolismo da ornitina
E725
Distúrbios do metabolismo da glicina
E728
Outros distúrbios especificados do metabolismo dos aminoácidos
E729
Distúrbio não especificado do metabolismo dos aminoácidos
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos do metabolismo de aminoácidos são condições hereditárias ou adquiridas que resultam de defeitos enzimáticos ou transportadores envolvidos na síntese, degradação ou transporte de aminoácidos, levando ao acúmulo de metabólitos tóxicos ou deficiências de compostos essenciais. O código E72 da CID-10 abrange um grupo diversificado de distúrbios que não se enquadram em categorias específicas como fenilcetonúria (E70) ou transtornos do ciclo da ureia (E72.2), incluindo condições como acidúrias orgânicas, defeitos no metabolismo de aminoácidos sulfurados e distúrbios do metabolismo de aminoácidos de cadeia ramificada. Esses transtornos podem manifestar-se desde o período neonatal até a idade adulta, com apresentações clínicas variadas, desde crises metabólicas agudas até comprometimento neurológico progressivo. A incidência global é estimada em 1:1.000 a 1:2.500 nascidos vivos, dependendo da condição específica e da população, com impacto significativo na morbimortalidade se não diagnosticados e tratados precocemente.
Descrição clínica
Os transtornos incluídos em E72 apresentam uma ampla gama de manifestações clínicas, que podem incluir letargia, vômitos, acidose metabólica, hipoglicemia, convulsões, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, hepatomegalia e odor corporal característico. A gravidade varia desde formas assintomáticas até apresentações fulminantes no período neonatal. A progressão pode ser aguda, desencadeada por fatores como infecções ou jejum prolongado, ou crônica, com deterioração neurológica gradual. A heterogeneidade clínica reflete a diversidade de vias metabólicas afetadas, exigindo alta suspeição clínica para diagnóstico precoce.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável, podendo incluir: no período neonatal, dificuldade de alimentação, vômitos, letargia, hipotonia, convulsões e coma; na infância, atraso do desenvolvimento, regressão de marcos motores, hepatomegalia, cardiomiopatia e odor corporal peculiar (e.g., odor de xarope de bordo na doença da urina do xarope de bordo). Em formas mais leves ou de início tardio, podem ocorrer sintomas intermitentes como crises de acidose, intolerância a proteínas, e manifestações neuropsiquiátricas. A apresentação aguda frequentemente simula sepse ou encefalopatia, exigindo diferenciação urgente.
Complicações possíveis
Encefalopatia metabólica
Resulta do acúmulo de toxinas como amônia ou ácidos orgânicos, levando a edema cerebral, convulsões e coma, com risco de sequelas neurológicas permanentes.
Retardo mental e déficits cognitivos
Ocorre devido à neurotoxicidade crônica, especialmente se o diagnóstico e tratamento forem tardios, afetando o desenvolvimento neuropsicomotor.
Insuficiência hepática
Pode surgir em transtornos como tirosinemia, com hepatomegalia, cirrose e risco de carcinoma hepatocelular.
Cardiomiopatia
Associada a alguns distúrbios (e.g., acidúria propiónica), resultando em disfunção cardíaca e insuficiência cardíaca.
Morte súbita
Pode ocorrer em crises metabólicas agudas não tratadas, devido a descompensação rápida com acidose grave ou hiperamonemia.
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A prevalência agregada de transtornos do metabolismo de aminoácidos é estimada em 1:1.000 a 1:2.500 nascidos vivos globalmente, com variações regionais devido a fatores genéticos e programas de triagem neonatal. Condições específicas como homocistinúria têm incidência de cerca de 1:200.000, enquanto acidúrias orgânicas podem ser mais frequentes em populações com consanguinidade. No Brasil, a implementação do teste do pezinho expandido tem aumentado a detecção precoce, mas subnotificação persiste em regiões com menor acesso à saúde.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo do transtorno específico, idade ao diagnóstico e adesão ao tratamento. Com diagnóstico precoce (e.g., pelo teste do pezinho) e manejo adequado, incluindo restrição dietética e suplementação, muitos pacientes alcançam desenvolvimento normal e sobrevida prolongada. No entanto, formas graves ou diagnóstico tardio associam-se a alto risco de sequelas neurológicas, incapacidade e mortalidade. Fatores como acesso a cuidados especializados e monitoramento regular influenciam os desfechos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e genéticos. Critérios sugeridos incluem: 1) Suspeita clínica de transtorno metabólico (e.g., acidose metabólica inexplicada, hiperamonemia, hipoglicemia); 2) Achados laboratoriais como acidose metabólica com anion gap aumentado, cetonúria, elevação de aminoácidos específicos no plasma ou ácidos orgânicos na urina; 3) Confirmação por espectrometria de massa em tandem (teste do pezinho expandido) ou ensaios enzimáticos; 4) Identificação de mutações patogênicas por sequenciamento genético. Diretrizes como as da Sociedade Americana de Genética Médica recomendam a integração de dados clínicos e bioquímicos para confirmação.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Sepse neonatal
Pode apresentar letargia, vômitos e acidose, mas geralmente associada a sinais infecciosos como febre e leucocitose, diferindo pela ausência de alterações metabólicas específicas como elevação de aminoácidos ou ácidos orgânicos.
UpToDate: 'Approach to the ill-appearing infant'
Transtornos do ciclo da ureia (E72.2)
Compartilha hiperamonemia e sintomas neurológicos, mas distingue-se pela presença de alcalose respiratória inicial e padrão específico de aminoacidúria, com confirmação por dosagem de enzimas do ciclo da ureia.
OMS: CID-10 E72.2
Intoxicações exógenas
Como envenenamento por salicilatos ou etilenoglicol, que causam acidose metabólica, mas com história de exposição e achados toxicológicos positivos, sem elevação de aminoácidos endógenos.
Micromedex: 'Toxicology management'
Doenças mitocondriais
Podem simular com acidose láctica e comprometimento neurológico, mas geralmente apresentam envolvimento multissistêmico e achados como elevado lactato no LCR, diferenciando-se pela ausência de acidúria orgânica característica.
PubMed: 'Mitochondrial disorders review'
Hipoglicemia de outras causas
Como defeitos da gliconeogênese ou hiperinsulinismo, compartilha hipoglicemia, mas sem os metabólitos tóxicos de aminoácidos, com confirmação por testes de tolerância e perfil hormonal.
Diretrizes Brasileiras de Endocrinologia
Exames recomendados
Dosagem de aminoácidos plasmáticos e urinários
Identifica padrões específicos de elevação ou deficiência de aminoácidos, auxiliando no diagnóstico de condições como homocistinúria ou doença da urina do xarope de bordo.
Detecção de alterações quantitativas no perfil de aminoácidos para confirmação diagnóstica.
Cromatografia de ácidos orgânicos urinários
Detecta ácidos orgânicos anormais (e.g., ácido metilmalônico, ácido propiónico) que se acumulam em acidúrias, fornecendo evidência de bloqueios enzimáticos.
Identificação de metabólitos tóxicos para diagnóstico de acidúrias orgânicas.
Amônia plasmática
Avalia a presença de hiperamonemia, comum em transtornos que afetam o ciclo da ureia ou metabolismo de aminoácidos, indicando gravidade e necessidade de intervenção urgente.
Triagem para crises metabólicas agudas e monitoramento de resposta terapêutica.
Gasometria arterial
Detecta acidose metabólica com anion gap aumentado, característica de muitos transtornos, ajudando a diferenciar de outras causas de acidose.
Avaliação do equilíbrio ácido-base na suspeita de crise metabólica.
Sequenciamento genético (painel de genes ou exoma)
Confirma mutações patogênicas em genes envolvidos no metabolismo de aminoácidos, permitindo diagnóstico definitivo e aconselhamento genético.
Confirmação etiológica e identificação de variantes para manejo personalizado.
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Implementação do teste do pezinho expandido para detecção precoce de transtornos, permitindo intervenção antes do aparecimento de sintomas.
Aconselhamento genético
Para casais com história familiar, visando identificar portadores e reduzir risco de descendentes afetados por meio de planejamento reprodutivo.
Evitar desencadeantes
Educação sobre fatores como jejum prolongado, infecções e estresse, que podem precipitar crises metabólicas em indivíduos diagnosticados.
Vigilância e notificação
No Brasil, esses transtornos são de notificação compulsória no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e no programa de triagem neonatal (teste do pezinho), conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. A vigilância inclui monitoramento de casos confirmados, investigação de surtos familiares e integração com serviços de genética clínica. Recomenda-se notificação imediata de casos suspeitos para permitir intervenção precoce e prevenção de complicações.
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Sinais incluem dificuldade de alimentação, vômitos persistentes, letargia, convulsões, odor corporal peculiar, acidose metabólica e hipoglicemia. A suspeita deve levar à investigação urgente com exames metabólicos.
O teste do pezinho básico pode não detectar todos; a versão expandida, com espectrometria de massa, aumenta a sensibilidade para muitas condições, mas alguns transtornos raros podem exigir confirmação adicional.
Sim, com diagnóstico precoce, adesão estrita à dieta restritiva, suplementação e monitoramento regular, muitos pacientes têm desenvolvimento normal e boa qualidade de vida, embora o manejo seja vitalício.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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