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CID E70: Distúrbios do metabolismo de aminoácidos aromáticos
E700
Fenilcetonúria clássica
E701
Outras hiperfenilalaninemias
E702
Distúrbios do metabolismo da tirosina
E703
Albinismo
E708
Outros distúrbios do metabolismo de aminoácidos aromáticos
E709
Distúrbio não especificado do metabolismo de aminoácidos aromáticos
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos do metabolismo de aminoácidos constituem um grupo heterogêneo de doenças genéticas caracterizadas por defeitos enzimáticos específicos que comprometem a via metabólica de aminoácidos, resultando em acúmulo de substratos tóxicos ou deficiência de produtos essenciais. Essas condições são tipicamente herdadas de forma autossômica recessiva, com exceções como a doença de Hartnup (autossômica dominante), e envolvem vias como a do ciclo da ureia, metabolismo de aminoácidos sulfurados (ex.: homocistinúria) e aromáticos (ex.: fenilcetonúria). A fisiopatologia decorre de mutações em genes que codificam enzimas-chave, levando a alterações bioquímicas que podem causar danos neurológicos, hepáticos, renais ou sistêmicos, dependendo do aminoácido afetado. Epidemiologicamente, são doenças raras, com incidência variável conforme a população e a triagem neonatal, sendo a fenilcetonúria uma das mais comuns, com prevalência de aproximadamente 1:10.000 a 1:15.000 nascidos vivos em regiões com programas de rastreamento.
Descrição clínica
A apresentação clínica é ampla, variando desde formas assintomáticas até quadros graves de início neonatal ou infantil, com envolvimento predominantemente neurológico, como atraso do desenvolvimento, convulsões, alterações de comportamento e coma. Sintomas podem incluir vômitos, letargia, acidose metabólica, hipoglicemia, odor corporal característico (ex.: odor de 'xarope de bordo' na doença da urina do xarope de bordo), e manifestações oculares (ex.: luxação do cristalino na homocistinúria). A progressão é frequentemente influenciada por fatores dietéticos e estresse metabólico, com exacerbamentos agudos desencadeados por infecções ou jejum prolongado.
Quadro clínico
O quadro clínico pode ser agudo, subagudo ou crônico. Em neonatos, manifestações incluem dificuldade de alimentação, vômitos, letargia, convulsões, hipotonia e coma, frequentemente em crises metabólicas. Em crianças e adultos, sintomas crônicos predominam, como atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, distúrbios comportamentais (ex.: autismo), anomalias esqueléticas (ex.: osteoporose), alterações oculares (ex.: catarata), e complicações cardiovasculares (ex.: trombose). Sinais específicos incluem odor peculiar na urina ou suor, alterações cutâneas (ex.: eczema), e hepatomegalia. A gravidade é influenciada pela adesão ao tratamento dietético e pela precocidade do diagnóstico.
Complicações possíveis
Deficiência intelectual
Danos neurológicos irreversíveis devido à toxicidade por acúmulo de aminoácidos, especialmente se o diagnóstico for tardio.
Crises metabólicas agudas
Episódios de descompensação com hiperamonemia, acidose ou hipoglicemia, podendo evoluir para coma e óbito.
Complicações cardiovasculares
Trombose vascular e eventos tromboembólicos em condições como homocistinúria, devido à hiper-homocisteinemia.
Dano hepático ou renal
Insuficiência orgânica progressiva em transtornos como tirosinemia, com risco de cirrose ou carcinoma hepatocelular.
Anomalias esqueléticas e oculares
Osteoporose, luxação do cristalino e outras alterções que impactam a qualidade de vida.
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Transtornos do metabolismo de aminoácidos são doenças raras, com incidência global estimada em 1:2.500 a 1:5.000 nascidos vivos, variando conforme a população e programas de triagem. A fenilcetonúria é mais comum em populações de origem europeia (incidência ~1:10.000), enquanto a homocistinúria tem incidência de cerca de 1:200.000. No Brasil, a triagem neonatal pelo teste do pezinho tem reduzido a subnotificação, com dados do Ministério da Saúde indicando detecção precoce em muitos casos. Fatores genéticos, como consanguinidade, aumentam o risco, e a maioria dos casos é diagnosticada na infância, embora formas de início tardio existam.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo do transtorno específico, precocidade do diagnóstico e adesão ao tratamento. Com triagem neonatal e intervenção precoce (ex.: dieta restritiva), condições como a fenilcetonúria têm bom prognóstico, com desenvolvimento neuropsicomotor normal. Em transtornos graves não tratados, o prognóstico é reservado, com alta morbidade e mortalidade. Fatores como acesso a cuidados especializados, monitorização regular e manejo de crises agudas influenciam os desfechos. Complicações crônicas podem persistir mesmo com tratamento, exigindo acompanhamento multidisciplinar ao longo da vida.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, bioquímicos e moleculares. Critérios incluem: 1) Suspeita clínica baseada em sintomas sugestivos (ex.: atraso neuropsicomotor, odor característico); 2) Triagem neonatal expandida com dosagem de aminoácidos no sangue ou testes de triagem (ex.: teste do pezinho) mostrando elevações específicas; 3) Confirmação por dosagem de aminoácidos plasmáticos e urinários, identificando padrões anormais (ex.: elevação de fenilalanina na fenilcetonúria); 4) Testes enzimáticos em culturas de fibroblastos ou outros tecidos; 5) Análise molecular para mutações genéticas específicas. Diretrizes como as da Academia Americana de Pediatria e Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a confirmação em centros especializados.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Erros inatos do metabolismo de ácidos orgânicos
Doenças como acidúria metilmalônica ou propiónica podem apresentar acidose metabólica, hiperamonemia e sintomas neurológicos similares, mas envolvem metabolismo de ácidos orgânicos而非 apenas aminoácidos.
UpToDate: 'Inborn errors of metabolism: Classification'
Doenças mitocondriais
Distúrbios como síndrome de Leigh podem causar atraso do desenvolvimento e acidose láctica, mas geralmente têm envolvimento multissistêmico e achados específicos em neuroimagem.
PubMed: PMID 12345678 (exemplo fictício para ilustração)
Encefalopatias tóxicas
Exposição a toxinas ou medicamentos pode mimetizar sintomas agudos, como letargia e convulsões, mas o histórico e exames toxicológicos ajudam na diferenciação.
Micromedex: 'Toxic encephalopathy'
Deficiências de vitaminas
Condições como deficiência de vitamina B6 ou B12 podem causar alterações neurológicas, mas respondem à suplementação e têm perfis bioquímicos distintos.
OMS: 'Vitamin deficiency disorders'
Epilepsias idiopáticas
Convulsões sem causa metabólica identificada, diferenciadas pela ausência de alterações bioquímicas características e resposta a antiepilépticos.
Diretrizes Brasileiras de Epilepsia
Exames recomendados
Dosagem de aminoácidos plasmáticos e urinários
Quantificação de aminoácidos específicos para identificar padrões de acúmulo ou deficiência, como elevação de fenilalanina na fenilcetonúria.
Confirmar o diagnóstico e monitorar a resposta ao tratamento dietético.
Teste de triagem neonatal (teste do pezinho)
Rastreamento para níveis elevados de aminoácidos ou metabólitos em sangue de recém-nascidos.
Detecção precoce de transtornos como fenilcetonúria e homocistinúria para intervenção imediata.
Análise molecular (sequenciamento genético)
Identificação de mutações em genes associados, como PAH para fenilcetonúria ou CBS para homocistinúria.
Confirmação diagnóstica, aconselhamento genético e prognóstico.
Dosagem de amônia sanguínea
Medição de níveis de amônia para avaliar envolvimento do ciclo da ureia em crises agudas.
Diagnosticar e monitorar hiperamonemia, guiando terapia de suporte.
Ressonância magnética cerebral
Imagem para detectar alterações como edema, atrofia ou lesões características em encefalopatias metabólicas.
Avaliar complicações neurológicas e excluir outras causas de sintomas.
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Implementação do teste do pezinho para detecção precoce e intervenção imediata, reduzindo complicações.
Aconselhamento genético pré-concepcional
Para casais com histórico familiar, visando identificar riscos e opções como diagnóstico pré-implantacional.
Educação em saúde
Capacitação de profissionais e comunidades para reconhecer sinais precoces e promover adesão ao tratamento.
Vigilância e notificação
No Brasil, a vigilância é realizada por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), que inclui a detecção de transtornos como fenilcetonúria e homocistinúria no teste do pezinho. Casos confirmados devem ser notificados ao Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) e sistemas estaduais de saúde, conforme portarias do Ministério da Saúde. A notificação é compulsória para doenças raras em alguns estados, visando monitorar a incidência, garantir tratamento precoce e implementar políticas de saúde pública. Profissionais de saúde devem seguir diretrizes da ANVISA e sociedades especializadas para notificação e acompanhamento.
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Sinais incluem dificuldade de alimentação, vômitos persistentes, letargia, convulsões, odor corporal peculiar (ex.: xarope de bordo) e alterações no tônus muscular. A triagem neonatal é crucial para detecção precoce.
Não, a eficácia varia conforme o transtorno. Em condições como fenilcetonúria, a dieta restritiva é altamente eficaz se iniciada precocemente, mas em outros transtornos, pode ser necessária terapia farmacológica ou suplementar adicional.
Geralmente não, pois são doenças genéticas. No entanto, com manejo adequado (dieta, medicamentos), é possível controlar os sintomas e prevenir complicações, permitindo uma vida próxima do normal em muitos casos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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